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quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

"Não TAP os olhos!", Não à privatização da TAP!











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(divulgação)




Cineasta lança manifesto contra a privatização da TAP



Lançado pelo realizador António Pedro Vasconcelos, o apelo conta com as assinaturas de Carlos do Carmo, Tony Carreira, Mário Soares, Lídia Jorge, Adriano Moreira, Sampaio da Nóvoa, Francisco Louçã e Loureiro dos Santos, entre outros.




"Um país que entrega tudo à iniciativa privada, fica privado de iniciativa", conclui o manifesto assinado por dezenas de personalidades. Entre os que subscreveram o apelo lançado por António Pedro Vasconcelos, estão o ex-presidente Mário Soares, figuras da cultura como Eduardo Pitta, Joaquim de Almeida, Ruben Alves, Miguel Real, Carlos Fragateiro, Pedro Abrunhosa e Tony Carreira, jornalistas como Diana Andringa, José Carlos Vasconcelos e Daniel Deusdado, entre outros.
 
O texto do manifesto foi publicado pelo semanário Expresso e defende que a privatização da TAP "seria um desastre nacional, sem falar do negócio ruinoso que representaria e do risco para milhares de empregos, com reflexos na sustentabilidade da Segurança Social". E lembra que "só não é possível financiar a TAP se o Governo se demitir das suas obrigações e decidir não defender o seu património e o interesse nacional", uma vez que a justiça europeia já "fixou regras e condições para os Estados Membros poderem financiar, diretamente ou através de empréstimos bancários, os serviços de interesse económico geral" de que fazem parte a maioria dos voos da TAP.

"É esta empresa que é nossa, onde o Estado não investe um cêntimo há quase vinte anos, que o Governo quer agora entregar em mãos estranhas ao interesse nacional, e mesmo estrangeiras, uma operação cujo encaixe, além do mais, poderia ser igual a zero", denuncia o manifesto.
O texto diz também que "o Governo devia ter aprendido com as recentes, graves e desastrosas privatizações de setores estratégicos da nossa economia - que representaram, também, uma alienação da nossa soberania", lembrando os casos dos CTT, GALP, PT, EDP e Cimpor. Privatizações que só trouxeram "aumento de preços e pior serviço, despedimentos, lucros fantásticos para os acionistas, num mercado protegido pelo Estado através de um sistema fiscal que os favorece".
 
"É esta empresa que é nossa, onde o Estado não investe um cêntimo há quase vinte anos, que o Governo quer agora entregar em mãos estranhas ao interesse nacional, e mesmo estrangeiras, uma operação cujo encaixe, além do mais, poderia ser igual a zero", denuncia o manifesto.



Manifesto (versão integral)
 
Não à venda da TAP
 
Depois de um recuo, que se esperava tivesse sido ditado pelo bom senso, mas que se revelou apenas estratégico, o Governo reiterou o seu propósito de vender a nossa companhia aérea nacional.
 
A concretizar-se, a alienação de um património nacional com quase 70 anos de experiência, e que representa, além do mais, um dos poucos exemplos de sucesso e de prestígio além-fronteiras - como atestam os rankings e os variadíssimos prémios internacionais, em termos de segurança, conforto e eficácia -, seria um desastre nacional, sem falar do negócio ruinoso que representaria e do risco para milhares de empregos, com reflexos na sustentabilidade da Segurança Social.
 
A TAP é património nacional. E o Governo, qualquer Governo, não pode dispor do património do país como se fosse dele. O Presidente da República tem, por isso, nas mãos, e os portugueses, enquanto cidadãos, têm na voz com que podem exprimir o seu protesto, os instrumentos para travar esta decisão danosa para o interesse nacional.
 
Mas não é só para os portugueses que vivem em Portugal que a TAP é, mais do que uma companhia de bandeira, um símbolo e um garante de soberania e de independência: é para mais de cinco milhões de concidadãos nossos que vivem pelo mundo fora, de Caracas a Paris, de Luanda ao Rio de Janeiro, do Luxemburgo ao Maputo, que dependem da TAP para o seu trabalho e os seus negócios, mas também para manter os laços familiares e afectivos com a Pátria.
 
A primeira obrigação de um Estado soberano é assegurar a união, a coesão e a defesa da comunidade. E a manutenção de uma linha aérea que nos una ao universo da língua portuguesa é uma actividade soberana, tal como a defesa nacional ou a administração da justiça, numa palavra, a salvaguarda dos interesses nacionais, quaisquer que eles sejam e onde quer que eles se encontrem.
 
Não é isso que entende o Governo, que se escuda nas regras da União Europeia que alegadamente impediriam os estados membros de injectar dinheiro nas suas companhias aéreas. Ora, se necessário fosse, a Comissária europeia da concorrência, Margrethe Vestager, já veio desmentir a versão do Governo, acrescentando que o Estado português não apresentou, até à data, em Bruxelas, nenhuma proposta de viabilização da TAP.
 
E, ao contrário do que se quer fazer crer, mesmo nos Estados Unidos, existe um impedimento legal para a compra por empresas estrangeiras de participações maioritárias em qualquer das suas linhas aéreas. Por sua vez, a indústria alemã, por exemplo, é suportada, na generalidade, por uma rede semi-pública de institutos de investigação que beneficiam de investimento estatal. E, conforme reconhece a OCDE, "vários países europeus têm legislação que restringe aquisições por capital estrangeiro; adicionalmente, vários governos europeus tentaram recentemente desencorajar cross-country takeovers, em sectores que vão da energia aos transportes aéreos e produtos alimentares."
 
Por isso, só não é possível financiar a TAP se o Governo se demitir das suas obrigações e decidir não defender o seu património e o interesse nacional. Sobretudo, depois de o acórdão Altmark do Tribunal de Justiça da UE, ter feito jurisprudência, ao fixar as regras e condições para os Estados Membros poderem financiar, directamente ou através de empréstimos bancários, os serviços de interesse económico geral, o que, no caso da TAP, acontece na grande maioria dos voos (Regiões Autónomas, Diáspora e grandes concentrações de portugueses fora do nosso território). Os princípios que norteiam as políticas de intervenção estatal no sector aeronáutico são muito claros. Por forma a assegurarem alguma estabilidade concorrencial no sector, estas políticas são norteadas pelo princípio "one time, last time", que proíbe uma empresa de receber apoio e ajuda na reestruturação mais do que uma vez a cada dez anos. Ora, não há apoio estatal à TAP há 18 anos!
 
Mas, além do mais, a TAP não é uma companhia qualquer, porque não somos um país qualquer: somos um país com responsabilidades para com a imensa diáspora de cinco milhões de portugueses, dispersos pelos cinco continentes, e para com os que vivem nos Açores e na Madeira, mas também para com os cidadãos das antigas colónias, na América Latina, em África e no Oriente, um espaço de 250 milhões de falantes da mesma língua: o português. Como alguém escreveu, "privatizar a TAP seria o equivalente histórico a D. Manuel ter dado a exploração das caravelas quinhentistas a navegadores espanhóis".
 
Privatizar a TAP, que é a maior exportadora nacional, seria, literalmente, como escreveu outro português indignado, "um crime de lesa-Pátria. O que se ganha com a transportadora nacional não fica espelhado nas contas da TAP - está disperso nos ganhos dos hotéis, restaurantes ou centros de conferências, por exemplo".
 
Para mais, em Portugal, a TAP, pelas características e pela dimensão do país, tem funcionado, na prática, como um monopólio público, e, como lembrou o cidadão António Pires de Lima, pouco tempo antes de ser Ministro da Economia, é um perigo e um erro "privatizar monopólios"!
 
Se a decisão de privatizar tudo e a todo o custo não obedecesse a um plano para afastar o Estado da economia (e, na floresta dos interesses, sem o Estado, o mercado transforma-se numa selva), o Governo devia ter aprendido com as recentes, graves e desastrosas privatizações de sectores estratégicos da nossa economia - que representaram, também, uma alienação da nossa soberania. Os que alimentam o mito conveniente de que os privados nos libertam dos riscos da má gestão pública deviam, no mínimo, sentir-se abalados pelos casos recentes do BPN (os gastos com a intervenção no BPN cobririam mais de 40 vezes a dívida da TAP), do BES ou da PT.
 
Os portugueses sentem que a TAP é sua, como eram os CTT, a GALP, a PT, a EDP ou a CIMPOR, o que lhes dá o direito a protestar e a exigir. A sua privatização seria, deste modo, mais uma medida da sistemática alienação dos centros estratégicos de decisão nacionais, como foi também a liberalização da exploração das minas, da floresta ou da água, sem contar com as PPPs ou os SWAPs, com sacrifício do interesse nacional.
 
De facto, podemos perguntar-nos o que ganhámos nós, como consumidores e como país, com a privatização, total ou parcial, dessas empresas? Aumento de preços e pior serviço, despedimentos, lucros fantásticos para os accionistas, num mercado protegido pelo Estado através de um sistema fiscal que os favorece. Lucros que, na maioria dos casos, não são injectados na nossa economia, uma vez que se trata de empresas de capital estrangeiro. O exemplo da ANA, o maior centro comercial do país, que, desde que foi entregue em mãos privadas, aumentou várias vezes a taxa de aeroporto, devia bastar para nos elucidar.
 
Mas o Governo reincide: depois de, no passado, ter sido feita uma tentativa, felizmente abortada, de a fundir com a Swissair (que, entretanto, faliu), a TAP viu-se impelida a comprar a Portugália, que também estava falida. Depois, viu-se obrigada a recomprar a Groundforce, então já espanhola, a quem tinha sido entregue todo o handling do aeroporto de Lisboa e Faro, e que prestava cada vez pior serviço. E, finalmente, num negócio desastroso, tanto a nível financeiro como estratégico, e cuja opacidade está por clarificar, foi empurrada para comprar a VEM, no Brasil, operação que tem vindo a custar à holding somas absurdas, que perturbam o plano operacional da empresa no seu core business: o transporte aéreo.
 
Os portugueses dispõem de uma empresa que funciona bem e prestigia o país, que garante a manutenção do HUB em Lisboa, que, com uma frota diminuta, compete com os gigantes europeus (70 aviões, contra 240 da Air France, 420 da Lufhtansa e 230 da British Airways), que ganhou, por mérito próprio, um papel de liderança absoluta no Atlântico Sul e um papel importante em África, que é uma alavanca de negócios no mercado brasileiro (como aconteceu com a GALP ou PT, graças à entrada da TAP em rotas estratégicas, ou mais recentemente na Colômbia e no Panamá), que, enquanto transportadora aérea, é rentável, que dá trabalho a quase 12.000 pessoas e paga 200 milhões de euros de impostos por ano.
 
Além de que, através da própria TAP, são todos os anos consumidos e colocados num mercado de milhões de pessoas, produtos que representam aquilo que de melhor é produzido neste País, como sustenta a segunda posição no ranking das Empresas Exportadoras, com mais de dois mil milhões de Euros de vendas ao exterior.
 
É esta empresa que é nossa, onde o Estado não investe um cêntimo há quase vinte anos, que o Governo quer agora entregar em mãos estranhas ao interesse nacional, e mesmo estrangeiras, uma operação cujo encaixe, além do mais, poderia ser igual a zero.
 
Um país que entrega tudo à iniciativa privada, fica privado de iniciativa.
 

Subscritores (até às 15h de 18/12)


1.    Adelino Gomes

2.    General Amadeo Garcia dos Santos

3.    António Arnaut

4.    António Capucho

5.    António Sampaio da Nóvoa

6.    António-Pedro Vasconcelos

7.    Camané

8.    Carlos do Carmo

9.    Carlos Fiolhais

10. Carlos Matos Gomes

11. Carlos Fragateiro

12. Carlos Tê

13. Daniel Deusdado

14. Daniel Oliveira

15. Diana Andringa

16. Eduardo Paz Ferreira

17. Eduardo Pitta

18. Almirante Fernando Melo Gomes

19. Francisco Louçã

20. Francisco Seixas da Costa

21. Francisco Teixeira da Mota

22. Frei Bento Domingos

23. Gabriela Canavilhas

24. Helder Costa

25. Henrique Cayatte

26. Irene Pimentel

27. Dom Januário Torgal Ferreira

28. João Ferrão

29. João Ferreira do Amaral

30. João Gil

31. Joaquim de Almeida

32. Jorge Palma

33. José Adelino Maltês

34. José Carlos de Vasconcelos

35. José Eduardo Agualusa

36. José Jorge Letria

37. General José Loureiro dos Santos

38. General José Luís Pinto Ramalho

39. José Maria Brandão de Brito

40. Lídia Jorge

41. Luísa Schmidt

42. Manuel Alberto Valente

43. Manuel Alegre

44. Manuel Carvalho da Silva

45. Maria de Medeiros

46. Maria do Céu Guerra

47. Mário Beja Santos

48. Mário Soares

49. Miguel Real

50. Almirante Melo Gomes

51. Miguel Sousa Tavares

52. Nuno Artur Silva

53. Nuno Baltazar

54. Pedro Abrunhosa

55. Pedro Rodrigues

56. General Pinto Ramalho

57. Raquel Varela

58. Ricardo Monteiro

59. Ricardo Sá Fernandes

60. Ruben Alves

61. Sérgio Godinho

62. Tony Carreira

63. Vasco Lourenço

64. Viriato Soromenho-Marques 

65. Vítor Ramalho





- A partir de: Não TAP os olhos! ,     esquerda.net







domingo, 10 de novembro de 2013

Oportunidades ...






O capitalismo do desastre




1 – Revisitando algumas palavras de Naomi Klein publicadas no seu livro: “A Doutrina do Choque – A Ascensão do Capitalismo do Desastre” (com edição em português da SmartBook) - que serviu de base ao seu esclarecedor e excelente documentário com o mesmo nome - transcreveria um excerto da Introdução:



“(...) As notícias que corriam pelo abrigo [da Cruz Vermelha em “Baton Rouge” no Louisiana, após a catástrofe natural provocada pelo furacão “Katrina” em 29 de Agosto de 2005 na região de Nova Orleães – EUA] naquele dia eram sobre Richard Baker, um proeminente congressista Republicano desta mesma cidade, que tinha dito o seguinte a um grupo de lobbyistas: “Finalmente limpámos o alojamento social em Nova Orleães. Nós não o conseguíamos fazer, mas Deus fê-lo.” (2) Joseph Canizaro, um dos mais ricos investidores no desenvolvimento de Nova Orleães, tinha acabado de exprimir um sentimento semelhante: “Creio que temos um folha em branco de onde podemos recomeçar. E com esta folha em branco temos algumas oportunidades muito grandes.” (3) Durante toda essa semana a Legislatura Estadual do Louisiana em Baton Rouge tinha estado repleta de lobbyistas corporativos a ajudar a firmar essas grandes oportunidades: impostos mais baixos, menos regulamentos, trabalhadores mais baratos e uma “cidade mais pequena e mais segura” - o que, na prática, significava planos para arrasar com os projectos de habitação social e substituí-los por condomínios. Ao ouvir toda esta conversa sobre “novos começos” e “folhas em branco”, quase nos esquecemos da sopa tóxica de entulho, escoamentos químicos e restos humanos a apenas alguns quilómetros de distância pela auto-estrada.
(…)
Um dos que viu uma oportunidade nas águas diluviais foi Milton Friedman, grande guru do movimento pelo capitalismo liberal e o homem creditado por escrever o livro de regras da economia global contemporânea hipermóvel. Apesar dos seus 95 anos de idade e uma saúde frágil, o “Tio Miltie”, como é conhecido entre os seus seguidores, encontrou forças para escrever um artigo de opinião para o Wall Street Journal três meses depois de os diques terem cedido. “A maioria das escolas de Nova Orleães está em ruínas”, observou Friedman, “assim como os lares das crianças que as frequentavam. As crianças estão agora espalhadas por todo o país. Isto é uma tragédia. É também uma oportunidade de reformar de forma radical o sistema educativo.” (4)

A ideia radical de Friedman era que, em vez de se gastar um porção dos milhares de milhões de dólares do dinheiro de reconstrução em reconstruir e melhorar o sistema de ensino público de Nova Orleães, o governo devia providenciar vouchers às famílias, os quais poderiam ser gastos em instituições privadas, muitas delas com vista no lucro, que seriam subsidiadas pelo Estado. Era crucial, escreveu Friedman, que esta mudança não fosse um remendo mas sim “uma reforma permanente”. (5)

Uma rede de peritos da ala direita agarraram na proposta de Friedman e caíram sobre a cidade depois da tempestade. A administração de George W. Bush apoiou os planos deles com 10 milhões de dólares para converter as escolas de Nova Orleães em “escolas por alvará”, instituições financiadas com dinheiros públicos e geridas por entidades privadas de acordo com as suas próprias regras. As escolas por alvará são uma questão profundamente polarizante nos EUA, em particular em Nova Orleães, onde são vistas por muitos pais afro-americanos como uma forma de inverter os ganhos do movimento dos direitos civis, o qual garante a todas as crianças o mesmo padrão de educação. No entanto, para Milton Friedman, todo o conceito de um sistema de ensino dirigido pelo Estado tresanda a socialismo (NT: Nos EUA o termo “socialismo” tem um valor depreciativo, diferente ao valor atribuído na Europa). Na sua perspectiva, as únicas funções do Estado são “proteger a nossa liberdade tanto dos inimigos do lado de fora dos nossos portões, como dos nossos co-cidadãos: preservar a lei e a ordem, fazer cumprir os contratos privados, fomentar mercados competitivos.” (6) Por outras palavras, fornecer polícias e soldados – tudo o resto, incluindo providenciar educação gratuita, seria uma interferência desleal no mercado.

Em acentuado contraste com o passo glacial a que os diques eram reparados e a rede eléctrica era restaurada, o leilão do sistema de ensino de Nova Orleães estava a acontecer com velocidade e precisão militares. Em menos de dezanove meses, com a maioria dos residentes mais pobres ainda no exílio, o sistema de ensino de Nova Orleães tinha sido quase totalmente substituído por escolas por alvará geridas por privados. Antes do furacão Katrina, o conselho escolar dirigia 123 escolas públicas; agora dirigia apenas 4. Antes da tempestade, existiam 7 escolas por alvará na cidade; agora existiam 31 (7). Dantes, os professores de Nova Orleães eram representados por um sindicato forte; agora, o contrato do sindicato tinha sido feito em farrapos, e os seus 4700 membros tinham sido despedidos (8). Alguns dos professores mais novos foram reintegrados nas escolas, com salários reduzidos; a maioria não foi.

Nova Orleães era agora, de acordo com o New York Times, “o mais preeminente laboratório da nação para o teste do uso generalizado de escolas por alvará”, enquanto o Instituto Americano do Empreendimento, um grupo de peritos friedmanita, entusiasmava-se ao dizer que “o Katrina conseguiu num dia (…) o que os reformadores escolares do Louisiana não conseguiram fazer ao fim de anos a tentar.” (9) Entretanto , os professores das escolas públicas, ao verem o dinheiro atribuído às vítimas das cheias a ser desviado para apagar um sistema público e substituí-lo com um sistema privado, apelidaram o plano de Friedman de “uma especulação imobiliária aplicada à educação.” (10)

Eu chamo a estas incursões orquestradas à esfera pública no rescaldo destes acontecimentos catastróficos, combinadas com o tratamento dos desastres como excitantes oportunidades de mercado, de “capitalismo de desastre”. (...)”




(Os sublinhados são da minha responsabilidade)



(As notas para que remete a anterior transcrição podem ser encontradas na edição da “SmartBook”)



No domínio da obscenidade ...



1 - Segue-se 1 vídeo ilustrativo das desigualdades económico-sociais nos EUA – o país mais desigual (com o maior fosso entre ricos e pobres) e injusto dos países “desenvolvidos” (ou industrializados).

Os dados são “esmagadoramente” reveladores:
- Enquanto os 1% dos americanos mais ricos possui cerca de 40% da riqueza do país (calculada em 2009 em cerca de 54 biliões (54 x 10^12) de dólares),
- Os 80% da base possui cerca de 7% da riqueza do país (dos 54 biliões),
- Nos últimos 20 a 30 anos o lucro dos 1% do topo praticamente triplicou,
- Os 1% do topo possui cerca de 50% dos investimentos (“stoks, bonds and mutual funds”), enquanto os 50% da base possui 0,5% desses investimentos. O que significa que não investem “apenas raspam o fundo”.

Mas 1 dos aspectos mais curiosos do vídeo, como o narrador salienta, é de como a percepção comum não faz a menor ideia da dimensão do fosso real ...








2 - A riqueza crescendo a par (ou ao lado) do crescimento da pobreza


(divulgação)


Por Agência Lusa
publicado em 7 Nov 2013 - 15:46


Portugal tem mais multimilionários e estes estão mais ricos apesar da crise


Os países europeus com mais multimilionários são Alemanha (17.820), Reino Unido (10.910), Suíça (6.330), França (4.490) e Itália (1.625)


O número de multimilionários em Portugal – com fortunas superiores a 25 milhões de euros – aumentou 10,8% para 870 pessoas no último ano, apesar da crise que se vive no país, segundo um relatório do banco suíço UBS.

O “Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013” confirma que em Portugal não só cresceu o número de multimilionários como aumentou o valor global das suas fortunas, de 90 para 100 mil milhões de dólares (mais 11,1%).

Segundo este estudo o crescimento do número de multimilionários em Portugal, um dos países mais flagelados pela crise na Europa, foi maior do que a média europeia (8,7) e o valor das suas fortunas aumentou também a um valor maior que o crescimento na média europeia (10,4%).

Em termos do valor total das maiores fortunas, Portugal surge em 13º entre os países da Europa e em 12º no que toca ao número de multimilionários, segundo este estudo.

A crise parece ter sido favorável também às grandes fortunas no país em pior situação nos últimos anos, a Grécia, onde o número de multimilionários cresceu 11% (para 505) e o valor das suas fortunas aumentou 20% (para 60 mil milhões de euros).

Em termos de aumento do número de multimilionários Portugal só foi ultrapassado pela Alemanha (13%), a Suíça (13,1%), a Grécia (11,1%), Roménia (12%) e Servia (11,1%) tiveram aumentos maiores.

Em termos do valor total destas grandes fortunas o crescimento em Portugal só foi ultrapassado pela Suíça (14,5%), Áustria (16,7%), Grécia (20%), Hungria (12,5%), Republica Checa (16,67%) e Roménia (21,4%).

Os países europeus com mais multimilionários são Alemanha (17.820), Reino Unido (10.910), Suíça (6.330), França (4.490) e Itália (1.625).

Em termos das cidades, as que tem mais ricos da Europa são Londres (6.360), Paris (3.195), Zurique (1.940), Munique (1.740), Genebra (1.460), Dusseldorf (1.420), Hamburgo (1.380), Frankfurt (1.310) e Roma (1.195).

Em todo o continente europeu há 58.065 multimilionários (mais 8,7%) que em 2012, com uma fortuna de 6,4 biliões de euros, mais 10,4 %.

Em todo mundo há 199.235 multimilionários, mais 6,3%, com uma riqueza de mais de 27,8 biliões de dólares.

Segundo o estudo há atualmente 2.170 bilionários com uma fortuna total de 6,5 biliões de dólares, ou 23% da riqueza total dos mais ricos.

O estudo revela que o crescimento no último ano foi maior na América do Norte e de Europa (com mais 10 mil multimilionários) e um aumento total do valor das fortunas em 1,5 biliões de dólares.

A desaceleração nos mercados emergentes levou a um queda no número de super-ricos na China e Brasil (respetivamente 4ª e 7ª nações com mais ricos do planeta).



(Os destaques a vermelho são da minha responsabilidade)


- A partir de: jornal 'i'

"Relatório de Ultra Riqueza no Mundo 2013"  (A partir de: Esquerda.net)



3 - Segue-se 1 interessante artigo de Stiglitz analisando e comentando as crescentes desigualdades 


(divulgação)


Um novo retrato da desigualdade global





Distância entre nações reduziu-se, mas elite de super-ricos isolou-se ainda mais. Tornou-se claro: injustiças não são “naturais”, mas cuidadosamente produzidas


Por Joseph Stiglitz, no blog The Great Dividedo New York Times | Imagem: Javier Jaen | Tradução: Antonio Martins
Sabe-se perfeitamente hoje que as desigualdades de renda e riqueza na maior parte dos países ricos, e especialmente nos Estados Unidos, dispararam, nas últimas décadas e, de modo trágico, agravaram-se ainda mais desde a Grande Recessão. Mas e no resto do mundo? A distância entre os países está se reduzindo, à medida que potências econômicas como a China e Índia resgatam centenas de milhões de pessoas da pobreza? E no interior das nações pobres e de riqueza média, a desigualdade está piorando ou sendo reduzida? Estamos caminhando para um mundo mais igual ou mais injusto?
São questões complexas. Uma pesquisa de um economista do Banco Mundial de nomeBranko Milanovic, junto com outros acadêmicos, começou a apontar algumas respostas.
A partir do século 18, a revolução industrial produziu um aumento gigantesco da riqueza na Europa e América do Norte. É claro, a desigualdade nestes países era chocante. Pense nas indústrias têxteis de Liverpool e Manchester, na Inglaterra dos anos 1820, ou nas favelas do baixo Leste de Manhattan ou do Sul de Chicago, nos 1890. Mas o abismo entre os ricos e o resto, como um fenômeno global, alargou-se ainda mais até a II Guerra Mundial. Àquela época, a desigualdade entre os países era maior que a desigualdade em seu interior.
Mas depois da Guerra Fria, no final dos anos 1980, a globalização econômica se acelerou e a distância entre as nações começou a encolher. O período entre 1988 e 2008 “pode ter representado o primeiro declínio na desigualdade global entre cidadãos do mundo desde a Revolução Industrial”, diz Milanovic, que nasceu na antiga Iugoslávia. É o autor de Os que têm e os que não têm: uma história breve e idiossincrática da desigualdade global [sem edição em português], um texto publicado em novembro último. Embora a distância entre algumas regiões tenha diminuído notavelmente – em especial, entre a Ásia e as economias avançadas do Ocidente –, persistem grandes abismos. As rendas globais, por país, aproximaram-se umas das outras nas últimas décadas, particularmente devido à força do crescimento da China e Índia. Mas a igualdade geral entre os seres humanos, considerados como indivíduos, melhorou muito pouco. O coeficiente de Gini, uma medida de desigualdade, melhorou apenas 1,4 pontos, entre 2002 e 2008. 
Ou seja: embora nações da Ásia, do Oriente Médio e da América Latina como um todo, possam estar se aproximando do Ocidente, os pobres são deixados para trás em toda parte – inclusive em países como a China, onde beneficiaram-se de alguma forma da melhora dos padrões de vida. Entre 1988 e 2008, descobriu Milanovic, a renda do 1% mais rico do planeta cresceu 60%, enquanto os 5% mais pobres não tiveram mudança em seus rendimentos. E embora as rendas médias tenham melhorado bastante, nas últimas décadas, há ainda enormes desequilíbrios: 8% da humanidade abocanham 50% da renda global; o 1% mais rico fica, sozinho, como 15%. Os ganhos de renda foram maiores entre a elite global – executivos financeiros e corporativos nos países ricos – e entre as grandes “classes médias emergentes” da China, Índia, Indonésia e Brasil. Quem perdeu? Os africanos, alguns latino-americanos e gente na Europa Oriental pós-comunista e na antiga União Soviética, apurou Milanovic.
Os Estados Unidos oferecem um exemplo particularmente sombrio para o mundo. E como, de diversas maneiras, eles “lideram o mundo”, se outros seguirem seu padrão não poderemos esperar por um futuro mais justo.
Por um lado, a ampliação das desigualdades de renda e riqueza nos EUA é parte de uma tendência mundial. Um estudo de 2011, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), verificou que as desigualdades começaram a crescer no final dos anos 1970 e início dos 80, nos EUA e Grã-Bretanha (além de Israel). A tendência começou a se espalhar pelo mundo no final dos anos 1980. Na última década, as desigualdades de renda cresceram mesmo em países tradicionalmente mais igualitários, como Alemanha, Suécia e Dinamarca. Com algumas poucas exceções – França, Japão, Espanha – os 10% mais ricos, na maior parte das economias avançadas, dispararam, enquanto os 10% mais pobres ficaram para trás.
Mas a tendência não foi universal, nem inevitável. Nestes mesmos anos, países como Chile, México, Grécia, Turquia e Hungria conseguiram reduzir de modo significativo as desigualdades de renda (em aluns casos, muito altas). Isso sugere que a desigualdade é um produto da política, e não apenas de forças macroeconômicas. Não tem amparo nos fatos a ideia de que a desigualdade é um subproduto inevitável da globalização, do livre movimento de trabalho, capital, bens e serviços, ou das mudanças tecnológicas que favorecem os assalariados melhor formados ou capacitados.
Entre as economias avançadas, os EUA têm algumas das piores disparidades de renda e oportunidades, com consequências macroeconômicas devastadoras. O Produto Interno Bruto (PIB) do país mais que quadruplicou, nos últimos quarenta anos, e quase dobrou nos últimos 25, mas, como se sabe agora, os benefícios concentraram-se no topo – e, cada vez mais, no topo do topo.
No ano passado, o 1% dos norte-americanos mais ricos apoderou-se de 22% da renda da país. O 0,1% mais rico, sozinho, abocanhou 11%. E 95% de todos os ganhos de renda desde 2009 foram para o 1% mais rico. Estatísticas recentes demonstram que a renda mediana nos EUA não cresceu em quase um quarto do século. O homem norte-americano típico ganha menos do que ganhava há 45 anos, se considerada a inflação; homens que terminaram o ensino médio mas não completaram quatro anos de ensino superior recebem quase 40% menos do que há quatro décadas.
A desigualdade norte-americana começou a crescer há trinta anos, impulsionada por reduções de impostos para os ricos e relaxamento das regulamentações do mercado financeiro. Não é coincidência. O fenômeno foi agravado devido a investimentos insuficientes em infraestrutura, educação e saúde, e em redes de seguridade social. O aumento da desigualdade avança em espiral, ao corroer o sistema político e a governança democrática.
E a Europa parece ansiosa para seguir o mau exemplo dos EUA. A adesão a políticas de “austeridade”, da Grã-Bretanha à Alemanha, está conduzindo a desemprego alto, salários em queda e desigualdade crescente. Governantes como Angela Merkel, a chanceler alemã reeleita, e Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, argumentam que os problemas europeus resultam de dispêndios exagerados com o estado de bem-estar social. Mas esta linha de raciocínio apenas mergulhou o continente em recessão (ou mesmo depressão). O fato de o processo ter atingido o fundo do poço (a recessão “oficial” pode ter terminado) oferece pouco conforto para os 27 milhões de desempregados na União Europeia. Em ambos os lados do Atlântico Norte, os fanáticos da “austeridade” dizem: “vamos em frente; são pílulas amargas de que precisamos para alcançar a prosperidade”. Mas prosperidade para quem?
A financeirização excessiva – que ajuda a explicar a condição britânica de segundo país mais desigual (depois dos EUA), entre as economias avançadas – também permite compreender os mecanismos da desigualdade. Em muitos países, controles débeis sobre as empresas e coesão social erodida produziram abismos crescentes entre os rendimentos dos executivos-chefes e dos trabalhadores comuns. Ainda não se chegou ao nível de 500 x 1, das maiores corporações norte-americanas (segundo estatísticas da Organização Internacional do Trabalho), mas a níveis bem mais alto que os de antes da recessão. O Japão, que reduziu os salários dos executivos, é uma exceção notável. As inovações norte-americanas em rent-seeking – enriquecer não por meio de um aumento do tamanho do bolo, mas manipulando o sistema para abocanhar uma fatia maior – tornaram-se globais.
A globalização assimétrica produziu efeitos em todo o mundo. A mobilidade do capital obrigou os trabalhadores a fazer concessões salariais, e os governos a oferecer benefícios fiscais. O resultado é uma corrida para baixo. Os salários e condições de trabalho estão sob ameaça. Empresas pioneiras, como a Apple, cuja atividade baseia-se em grandes avanços científicos e tecnológicos (muitos dos quais, financiados pelos governos) também mostraram grande destreza em evitar impostos. Apropriam-se do esforço coletivo, mas não dão nada em retorno.
A desigualdade e pobreza entre as crianças é um desastre moral mais chocante. Elas desmentem as hipóteses da direita, segundo as quais a pobreza resulta de preguiça e escolhas erradas: as crianças não podem escolher seus pais. Nos EUA, uma em cada quatro crianças vive na pobreza; na Espanha e Grécia, uma em cada seis; na Austrália, Grã-Bretanha e Canadá, mais de uma em cada dez. Nada disso é inevitável. Alguns países optaram por criar economias menos desiguais: a Coreia do Sul, onde há meio século apenas uma em cada dez pessoas chegava à universidade, tem hoje um dos índices mais altos de acesso ao ensino superior.
Por todas estas razões, penso que estamos caminhando para um mundo dividido não apenas entre os que têm e os que não têm. Alguns países terão sucesso ao criar prosperidade compartilhada – a única que, a meu ver, é verdadeiramente sustentável. Outros, deixaram a desigualdade correr solta. Nestas sociedades divididas, os ricos irão se encastelar em bairros murados, quase completamente separados dos pobres, cujas vidas serão quase insondáveis para eles – e vice-versa. Visitei sociedades que parecem ter escolhido este padrão. Não são lugares em que a maior parte de nós gostaria de viver – seja nos enclaves enclausurados, seja nas favelas em desespero.

Joseph Stiglitz

Joseph Stiglitz é professor na Universidade de Colúmbia, Prêmio Nobel de Economia (2001) e autor, entre outros, de O Mundo em Queda Livre (Companhia das Letras).



(Os sublinhados são da minha responsabilidade)


- A partir de:  esquerda..net  e  outras palavras




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 N.B.: Como diria “o outro” - “É o sistema, estúpido!” ...







sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Doutrina do Choque - de Naomi Klein





A Doutrina do Choque from Muito Aterrorizado on Vimeo.





“A doutrina do choque” é o título do livro de Naomi Klein (escritora e jornalista) que serviu de base a esta interessante, pertinente e actual produção (com o mesmo nome). Produção onde Naomi Klein apresenta a sua escrita.

Seguem-se algumas notas, transcrições e uma tentativa de resumo (de forma livre e pessoal), deste seu trabalho.


1 - Milton Friedman (anos 50) e a doutrina económica liberal – neo-liberal;

- Do mercado livre,
- Do “laissez faire, laisser passer”,
- Da desregulação,
- Da “auto-regulação” dos mercados,
- Do estado mínimo.

- O Chile de Pinochet (onde Friedman pediu a Pinochet “tratamento de choque” como “terapia de cura” económica …), a Venezuela, a Argentina (entre outras ditaduras da América Latina) e o Brasil - como laboratórios da Doutrina do Choque e do neo-liberalismo de Friedman, da Escola de Chicago e dos seus “Chicago boys”.

- Seguindo-se, a implantação generalizada da doutrina capitalista neo-liberal, com Reagan e Thatcher (amiga pessoal de Pinochet), ao leme.

- Thatcher e o neo-liberalismo;

. as ondas privatizadoras,
. os cortes nos gastos públicos,
. a desregulação do sistema financeiro,
. o “Big Bang” inglês.
O desemprego duplicou em alguns sectores da economia.

- O neo-liberalismo e o acentuar das desigualdades;

- No Reino Unido, antes de Thatcher, 1 director executivo (CEO) de uma empresa, ganhava 10 vezes o vencimento do trabalhador médio.
Em 2007, o mesmo director ganhava 100 vezes o vencimento do trabalhador médio.

- Nos EUA, antes de Reagan, 1 director executivo (CEO), ganhava 43 vezes o vencimento do trabalhador médio.
Em 2005, a relação passou a ser de 400 para 1.


2 - O surgimento do capitalismo selvagem na ex-URSS.

- O país da venda ao desbarato das empresas estatais (pós União Soviética),
- A implementação do neo-liberalismo pelos “Chicago boys”,
- Em 92, a média dos russos consumia menos 40% do que no ano anterior,
- A “terapia de choque”, receitada pelos EUA e pelo FMI (como receita económica) – provocou um gigantesco desastre económio e social,
- Entre 90 e 95, registou-se uma queda de cerca de 50% do
PIB - e da produção industrial,
- A taxa de mortalidade infantil disparou,
- A “teoria do choque”, preconizada, atirou cerca de 140 milhões de pessoas para a pobreza.
De cerca de 1,5% de pobres em 1990 (fim da União Soviética), passaram a existir 40 a 50%, em meados de 93,
- A corrupção generalizou-se e tornou-se norma,
- O crime organizado disparou, tendo-se Moscovo convertido no novo oeste selvagem americano,
- Os novos empresários adquiriram influência política – criando uma casta de oligarcas,
- Cerca de 70 000 empresas estatais fecharam,

(Alguns paralelismos se podem fazer com a situação na China (onde um capitalismo selvagem vigora), onde 1 poder político autoritário e ditatorial, colabora com o novo poder económico - defendendo um regime favorável às novas elites sociais e económicas)

3 - O choque e a guerra.

- O domínio e a esploração de bens e recursos dos países por corporações privadas,
- O Iraque como exemplo paradigmático,
. a tortura (Abu Ghraib, Guantánamo, …),
. o poder da indústria privada de armamento (e os seus fabulosos lucros com a guerra),
. o caos humanitário e a guerra,
. as centenas de milhar de mortos,
. a guerra civil,
. os cerca de 4 milhões de refugiados.

4 - O choque, o medo e o condicionamento humano.

5 - O capitalismo do desastre.

- O capitalismo, e o neo-liberalismo, enquanto teoria, ideologia e prática de devastação,

- alguns dados sobre a recente crise:
. a 15/09/2008 a “Lehman Brothers”, declara falência – uma semana depois, anuncia a distibuição de 2 500 milhões de $ em bónus,
. estima-se que as firmas de Wall Street em 2008, o ano da queda, pagaram cerca de 18 400 milhões de $ em bónus,

- O regime, em crise, estende as garras,
- Assiste-se ao saque sistemático da esfera pública,
- Uma transferência de riqueza, de dimensão incomensurável, das mãos públicas (dos impostos públicos) – efectuada pelos governos dos países – para as mãos dos indivíduos e das empresas, mais ricos do mundo, está a ter lugar.
Exactamente para as mesmas pessoas e empresas que criaram esta crise (suprema e trágica ironia),
- A ideologia e a prática neo-liberais da desregulação, das privatizações, estendeu-se a quase todo o mundo.
- A eficácia deste capitalismo, desta ideologia, é proporcional ao alheamento e à ignorância que deles se tem.

- Naomi Klein termina, afirmando, que se quer dar resposta a esta crise, no sentido de obter 1 mundo mais justo, mais saudável – a única forma de o conseguir é sair à rua e lutar por ele ...