- Os EUA concretizaram o 5º veto, no Conselho de Segurança da ONU,
desde o assalto da potência ocupante sionista à população palestiniana; assassinada, aprisionada e controlada no gueto (ou campo de concentração) de
Gaza.
Desta
vez, a 18 de Abril (último), vetaram o projecto de resolução
a enviar à Assembleia Geral da ONU recomendando a admissão da
Palestina como membro de pleno direito da ONU (o 194º estado
membro).
O texto
era simples; “The
Security
Council,
having examined the application of the State of Palestine for
admission to the United Nations (S/2011/592),
recommends to the General Assembly that the State of Palestine be
admitted to membership in the United Nations.”
-
O Resultado da votação foi o seguinte:
-
12 votos a favor: Rússia,
China, Equador, Japão, Coreia do Sul, Argélia, Eslovénia, Malta,
França, Moçambique, Guiana, Serra Leoa,
1 - A,
magnífica e monumental, obra vocal (sacra ortodoxa …) de
Rachmaninoff (compositor russo) com um coro de cerca de 75
elementos.
2 - Ao
mesmo tempo que a europa 'civilizada, 'democrática' e dos 'valores'
(acompanhada pelo ocidente em geral, também ele –
inquestionavelmente – dos 'valores') censura ou proíbe praticamente
tudo o que tem origem russa (música, cultura, desporto, …); mantém
escancaradas as portas (no desporto, na 'eurovisão', …) ao país
do apartheid, da limpeza étnica e do genocídio chamado israel.
- É
falência total da coerência (e da honestidade) do civilizado
ocidente e dos países da NATO na defesa do direito internacional, do
direito internacional humanitário e dos direitos humanos ...
(A UE
já decretou 12 ou 13 'pacotes' de sanções à Rússia, com claro
prejuízo para os cidadãos europeus, e não só (aumentos de preços
de energia, inflação, aumento das prestações com a habitação,
etc, etc ….). Entretanto os EUA já vetaram 4 resoluções, no
Conselho de Segurança da ONU, que exigiam um cessar-fogo
humanitário do seu estado-cliente e estado pária israelita (as
resoluções de cessar-fogo foram apresentadas pela Rússia, pelo
Brasil, pelos Emirados Árabes Unidos, tendo sido o último veto a 20
de Fevereiro último à resolução apresentada pela Argélia ...))
O
jornalismo, a liberdade de expressão e de imprensa são direitos –
de cidadania – e não crimes; particularmente quando praticados fora dos EUA e por jornalistas não americanos.
E, a
divulgação da verdade, por mais incómoda que possa ser para os
poderes (políticos e/ou económicos) é (ou deveria ser) um dever de
todos os jornalistas dignos desse título ...
- Relembrando as sanguinárias e odiosas ditaduras militares na América Latina - instigadas, instaladas pela CIA e pelos EUA , e, apoiadas por Bolsonaro e saudadas pela extrema-direita portuguesa (e outra) ...
- Arrastaram-vos, exactamente, para mostrar que os poderes – imperiais – fora da lei podem – e devem continuar IMPUNEMENTE – a sê-lo!
- Arrastam-vos, porque não toleram a denúncia e a revelação das suas práticas de assassínios de inocentes – homens, mulheres, crianças – em massa. Onde querem e quando querem!
- Arrastam-vos, porque não admitem o escrutínio cidadão e a exposição dos seus crimes e violações dos direitos civis dos cidadãos (por todo o globo)!
- Arrastam-vos, porque odeiam a liberdade de expressão!
- Arrastam-vos, porque não suportam a liberdade!
- Arrastam-vos, como aviso, intimidação e ameaça a futuras prática idênticas (às vossas)!
- Ficai sabendo, que o vosso aprisionamento, é o aprisionamento de todos a quem a decência, a integridade e a coragem corre – rubra – nas veias e invade os espíritos!
- Sabei, que o vosso aprisionamento, é o confinamento feroz e cego das consciências livres que pugnam pela justiça e pela verdade (onde quer que se encontrem)!
- O vosso aprisionamento, é o estrondo abjecto das botas cardadas dos gangues de pistoleiros sem lei; pelas ruas e calçadas do planeta!
- O vosso aprisionamento, é a manifestação dos cowboys que cavalgam loucos – ceifando vidas e colhendo territórios, como se não houvesse fronteiras, autonomia e vidas humanas a respeitar!
- Por difícil, dura, insuportável que a privação e a provação que os carrascos vos impõem; sabei que permaneceis, no espírito, no corpo, no pensamento quotidiano de muitos!
- Sabei, que os grilhões com que vos acorrentam, os sentimos na pele e na carne como nossos!
- Sabei, que são eles os criminosos; meticulosos, impiedosos, frios, implacáveis – por interesse, insalubridade mental e perversão (de Bush a Obama, de Blair a Trump, …)!
- Que são eles, os que vos perseguem e o cárcere impõem; que a ele deveriam ser lançados!
- Ficai sabendo, que nós sabemos, tal como vós, isso!
- Lembro-vos, que são poder e força bruta – mas que vos temem; que tremem (intimamente) perante vós e o vosso exemplo!
- Lembro-vos, que acima de tudo, o resto, fazeis-lhes gelar o líquido – não sanguíneo – que lhes corre nas veias!
- Lembro-vos, que os fazeis ficar petrificados com o vosso exemplo!
- Por isso, se abatem – miseravelmente (como ratazanas) – sobre vós!
- Aprisionam-vos, porque não suportam a liberdade!
- (Citando Chomsky) A forma eficaz de combater (de facto) o terrorismo é deixar de o apoiar – [e praticar] …
- Como a importância e relevância dos discursos e posições são inversamente proporcionais à sua difusão (no “civilizado” ocidente) – aqui ficam algumas (alguns) que os obedientes ,e auto-disciplinados, rafeiros enterteiners (que se dão pelo nome de “jornalistas”) estoicamente ignoram e obliteram da opinião pública ...
2- Discurso de Hassan Rouhani (Presidente da República Islâmica do Irã) na 69ª sessão da Assembleia Geral da ONU (a 25 de Julho de 2014)
__________
(Transcrição/tradução da intervenção, não oficial, realizada pelo pessoal da Vila Vudu - a partir de redecastorphoto)
_________
Senhor Presidente,
Excelências,
Senhoras e Senhores,
Graças a Deus, o Senhor dos Dois
Mundos e Pregador, e que a paz esteja com nosso Profeta Maomé, sua
família e seus companheiros.
De início, quero estender minhas
sinceras congratulações por sua muito merecida eleição à
presidência dessa 69ª Sessão da Assembleia Geral. E meus
cumprimentos também a Sua Excia. Sr. Ban Ki-moon, por seus esforços.
É minha esperança sincera que a
Sessão dessa Assembleia Geral desse ano leve o mundo, na sua
situação atual crítica, um passo mais próximo da segurança e da
tranquilidade para os seres humanos – que é, claro, um dos
objetivos fundamentais da ONU.
Sr. Presidente,
Venho de uma região do mundo cujas
muitas partes ardem hoje no fogo do extremismo e dos excessos. A
Leste e a Oeste do meu país, extremistas ameaçam nossos vizinhos,
recorrem à violência e derramam sangue. Não falam todos, é
claro, uma mesma língua; não têm todos a mesma cor de pele, nem a
mesma nacionalidade; e chegaram àquela parte do mundo, o Oriente
Médio, provenientes de todo o mundo. Mas, sim, eles têm uma
mesma ideologia: “violência e extremismo”. E têm todos, também,
um único objetivo: “a destruição da civilização, gerando a
islamofobia e criando campo fértil para mais intervenções de
exércitos estrangeiros em nossa região”.
Lamento profundamente ter de dizer que
o terrorismo é hoje globalizado: “De New York a Mosul, de Damasco
a Bagdá, do mais extremo oriente ao mais extremo ocidente do mundo,
da Al-Qaeda ao Daesh”. Os extremistas do mundo se encontraram uns
os outros e conclamam: “extremistas de todo mundo uni-vos”. Mas e
nós? Estamos unidos contra os extremistas?!
O extremismo não é questão regional
com a qual só as nações de nossa região tenham de lidar: o
extremismo é uma questão global.
Alguns estados ajudaram a criar o
extremismo e hoje já não conseguem enfrentá-lo ou controlá-lo.
E atualmente os nossos povos estão pagando o preço.
O antiocidentalismo de hoje é fruto do
colonialismo de ontem.
O antiocidentalismo de hoje é reação
contra o racismo de ontem.
Algumas agências de inteligência
puseram punhais nas mãos de possessos que hoje já não poupam
ninguém. Todos os que tiveram qualquer função na criação desses
grupos terroristas e no apoio que deram a eles devem reconhecer os
próprios erros que levaram ao extremismo. Têm de pedir desculpas
não só à geração passada, mas também à geração futura.
Para combater as causas subjacentes do
terrorismo, é preciso conhecer suas raízes e fazer secar suas
fontes. O terrorismo germina onde reine a miséria, o desemprego, a
discriminação, a humilhação e a injustiça. E cresce com a
cultura da violência. Para erradicar o extremismo é preciso
distribuir desenvolvimento e justiça e corrigir as distorções
dos ensinamentos divinos postos hoje para justificar brutalidade e
crueldade. A dor é aumentada quando esses terroristas espalham
sangue e morte em nome da religião, ou degolam em nome do Islã.
O que querem é manter ocultada a
incontroversa verdade da história que se baseia nos ensinamentos de
todos os profetas divinos, de Abraão e Moisés e Jesus a Maomé (que
a Paz esteja com Ele), para os quais tirar uma única vida inocente
equivale a assassinar toda a humanidade.
Espanta-me imensamente que esses grupos
de assassinos se declarem grupo islâmico. E mais ainda me
surpreende que a imprensa-empresa ocidental, alinhada com aqueles
assassinos, repita essa mentira, repetição que provoca a ira de
todos os muçulmanos.
O povo muçulmano que todos os dias
relembra Deus como o Mais Generoso e o Mais Compassivo, e que tantas
lições de bondade e empatia aprendeu de seu Profeta, toma essa
difamação diária como parte de um projeto para disseminar a
islamofobia.
Os fracassos e erros estratégicos
do Ocidente no Oriente Médio, Ásia Central e Cáucasos converteram
essas partes do mundo em abrigo seguro para terroristas e
extremistas.
A agressão militar contra o
Afeganistão e contra o Iraque e a interferência imprópria e
indevida nos desenvolvimentos na Síria são exemplos claros da
abordagem estratégica errada no Oriente Médio.
Como abordagem não pacífica, a
agressão e a ocupação atacam a vida e os espaços de moradia e
sobrevivência de pessoas comuns; a agressão e a ocupação resultam
em consequências comportamentais e psicológicas de aversão, que
hoje se manifestam sob a forma de violência e morte no Oriente Médio
e no Norte da África, a ponto, mesmo, de atrair para lá cidadãos
de outras partes do mundo. A violência atualmente se difunde para
todos os cantos do mundo, como doença contagiosa.
Nós sempre acreditamos que a
democracia não pode ser transplantada de terras distantes;
democracia é resultado de desenvolvimento e crescimento; não é
resultado de guerra e agressão. Democracia não é item de
exportação que possa ser comercialmente exportado do
ocidente para o oriente. Numa sociedade subdesenvolvida, democracia
importada só gera governos fracos e vulneráveis.
Quando generais põem os coturnos numa
região, que não esperem ser recebidos com afeto pelos diplomatas:
quando a guerra começa, a diplomacia tende a parar. Quando a
atmosfera no Oriente Médio for de confiança e segurança, a
resposta será, também de confiança e segurança. Mas se se impõem
sanções, começa simultaneamente a implantar-se uma ira profunda
contra os sancionadores.
Os interesses dos países ocidentais em
nossa região estão associados ao reconhecimento de nossas crenças,
por aqueles países; e ao reconhecimento por eles, também, de que
nosso povo deseja governo democrático na região.
A experiência de criação da
Al-Qaeda, dos Talibã, dos modernos grupos extremistas demonstrou que
é possível servir-se de grupos extremistas como instrumento contra
estado não amistoso e, ao mesmo tempo, fingir que não se veem as
consequências de um extremismo sempre crescente. Causa grande
perplexidade que se repitam os mesmos erros, apesar das muitas
dolorosas experiências.
Relembremos que o Irã convidou todos
para um “diálogo” antes dos atos criminosos de 11 de setembro; e
que também clamamos por “um mundo contra a violência e o
extremismo” antes que eclodissem as atuais atrocidades. Talvez, no
passado, pouca gente fosse capaz de prever o incêndio que arde hoje.
Mas agora o extremismo e a violência absolutamente fora de
controle são ameaça iminente para o mundo.
É autoevidente que sem compreensão
acurada de como se geraram as condições que há hoje, jamais
encontraremos as solução certas. Hoje, mais uma vez, tenho de
alertar contra a disseminação do extremismo e o perigo imposto
pela compreensão inadequada e por qualquer abordagem errada desse
fenômeno.
O Oriente Médio anseia por
desenvolvimento e está farto de guerras. É direito natural dos
povos das terras férteis do Oriente Médio viver em paz e
prosperidade.
No passado, o colonialismo negou
esse direito a eles e, hoje, a sombra da guerra e da violência
ameaça a segurança daqueles mesmos povos.
Em nossa região há políticos
moderados e elites que gozam da confiança do povo. Não são nem
anti-Ocidente nem pró-Ocidente. Embora não esqueçam o papel que
teve o colonialismo no atrasamento de suas nações, não
esquecem que suas próprias nações são capazes de, elas mesmas,
alcançar o desenvolvimento pelo qual anseiam.
Não que absolvam o ocidente pelos seus
muitos erros e malfeitos, mas sabem ver também os próprios
fracassos. Esses homens e mulheres podem assumir posições de
liderança ativa e reunir à volta deles a confiança de suas
respectivas sociedades, e estabelecer as mais potentes coalizões
nacionais e internacionais contra a violência.
As vozes desses homens e mulheres
são as verdadeiras vozes da moderação no mundo islâmico; a fala
familiar de um afegão farto de guerras; de um iraquiano vítima do
extremismo; de um sírio horrorizado com a ação de terroristas; de
um libanês que é atormentado pela violência e pelo sectarismo.
Entendo que há erro estratégico,
se países de longe da região se autoproclamem líderes de uma ou
outra coalizão, exclusivamente para tentar proteger a própria
hegemonia na região.
Obviamente, porque a dor é velha
conhecida dos povos do Oriente, não dos que chegam de longe, a
melhor coalizão possível será a que se forme na própria região,
e que assuma sobre os próprios ombros a responsabilidade por liderar
a luta contra a violência e o terrorismo. E se outras nações do
mundo tiverem real desejo e interesse legítimo em agir contra o
terrorismo, sempre poderão acorrer e apoiar a coalizão local.
Advirto que, se não soubermos aliar
nossas forças contra o extremismo e a violência hoje, e se
fracassarmos no trabalho de alistar os povos da região para que
resistam contra o extremismo, amanhã o mundo já não será seguro
para ninguém.
Sr. Presidente,
Ano passado, tentei cumprir o papel do
meu país na realização da paz nos dois níveis, regional e
internacional, e ofereci uma proposta sobre “um mundo contra a
Violência e o Extremismo” – que mereceu apoio geral.
Na tumultuada, caótica região que é
o Oriente Médio, o Irã é uma das nações mais tranquilas, seguras
e estáveis. Mas todas as nações da região têm de manter em mente
que estamos no mesmo barco. Assim, precisamos de ampla cooperação
para tudo que tenha a ver com nossa vida social e política, e com
questões de segurança e defesa, com vistas a alcançar compreensão
durável e comum a nós todos.
Se já houvesse maior cooperação e
melhor coordenação no Oriente Médio, milhares de palestinos
inocentes não teriam tombado em Gaza, vítimas da agressão pelo
regime sionista. Entendemos que a interação e a construção de
confiança entre os estados da região é fundamentalmente essencial
para a resolução de conflitos. Apoiamos qualquer medida que promova
cooperação entre nações islâmicas para combater o extremismo, as
ameaças e a agressão e, nesse campo, estamos preparados para
cumprir nosso papel construtivo e positivo permanente.
Sr. Presidente,
As opressivas sanções impostas ao
Irã prosseguem, na sequência de erro estratégico contra
nação independente e moderada, considerado o delicado quadro
geral em nossa região. Durante o ano passado, nos engajamos no
diálogo mais transparente, para construir confiança em torno do
programa nuclear iraniano para finalidades pacíficas. Abrimos agenda
para negociações sérias e honestas, não como resultado de sanções
ou efeito de ameaças, mas porque era desejo do povo do Irã que seu
governo negociasse.
Somos de opinião que a questão
nuclear só pode ser resolvida mediante negociação, e quem
considere qualquer outra via comete erro grave. Qualquer demora que
adie um acordo final só faz aumentar os custos; não só para
prejuízo do Irã, mas também para prejuízo da economia de outras
partes envolvidas e das possibilidades de desenvolvimento e segurança
em nossa região. Ninguém deve duvidar de que concessões e acordos,
nessa questão, sempre serão feitos com vistas ao melhor interesse
de todos, sobretudo das nações da região.
As negociações nucleares entre o Irã
e o Grupo 5+1 prosseguiram, ano passado, com seriedade e otimismo de
ambas as partes. Segundo todos os observadores internacionais, a
República Islâmica do Irã cumpriu, de boa fé, todos os
compromissos que assumiu. Apesar disso, algumas das observações e
ações de nossos contrapartes criaram algumas dúvidas sobre a
determinação deles e o realismo da posição deles. Mesmo assim
esperamos ainda que as negociações em andamento levem a um acordo
final, no curto período de tempo que resta para negociar.
Estamos comprometidos a perseverar
em nosso programa nuclear para finalidades pacíficas, inclusive com
enriquecimento de urânio, e a usufruir plenamente todos os direitos
nucleares que são nossos em território iraniano, nos termos
prescritos pela lei internacional.
Estamos decididos a continuar as
negociações com nossos interlocutores em honestidade e boa fé,
baseados no respeito e na confiança mútuos, na remoção de todas
as preocupações de ambos os lados, em pés de igualdade e
reconhecidos todas as normas e princípios internacionais. Creio
que os dois lados devem manter-se aderidos à estrita implementação
dos compromissos. Evitar demandas excessivas nas negociações, por
nossos contrapartes, é pré-requisito para o sucesso das
negociações. Um acordo final sobre o programa nuclear para
finalidades pacíficas do Irã pode servir como primeiro movimento de
uma colaboração multilateral para promover segurança, paz e
desenvolvimento em nossa região e além dela.
O povo do Irã, que tem sido
submetido a pressões, especialmente nos últimos três anos,
como efeito de continuadas sanções, não pode confiar em
nenhuma cooperação de segurança entre seu próprio governo e os
que impuseram aquelas sanções e criaram tantos obstáculos contra a
satisfação das mais básicas necessidades do povo do Irã, como
comida e remédios. As sanções criarão impedimentos ainda
adicionais, no caminho de qualquer cooperação futura de longo
prazo.
O povo do Irã é devotado a alguns
princípios e valores no topo dos quais estão a independência, o
desenvolvimento e o orgulho nacional. Nosso povo avalia o
comportamento de seu governo pelos mesmos critérios. Se esse óbvio
fato nacional não é compreendidos pelos nossos parceiros
negociadores e eles cometem erros ofensas graves no processo, uma
oportunidade histórica e excepcional será desperdiçada.
Como os senhores sabem, durante as
negociações nucleares que estão em negociação nesse ano, o
governo iraniano tomou algumas iniciativas que criaram novas
condições favoráveis, que resultara, naquela fase, no Plano
Conjunto de Ação de Genebra. Estamos determinados a continuar na
nossa abordagem de construir confiança e oferecer máxima
transparência nesse processo. Se nossos interlocutores estão
igualmente motivados e são igualmente flexíveis, podemos superar o
problema e alcançar acordo duradouro, mesmo no curto tempo que nos
resta. Nesse caso, emergirá um ambiente inteiramente novo, para
cooperação nos planos regional e internacional, permitindo maior
foco em algumas questões regionais muito importantes como combater a
violência e o extremismo na região.
Chegar a um acordo nuclear final e
compreensivo com o Irã será oportunidade histórica para que o
ocidente mostre que não se opõe ao avanço e ao desenvolvimento
de outros países e não discrimina no que tenha a ver com
respeitar leis e regulações internacionais. Esse acordo pode
levar mensagem de paz e segurança, indicando que o modo pelo qual
alcançar a resolução dos conflitos é a negociação e o respeito,
nunca o conflito e a sanção.
Sr. Presidente, Senhoras e senhores,
Ano passado a grande nação do Irã
participou de amplas, calmas, importantes eleições presidenciais, e
endossou o discurso de “Antevisão, Esperança e Moderação
Prudente”. Depois das eleições, o povo do Irã apoia o seu
governo eleito nos esforços para construir o país. Enquanto alguns
dos países em torno do Irã caíram presa da guerra e dos tumultos,
o Irã permanece em segurança, estável e calmo.
A política baseada em princípios de
meu governo existe para trabalhar na direção de interações
construtivas com nossos vizinhos, baseada em mútuo respeito e com
ênfase em interesses comuns. A noção de que o Irã buscaria
controlar outros países na região é mito reposto em circulação
em anos recentes, no contexto de um projeto iranofóbico. Os que
dizem que o Irã buscaria controlar outros países carecem de
inimigos imaginados, para manter vivas as tensões e semear
divisões e conflitos e, assim, vão trabalhando para que os
recursos nacionais não sejam aplicados no desenvolvimento do nosso
país. Nós trabalhamos para pôr fim a essa iranofobia
delirante, preparando as condições para construir parcerias
estratégicas com nossos vizinhos.
Concluindo, ano passado alertei
contra a expansão da violência e do extremismo. Esse ano volto a
alertar: se a abordagem correta não for adotada para enfrentar
as questões que se veem à nossa volta, nos aproximamos ainda
mais de ter região turbulenta e tumultuada, o que terá repercussões
em todo o mundo. A solução correta para as dificuldades que há
nasce dentro da região e provê regionalmente as soluções
necessárias; com o apoio internacional, sim, mas não vinda de
fora da região.
Deus Todo Poderoso prometeu aos que
creem e cumprem bem os próprios deveres, que Ele lhes garantiria a
sucessão na autoridade sobre a terra, e que todos os medos dos
homens e mulheres seriam convertidos em paz e segurança.
Minha mais sincera esperança é que
nossa geração cumpra o seu dever e deixe um planeta mais seguro e
desenvolvido, como legado dela à próxima geração. Desejo sucesso
a todos.
Lockheed Martin
(NYSE:LMT) reached a deal with the Pentagon Thursday for an eighth
batch of F-35 fighters, sources told Reuters.
The pact, worth about
$4 billion, is for 43 more jets. The new contract will
lower the cost of the stealth warplane by about 3% and includes
jets to be built for the U.S. military, Britain and other U.S.
allies.
Last week, United Technologies'
(NYSE:UTX) Pratt & Whitney division — which makes the engines
for the F-35 — signed a deal with the Pentagon to provide a seventh
batch of F135 engines.
In September, Pratt & Whitney said
that the seventh and eighth engine batches are expected to be 7%-8%
cheaper than the prior batch.
Also last month, Lockheed said that it
expects per-unit costs for the F-35 to fall to $80 million-$85
million by 2019, down from the current unit cost of
$115 million.
Lockheed shares ticked up 0.6% after
hours.
The Aerospace/Defense group is ranked
No. 79 out of the 197 industry groups that IBD tracks.
Tariq Ali: "A separação da Escócia desmantela o estado britânico"
Nesta entrevista conduzida por James Foley, o escritor, realizador e editor da New Left Review explica o seu apoio à independência da Escócia e fala das consequências do voto Sim neste referendo.
10 de Setembro, 2014 - 16:35h
Tariq Ali. Foto Secretaría de Cultura Ciudad de México/Flickr
Os porta-vozes do Labour escocês dizem falar em nome do internacionalismo e, frequentemente, acusam os apoiantes da independência de provincianismo e de nacionalismo tacanho. Enquanto internacionalista em Londres, por que razão és apoiante também da independência? Porque não aceito a reivindicação do New Labour ou dos seus sósias na coligação de que são internacionalistas. O internacionalismo deles resume-se à subordinação de todo o estado britânico aos interesses dos Estados Unidos. Transformaram a Grã-Bretanha num estado-vassalo; no Iraque, no Afeganistão, em muitos outros assuntos. Isto nem sequer é um segredo bem guardado.
"Uma Escócia independente, o pequeno estado, tem muito mais hipóteses de praticar um internacionalismo real e genuino. Isto significa estabelecer relações diretas com muitos povos e países do mundo.
Por isso desafio com uma enorme convicção a provarem que algum dos governos formados no estado da Grã-Bretanha tenha alguma vez sido internacionalista. Há muito tempo que não são. A ideia de que foram internacionalistas tem de ser destruída. O meu segundo argumento é este: uma Escócia independente, o pequeno estado, tem muito mais hipóteses de praticar um internacionalismo real e genuino. Isto significa estabelecer relações diretas com muitos povos e países do mundo. Os noruegueses, por exemplo, tanto nos media como na sua cultura em geral, estão em sintonia com países por todo o mundo. Estive na Noruega na semana passada para uma conferência sobre o Médio Oriente, dirigida por uma diplomata norueguesa. Ela contou que tinha acabado de voltar de dois anos na cidade palestiniana de Ramallah e sabia tudo sobre esse sítio. O que isto quer dizer é que lá porque se vão tornar num país pequeno, não significa que vão passar a ser provincianos. Bem pelo contrário, é possível ter o efeito contrário. Muitos do representantes do Labour também fazem troça do SNP [Partido Nacionalista Escocês], acusando-nos de serem populistas neoliberais, contra a classe trabalhadora, e assim por diante. O que pensas do nacionalismo escocês? O SNP transformou-se. Quando foi criado, era um partido conservador com “c” minúsculo, um pouco arcaico. Mas isso foi mudado pelo 79 Group [tendência criada em 1979]. Ainda que muitos dos seus militantes tenham sido expulsos a certa altura, incluindo Alex Salmond, estão agora no governo. Além disso, o SNP tem andado a recrutar imensa gente, incluindo apoiantes do Labour e antigos elementos de grupos de extrema-esquerda. Pessoalmente não concordo com o programa social e económico do SNP, acho que é demasiado fraco. Tenho críticas em relação a muitas outras coisas. Julgo, no entanto, que apoiaria sem dúvida um voto no “Sim”, exclusivamente porque o povo escocês tem o direito democrático a decidir o seu próprio futuro. Esta é a primeira vez que são convidados a votar nesse mesmo direito. A União que resultou de oportunismo, corrupção e subornos em 1707 não resultou de um voto democrático, como bem sabemos. E é por isso que tiveram de travar a batalha de Culloden. Foi um episódio decisivo na história da Escócia porque a derrota em Culloden impôs a União com os contornos que lhe conhecemos, uma coisa completamente dominada pela Grã-Bretanha. O SNP está agora a tentar quebrar essa tradição e a tentar pedir aos escoceses que declarem a independência que já foi deles. Penso que seria melhor para a Escócia e que seria melhor para a Inglaterra. O New Labour tornou-se completamente corrupto, acho eu, em todas as frentes sociais, políticas e económicas. O New Labour são os novos Conservadores de Kilt [Tartan Tories, alcunha pejorativa do SNP]. Isto não quer dizer que tenhamos de concordar com o SNP e que não devamos discutir com eles. Tenho a certeza que mesmo gente do partido o faz. A aliança Radical Independence é um fator determinante neste debate. Foi convidado a falar num encontro do SNP em Kirkcaldy em Junho e tenciono fazê-lo. Sou fortemente a favor da independência da Escócia, e sempre fui, apesar das discordâncias com o SNP. A noção de que não se pode discordar do SNP e apoiar a independência ao mesmo tempo é absurda. Podias falar-nos um pouco das possíveis implicações globais de uma divisão da Grã-Bretanha? Julgo, particularmente, que seria muito positivo para a Inglaterra, que tem sempre sido um fator dominante na União. Abriria um novo espaço político. É possível que não seja vantajoso para os progressistas ao princípio, mas pelo menos obrigaria a discussão política renovar-se e construir-se a partir de um novo ponto de vista. Isso é a primeira coisa: será bom para a democracia inglesa, que está num estado lastimável. A segunda coisa é que ajudará até os mais fanáticos dos unionistas a perceber que o jogo acabou e que têm, de uma maneira ou de outra, de ir abandonando pretensões imperialistas. Estas pretensões têm persistido, ainda que sejam uma piada neste sistema e que só têm destaque graças aos Estados Unidos. Mas quem sabe? Talvez abram espaço para uma independência britânica. Uma independência Britânica verdadeira, coisa que não existe desde pelo menos 1956. Veremos o que acontece, mas duvido que os efeitos sejam negativos. Penso que uma Escócia independente, tendo uma intervenção independente na política mundial e na Europa, teria um impacto na Grã-Bretanha. Também vale a pena dizer que isto só pode ser feito com o consentimento da população escocesa. Ninguém pode forçá-los. Não pode haver espaço para dizer que foi uma decisão imposta. A campanha de medo e intimidação que Londres tem lançado é patética e espero que a população escocesa lute contra ela. Lembro-me de quando Tony Blair fez a sua última digressão pela Escócia e disse que, se votassem pela independência, cada família perderia cinco mil libras por ano. Quem sonhou com este número? Um burocrata qualquer em Whitehall que queria pensar em qualquer coisa que assustasse os escoceses. Mas aqui há uns dias li que Danny Alexander tem andado a repetir este número absurdo. Fazem isto porque querem assustar as pessoas dizendo que o nível de vida delas vai baixar. Mas não há razão nenhuma para que baixe se a economia for bem gerida. Pensas que as elites britânicas estão preocupadas com a hipótese de independência? Alguns setores provavelmente estão, porque encaram-na como um atentado às pretensões britânicas. Mas acho que também é bem possível que haja um setor das elites que diga “pronto, vai poupar-nos dinheiro, podemos parar de pagar subsídios, etc, e a Escócia nunca deu lucro”. Este setor das elites é aquele que acredita que o único futuro passa por vender toda a economia britânica e as cidades do sul aos ricos, aos oligarcas de várias nacionalidades, sejam ucranianos, russos, árabes, etc, que controlam hoje em dia grandes fatias dos mercados financeiros de Londres. O setor das elites que acha que este é o futuro estar-se-à nas tintas, independentemente do que digam em público. Achas que os Unionistas estão a fazer bluff em relação à união da moeda?
"Neste momento, a moeda escocesa já tem um aspeto completamente diferente da do resto da Grã-Bretanha. A Escócia emite as suas notas. E emitirá a sua própria moeda se for impedida de ter influência. Há outras formas.
Acho que estão a fazer bluff. Mas também acho que Alex Salmond devia denunciá-los dizendo “se se vão portar de uma maneira tão má e tacanha, então a Escócia não terá alternativa senão cunhar a sua própria moeda”. Neste momento, a moeda escocesa já tem um aspeto completamente diferente da do resto da Grã-Bretanha. A Escócia emite as suas notas. E emitirá a sua própria moeda se for impedida de ter influência. Há outras formas. Acho que Salmond devia ser intransigente neste assunto e denunciar o jogo sujo. Não devia ter medo. Posso pedir-te que fales um pouco sobre o elemento histórico disto. Por que achas que a contra-revolução neoliberal teve tanto sucesso na Grã-Bretanha? Bom, para já não acho que tenha tido sucesso. Ou, se teve sucesso, foi principalmente porque os sindicatos e o Labour não resistiram nem lutaram contra ela. Se olhares para a América do Sul, até os países mais pequenos no continente que desafiaram o neoliberalismo e que se distanciaram dele em graus diferentes, fizeram-no com a ajuda de enormes movimentos sociais que foram surgindo. Infelizmente, o movimento sindical britânico saiu tão derrotado da Greve dos Mineiros que desistiu de tudo. Não protestaram mais, não lutaram, e a partir do momento em que o Labour se destruiu a si próprio e se transformou no New Labour, deu lugar a Tony Blair, um líder convictamente Thatcherizante. E governou fiel a esses princípios Thatcherizantes. Portanto, no que diz respeito a uma alternativa para a população, o New Labour colaborou com os Conservadores a espalhar a ideia de que não havia alternativa. Não é que as pessoas os apoiem, principalmente depois da queda da bolsa de Wall Street em 2008. É que não lhes foram apresentadas quaisquer alternativas. Se a Escócia se tornar independente e for governada por gente com coragem, poderá separar-se do neoliberalismo. Na Grã-Bretanha não havia nenhum movimento de fundo para o fazer. As pessoas sentiram-se derrotadas e desmoralizadas. A única força em que confiaram durante muito tempo traiu-as. E a maneira como as pessoas lutam contra isso é pela direita. O apoio crescente ao UKIP, em especial, é uma forma de oposição aos jogos da elite. É tonto, porque Farage e companhia não oferecem rigorosamente nada. Mas é esta a escala do desepero. E não há nada à esquerda para desafiar isso. Noutras partes da Europa, ainda há contestação pela esquerda, mas não na Grã-Bretanha. Não digo que as pessoas aceitem isto, digo apenas que nenhum grupo lhes deu uma alternativa até agora. Vais falar esta semana sobre o “desmantelamento” do estado britânico. Já nos perguntaram o que queres dizer com isso. Quero dizer que o estado britânico, criado pela União no século XVIII, nunca foi contestado. O único documento escrito da constituição britânica é o chamado Tratado da União de 1707. Agora, o que a população da Escócia vai estar a votar se, como espero, votarem “Sim”, é para que o estado britânico tal como está seja desmantelado, ponto final. O voto pela independência da Escócia é o fim do estado britânico que conhecemos. Como se desenvolverá depois disso é o que veremos. Mas não há dúvida de que a separação da Escócia desmantela o estado britânico. Muitos socialistas discordariam de que haja alguma coisa particularmente tóxica no estado britânico e diriam que todos os estados capitalistas são maus. Claro que sabemos que rivais como a França, a Alemanha e a Itália também têm os seus problemas. Achas que há algum traço distintivo do estado britânico? E quer isto dizer que tem de ser contestado de uma maneira específica? De uma maneira geral, pode dizer-se que a economia capitalista destes estados é mais ou menos a mesma, mas todos eles têm peculiaridades. No caso da Grã-Bretanha, tal com o meu velho amigo Tom Nairn disse um dia, estas peculiaridades estão ao nível da sátira. A preservação da monarquia, mantida principalmente através de um internacionalismo monárquico da casa de Hannover, que arranjou reis para a Grã-Bretanha quando esta esgotou os seus descendentes naturais. A criação e a manutenção desta monarquia é uma farça. A Câmara dos Lordes é absolutamente antidemocrática. Tudo isto dá à Grã-Bretanha um caráter arcaico. O facto de aquela telenovela absurda, Downton Abbey, ser extremamente popular é um indicador do que isto quer dizer. Todas estas coisas alimentaram na Grã-Bretanha uma deferência pelo monarca, um hábito de fazer vénias, e esse género de coisas, que se transferiu para a Escócia também, já que a mesma família real tem uma casa em Balmoral e assim por diante. A modernização da Grâ-Bretanha tem sido impedida por isto. Por isso sim, o estado britânico tem as suas características particulares e acho que são coisas a que temos de por fim. Mas já que tem sido impossível pôr-lhes fim de qualquer outra maneira, a independência da Escócia seria um bom começo. E a propósito, a Noruega decidiu separar-se da Suécia em 1905, por razões parecidas, porque queriam o seu país e estavam fartos de ser controlados por Estocolmo. Passou-se tudo em termos razoavelmente amigáveis. É possivel! Claro que podes dizer-me que, já que o capitalismo prevalece em toda a parte hoje em dia, não há nada a fazer. Mas isso seria uma rendição à passividade absoluta e ao fatalismo. A Grã-Bretanha perdeu o seu império há muitas gerações, mas continua a ser imperialista? É um sub-imperialismo, encolhido no único império que existe hoje em dia, o dos Estados Unidos da América. Mas outros países mantém desejos imperialistas. Alguns tentam reviver o passado, como Putin está a fazer na Ucrânia. Outros tentam e fingem ser império (e chegam a combater acima do seu escalão) porque se ligaram a franjas de outro império existente. Se olhares para os grandes impérios que existiram, o japonês, o alemão, o francês, o britânico, o que resta deles? Foram todos sugados pelos Estados Unidos da América. Não há nada que possam fazer sem autorização de Washington. Os Estados Unidos são mesmo o único império que sobrevive. Mencionaste o estado lastimável da democracia inglesa. Estás preocupado com a subida da direita em Inglaterra? Por que achas que está a ter tanto sucesso neste momento?
"A esquerda tem falhado ao não apresentar críticas fortes à União Europeia e à forma como esta funciona hoje em dia, por medo de serem considerados antieuropeus. Mas não é ser-se antieuropeu pensar que a União Europeia está completamente corrupta, burocrática, antidemocrática, governada pelas elites e que é, efetivamente, uma união de banqueiros.
Principalmente porque não há mais nada. Os dois assuntos sobre os quais o UKIP faz campanha são a União Europeia e a imigração. São assuntos relacionados, porque a imigração que eles atacam, na sua maioria, é imigração vinda da União Europeia. Infelizmente, estas são reivindicações populares em toda a Europa neste momento por causa da crise económica. Por outro lado, acho que a esquerda tem falhado ao não apresentar críticas fortes à União Europeia e à forma como esta funciona hoje em dia, por medo de serem considerados antieuropeus. Mas não é ser-se antieuropeu pensar que a União Europeia está completamente corrupta, burocrática, antidemocrática, governada pelas elites e que é, efetivamente, uma união de banqueiros. Isso é só a constatação de um facto. Mas a esquerda não tem feito campanhas sobre isso, a não ser em França. Temos portanto uma situação em que um partido que nasce das entranhas do antigo partido Conservador e aparece com todos estes temas, é infiltrado por grupos fascistas, e torna-se uma força política cujo objetivo principal é pressionar os Conservadores a sair da Europa. E têm tido imenso sucesso ao empurrar os partidos de Westminster para a direita no que diz respeito à imigração. É por isso que subiram. Mas julgo que há um problema mais profundo, que é discutido pelo já falecido Peter Mair, um grande político e cientista, no seu livro póstumo, “Ruling the Void” [Governando o vazio]. Afirma, corretamente, que o que temos hoje num mundo capitalista avançado é uma situação em que a classe política não representa nem as necessidades nem as opiniões da maior parte da população. Assim se caminha para uma crescente alienação da política enquanto tal. O deficit democrático na Grã-Bretanha é enorme. É gigantesco. É também por isso que a população escocesa devia aproveitar esta oportunidade para se libertar da prisão do Reino Unido e desenvolver as suas próprias políticas, discutindo abertamente os caminhos a tomar. Não deviam aceitar como objetivo na vida uma réplica em miniatura da Grã-Bretanha neoliberal. Muita gente está preocupada com as implicações da separação da Escócia no futuro dos governos de centro-esquerda do Labour no resto do Reino Unido. Num contexto em que há o UKIP e a subida do populismo, a Collins Review [reforma do Labour], e assim por diante, qual é o futuro da social democracia britânica? A minha opinião sobre este assunto foi tornada pública desde o lançamento do New Labour. É agora opinião aceite que não há nenhuma diferença fundamental entre o centro-esquerda e o centro-direita na política britânica, ou na política francesa ou alemã, já que falamos nisto. O que temos, de facto, é um centro extremo. Extremo porque apoia guerras e ocupações. Extremo porque declara guerra à sua própria população, tentando culpar as vítimas pelos crimes das elites. Extremo porque está preparado para desmantelar direitos democráticos fundamentais de maneira a prevenir discordâncias nas discussões secretas do estado. Este centro extremo inclui tanto o centro-esquerda como o centro-direita. Quando cada um deles está na oposição, fazem uns protestos ligeiros, para enfeitar, mas de maneira geral, quando estão no poder fazem exatamente a mesma coisa que os outros. Até hoje, os dirigentes do New Labour ainda não foram capazes de dizer se acabarão com as políticas económicas fundamentais da coligação. Não o podem dizer porque são as políticas deles. São todos iguais. Portanto, toda esta conversa sobre as forças de esquerda serem nocivas e o que restará do Reino Unido é uma enorme fachada. Uma fachada de para quê? Para nada. Não tem qualquer relação com a realidade. Os sindicatos estão enfraquecidos, a última Greve Geral foi em 1926, por isso essa ideia de que estamos a trair a unidade da classe trabalhadora na Escócia e Inglaterra não faz sentido nenhum. De qualquer forma, essa unidade pode ser conseguida mesmo com fronteiras independentes. Os socialistas sempre se bateram pela unidade internacional da classe trabalhadora, até a Primeira Guerra Mundial ter mostrado a força do nacionalismo retrógrado, que também agarrou os trabalhadores. Por isso nenhum destes argumentos é para ser levado a sério. Os unionistas convictos têm uma argumentação séria ao dizer que deus, a igreja e a monarquia são importantes na matriz desta União desde 1707 e que não os devemos separar, e malditos os escoceses que o querem fazer. Este é, pelo menos, um ponto de vista consistente, mas completamente anacrónico. Há que diga que a Escócia e a Inglaterra vão ser arrastadas numa corrida para o fundo do poço depois da independência. Também falam no imposto sobre as corporações e coisas assim. Achas que as coisas vão mesmo melhorar se a Escócia se tornar independente? Acho que a base para as coisas melhorarem terá sido criada. Se melhoram ou não, dependerá de dois fatores. Primeiro, se os dirigentes do SNP se mostrarem preparados ou não para ir mais longe no que diz respeito à criação de uma Escócia social democrata. Espero em deus que estejam. Em segundo lugar, e mais importante, dependerá do desejo da população de participar mais ativamente na política a todos os níveis numa Escócia independente. Não só através das instituições existentes, mas através da criação de instituições para observar e avaliar a nova democracia escocesa. Terão de participar e de se manifestar quando as coisas não estiverem a correr bem. Num país pequeno é muito mais fácil fazer isso. Penso que será esse o efeito, e que a esquerda na Escócia terá de desempenhar o seu papel. O que pensas do modelo nórdico e outras variantes do capitalismo? Pode a Escócia aproveitar essas ideias? Estamos a falar de uma altura em que o sistema capitalista triunfou e em que a ideia de socialismo sofreu uma enorme derrota global. Estamos, portanto, a viver num estranho período de transição, que bem pode durar até ao fim deste século. Não nos devemos esquecer disso. Por isso é preciso lidar com o que existe e observar como o capital, nos seus piores aspetos, pode ser regulado, e como pode um estado ser regulado de maneira a que sirva os interesses dos trabalhadores… Isto era o objetivo do Labour em 1945 e, a propósito, esse era um bom programa. Mudou, de facto, as condições de vida das pessoas e, ainda que hoje em dia não viva na Escócia, ouço dizer que o sistema de educação escocês é melhor, desse ponto de vista, do que o sistema inglês.
"É neste campo que uma Escócia independente seria uma enorme diferença. Se souber gerir a sua economia e o seu petróleo — e aqui a lição a aprender vem da Noruega, que investiu muito inteligentemente o dinheiro do petróleo.
É neste campo que uma Escócia independente seria uma enorme diferença. Se souber gerir a sua economia e o seu petróleo — e aqui a lição a aprender vem da Noruega, que investiu muito inteligentemente o dinheiro do petróleo. O resultado é que têm um estado social e uma social democracia de fazer inveja a toda a gente. Quando lá estive, os meus amigos noruegueses disseram “não te vamos ver em outubro porque vamos de baixa seis meses”. E eu disse “seis meses?! O que aconteceu?” E ele disse, “a minha mulher vai ter um bebé e, de acordo com a lei norueguesa, ambos os parceiros têm direito a seis meses de baixa com vencimento”. Fiquei surpreendido porque sabia que lá era diferente, mas não sabia os pormenores. Por isso as pessoas pensam que, em certos aspetos, sobrevivem melhor com governos social democratas, ou com consensos que aceitem que algumas reformas são fundamentais. Foram os programas de privatizações impostos pelas elites britânicas que afundaram o país. Agora estão a vender o serviço de saúde. O New Labour devia lembrar-se disto. Há um artigo no Financial Times da semana passada, escrito pelo antigo secretário de estado da saúde, Alan Milburn, que defende a privatização da saúde, fingindo ao mesmo tempo que é uma maneira de proteger o Serviço Nacional de Saúde. Isto enfureceu muita gente na Grã-Bretanha e na Escócia. Foi o New Labour que fez isto e temos de acabar definitivamente com estas políticas e inventar uma sociedade melhor. Não será a sociedade socialista com que muitos sonham, mas abrirá espaço para que as coisas possam pelo menos ser discutidas e para que se possam implementar reformas que vão melhorar as condições de vida na Escócia. Não há razão nenhuma para que uma Escócia independente não possa ser reindustrializada, construindo uma indústria de estaleiros com a ajuda de países fora da Europa que estão disponíveis. É disparatado ver o futuro da Escócia em relação a Inglaterra ou mesmo ao resto da Europa. Se se tiver imaginação, pode ir muito para além disso. Parece haver uma enorme preocupação com o isolamento da Escócia depois da independência. Como pode a Escócia prevenir isso? Que espécie de alianças pensas que devem ser procuradas pela Escócia? Mas não está a Escócia isolada neste momento? Eu diria que sim, ao fazer parte da Grã-Bretanha. Esta ideia de que ficaria isolada depois da independência está errada. Que conjunto de alianças deve procurar? A princípio, o objetivo seria estabelecer alianças com o bloco escandinavo, especialmente com a Noruega e a Suécia. Acho que seriam recebidos de braços abertos para acordos económicos, de turismo, políticos, etc. O bloco escandinavo é uma possibilidade. Com a União Europeia, deviam lutar pelo direito das nações pequenas a serem ouvidas. A Escócia devia também criar laços com repúblicas pequenas da UE, ou mesmo com aquelas áreas da UE que ainda não são independentes, como a Catalunha. Isto para nem falar do resto do mundo. Porque deveria a Escócia depender da Grã-Bretanha como mediadora da sua relação com países da Ásia e da África? Acho que os escoceses devem olhar para os outros continentes. Uma das novas instituições que terá de ser criada é um Ministério dos Negócios Estrangeiros, e um comércio internacional. São coisas muito importantes.
Entrevista feita por James Foley, antes de duas sessões públicas de Tariq Ali, escritor, realizador e editor da New Left Review. As sessões podem ser vistas aqui. Publicado inicialmente no site Bella Caledonia, a 10/03/2014. Traduzido por Mariana Vieira.