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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A população da Escócia vai a votos com 1 muro de ameaças e intimidações - erguido pelos neoliberais e pelos “poderosos” políticos do status quo (a este e oeste do Atlântico) - sobre os seus ombros ... (2)






(divulgação)




Tariq Ali: "A separação da Escócia desmantela o estado britânico"

Nesta entrevista conduzida por James Foley, o escritor, realizador e editor da New Left Review explica o seu apoio à independência da Escócia e fala das consequências do voto Sim neste referendo.




Tariq Ali. Foto Secretaría de Cultura Ciudad de México/Flickr



Os porta-vozes do Labour escocês dizem falar em nome do internacionalismo e, frequentemente, acusam os apoiantes da independência de provincianismo e de nacionalismo tacanho. Enquanto internacionalista em Londres, por que razão és apoiante também da independência?

Porque não aceito a reivindicação do New Labour ou dos seus sósias na coligação de que são internacionalistas. O internacionalismo deles resume-se à subordinação de todo o estado britânico aos interesses dos Estados Unidos. Transformaram a Grã-Bretanha num estado-vassalo; no Iraque, no Afeganistão, em muitos outros assuntos. Isto nem sequer é um segredo bem guardado.
"Uma Escócia independente, o pequeno estado, tem muito mais hipóteses de praticar um internacionalismo real e genuino. Isto significa estabelecer relações diretas com muitos povos e países do mundo.
Por isso desafio com uma enorme convicção a provarem que algum dos governos formados no estado da Grã-Bretanha tenha alguma vez sido internacionalista. Há muito tempo que não são. A ideia de que foram internacionalistas tem de ser destruída.

O meu segundo argumento é este: uma Escócia independente, o pequeno estado, tem muito mais hipóteses de praticar um internacionalismo real e genuino. Isto significa estabelecer relações diretas com muitos povos e países do mundo. Os noruegueses, por exemplo, tanto nos media como na sua cultura em geral, estão em sintonia com países por todo o mundo. Estive na Noruega na semana passada para uma conferência sobre o Médio Oriente, dirigida por uma diplomata norueguesa. Ela contou que tinha acabado de voltar de dois anos na cidade palestiniana de Ramallah e sabia tudo sobre esse sítio. O que isto quer dizer é que lá porque se vão tornar num país pequeno, não significa que vão passar a ser provincianos. Bem pelo contrário, é possível ter o efeito contrário.

Muitos do representantes do Labour também fazem troça do SNP [Partido Nacionalista Escocês], acusando-nos de serem populistas neoliberais, contra a classe trabalhadora, e assim por diante. O que pensas do nacionalismo escocês?

O SNP transformou-se. Quando foi criado, era um partido conservador com “c” minúsculo, um pouco arcaico. Mas isso foi mudado pelo 79 Group [tendência criada em 1979]. Ainda que muitos dos seus militantes tenham sido expulsos a certa altura, incluindo Alex Salmond, estão agora no governo. Além disso, o SNP tem andado a recrutar imensa gente, incluindo apoiantes do Labour e antigos elementos de grupos de extrema-esquerda. Pessoalmente não concordo com o programa social e económico do SNP, acho que é demasiado fraco. Tenho críticas em relação a muitas outras coisas.

Julgo, no entanto, que apoiaria sem dúvida um voto no “Sim”, exclusivamente porque o povo escocês tem o direito democrático a decidir o seu próprio futuro. Esta é a primeira vez que são convidados a votar nesse mesmo direito. A União que resultou de oportunismo, corrupção e subornos em 1707 não resultou de um voto democrático, como bem sabemos. E é por isso que tiveram de travar a batalha de Culloden. Foi um episódio decisivo na história da Escócia porque a derrota em Culloden impôs a União com os contornos que lhe conhecemos, uma coisa completamente dominada pela Grã-Bretanha.

O SNP está agora a tentar quebrar essa tradição e a tentar pedir aos escoceses que declarem a independência que já foi deles. Penso que seria melhor para a Escócia e que seria melhor para a Inglaterra. O New Labour tornou-se completamente corrupto, acho eu, em todas as frentes sociais, políticas e económicas. O New Labour são os novos Conservadores de Kilt [Tartan Tories, alcunha pejorativa do SNP].

Isto não quer dizer que tenhamos de concordar com o SNP e que não devamos discutir com eles. Tenho a certeza que mesmo gente do partido o faz. A aliança Radical Independence é um fator determinante neste debate. Foi convidado a falar num encontro do SNP em Kirkcaldy em Junho e tenciono fazê-lo.

Sou fortemente a favor da independência da Escócia, e sempre fui, apesar das discordâncias com o SNP. A noção de que não se pode discordar do SNP e apoiar a independência ao mesmo tempo é absurda.

Podias falar-nos um pouco das possíveis implicações globais de uma divisão da Grã-Bretanha?

Julgo, particularmente, que seria muito positivo para a Inglaterra, que tem sempre sido um fator dominante na União. Abriria um novo espaço político. É possível que não seja vantajoso para os progressistas ao princípio, mas pelo menos obrigaria a discussão política renovar-se e construir-se a partir de um novo ponto de vista. Isso é a primeira coisa: será bom para a democracia inglesa, que está num estado lastimável.

A segunda coisa é que ajudará até os mais fanáticos dos unionistas a perceber que o jogo acabou e que têm, de uma maneira ou de outra, de ir abandonando pretensões imperialistas. Estas pretensões têm persistido, ainda que sejam uma piada neste sistema e que só têm destaque graças aos Estados Unidos. Mas quem sabe? Talvez abram espaço para uma independência britânica. Uma independência Britânica verdadeira, coisa que não existe desde pelo menos 1956.

Veremos o que acontece, mas duvido que os efeitos sejam negativos. Penso que uma Escócia independente, tendo uma intervenção independente na política mundial e na Europa, teria um impacto na Grã-Bretanha.

Também vale a pena dizer que isto só pode ser feito com o consentimento da população escocesa. Ninguém pode forçá-los. Não pode haver espaço para dizer que foi uma decisão imposta. A campanha de medo e intimidação que Londres tem lançado é patética e espero que a população escocesa lute contra ela.

Lembro-me de quando Tony Blair fez a sua última digressão pela Escócia e disse que, se votassem pela independência, cada família perderia cinco mil libras por ano. Quem sonhou com este número? Um burocrata qualquer em Whitehall que queria pensar em qualquer coisa que assustasse os escoceses. Mas aqui há uns dias li que Danny Alexander tem andado a repetir este número absurdo. Fazem isto porque querem assustar as pessoas dizendo que o nível de vida delas vai baixar. Mas não há razão nenhuma para que baixe se a economia for bem gerida.

Pensas que as elites britânicas estão preocupadas com a hipótese de independência?

Alguns setores provavelmente estão, porque encaram-na como um atentado às pretensões britânicas. Mas acho que também é bem possível que haja um setor das elites que diga “pronto, vai poupar-nos dinheiro, podemos parar de pagar subsídios, etc, e a Escócia nunca deu lucro”. Este setor das elites é aquele que acredita que o único futuro passa por vender toda a economia britânica e as cidades do sul aos ricos, aos oligarcas de várias nacionalidades, sejam ucranianos, russos, árabes, etc, que controlam hoje em dia grandes fatias dos mercados financeiros de Londres. O setor das elites que acha que este é o futuro estar-se-à nas tintas, independentemente do que digam em público.

Achas que os Unionistas estão a fazer bluff em relação à união da moeda?
"Neste momento, a moeda escocesa já tem um aspeto completamente diferente da do resto da Grã-Bretanha. A Escócia emite as suas notas. E emitirá a sua própria moeda se for impedida de ter influência. Há outras formas.
Acho que estão a fazer bluff. Mas também acho que Alex Salmond devia denunciá-los dizendo “se se vão portar de uma maneira tão má e tacanha, então a Escócia não terá alternativa senão cunhar a sua própria moeda”. Neste momento, a moeda escocesa já tem um aspeto completamente diferente da do resto da Grã-Bretanha. A Escócia emite as suas notas. E emitirá a sua própria moeda se for impedida de ter influência. Há outras formas. Acho que Salmond devia ser intransigente neste assunto e denunciar o jogo sujo. Não devia ter medo.

Posso pedir-te que fales um pouco sobre o elemento histórico disto. Por que achas que a contra-revolução neoliberal teve tanto sucesso na Grã-Bretanha?

Bom, para já não acho que tenha tido sucesso. Ou, se teve sucesso, foi principalmente porque os sindicatos e o Labour não resistiram nem lutaram contra ela. Se olhares para a América do Sul, até os países mais pequenos no continente que desafiaram o neoliberalismo e que se distanciaram dele em graus diferentes, fizeram-no com a ajuda de enormes movimentos sociais que foram surgindo. Infelizmente, o movimento sindical britânico saiu tão derrotado da Greve dos Mineiros que desistiu de tudo. Não protestaram mais, não lutaram, e a partir do momento em que o Labour se destruiu a si próprio e se transformou no New Labour, deu lugar a Tony Blair, um líder convictamente Thatcherizante. E governou fiel a esses princípios Thatcherizantes.

Portanto, no que diz respeito a uma alternativa para a população, o New Labour colaborou com os Conservadores a espalhar a ideia de que não havia alternativa. Não é que as pessoas os apoiem, principalmente depois da queda da bolsa de Wall Street em 2008. É que não lhes foram apresentadas quaisquer alternativas.

Se a Escócia se tornar independente e for governada por gente com coragem, poderá separar-se do neoliberalismo. Na Grã-Bretanha não havia nenhum movimento de fundo para o fazer. As pessoas sentiram-se derrotadas e desmoralizadas. A única força em que confiaram durante muito tempo traiu-as. E a maneira como as pessoas lutam contra isso é pela direita. O apoio crescente ao UKIP, em especial, é uma forma de oposição aos jogos da elite. É tonto, porque Farage e companhia não oferecem rigorosamente nada. Mas é esta a escala do desepero. E não há nada à esquerda para desafiar isso.

Noutras partes da Europa, ainda há contestação pela esquerda, mas não na Grã-Bretanha. Não digo que as pessoas aceitem isto, digo apenas que nenhum grupo lhes deu uma alternativa até agora.

Vais falar esta semana sobre o “desmantelamento” do estado britânico. Já nos perguntaram o que queres dizer com isso.

Quero dizer que o estado britânico, criado pela União no século XVIII, nunca foi contestado. O único documento escrito da constituição britânica é o chamado Tratado da União de 1707. Agora, o que a população da Escócia vai estar a votar se, como espero, votarem “Sim”, é para que o estado britânico tal como está seja desmantelado, ponto final. O voto pela independência da Escócia é o fim do estado britânico que conhecemos. Como se desenvolverá depois disso é o que veremos. Mas não há dúvida de que a separação da Escócia desmantela o estado britânico.

Muitos socialistas discordariam de que haja alguma coisa particularmente tóxica no estado britânico e diriam que todos os estados capitalistas são maus. Claro que sabemos que rivais como a França, a Alemanha e a Itália também têm os seus problemas. Achas que há algum traço distintivo do estado britânico? E quer isto dizer que tem de ser contestado de uma maneira específica?

De uma maneira geral, pode dizer-se que a economia capitalista destes estados é mais ou menos a mesma, mas todos eles têm peculiaridades. No caso da Grã-Bretanha, tal com o meu velho amigo Tom Nairn disse um dia, estas peculiaridades estão ao nível da sátira. A preservação da monarquia, mantida principalmente através de um internacionalismo monárquico da casa de Hannover, que arranjou reis para a Grã-Bretanha quando esta esgotou os seus descendentes naturais. A criação e a manutenção desta monarquia é uma farça.

A Câmara dos Lordes é absolutamente antidemocrática. Tudo isto dá à Grã-Bretanha um caráter arcaico. O facto de aquela telenovela absurda, Downton Abbey, ser extremamente popular é um indicador do que isto quer dizer. Todas estas coisas alimentaram na Grã-Bretanha uma deferência pelo monarca, um hábito de fazer vénias, e esse género de coisas, que se transferiu para a Escócia também, já que a mesma família real tem uma casa em Balmoral e assim por diante.

A modernização da Grâ-Bretanha tem sido impedida por isto. Por isso sim, o estado britânico tem as suas características particulares e acho que são coisas a que temos de por fim. Mas já que tem sido impossível pôr-lhes fim de qualquer outra maneira, a independência da Escócia seria um bom começo. E a propósito, a Noruega decidiu separar-se da Suécia em 1905, por razões parecidas, porque queriam o seu país e estavam fartos de ser controlados por Estocolmo. Passou-se tudo em termos razoavelmente amigáveis. É possivel!

Claro que podes dizer-me que, já que o capitalismo prevalece em toda a parte hoje em dia, não há nada a fazer. Mas isso seria uma rendição à passividade absoluta e ao fatalismo.

A Grã-Bretanha perdeu o seu império há muitas gerações, mas continua a ser imperialista?

É um sub-imperialismo, encolhido no único império que existe hoje em dia, o dos Estados Unidos da América. Mas outros países mantém desejos imperialistas. Alguns tentam reviver o passado, como Putin está a fazer na Ucrânia. Outros tentam e fingem ser império (e chegam a combater acima do seu escalão) porque se ligaram a franjas de outro império existente. Se olhares para os grandes impérios que existiram, o japonês, o alemão, o francês, o britânico, o que resta deles? Foram todos sugados pelos Estados Unidos da América. Não há nada que possam fazer sem autorização de Washington. Os Estados Unidos são mesmo o único império que sobrevive.

Mencionaste o estado lastimável da democracia inglesa. Estás preocupado com a subida da direita em Inglaterra? Por que achas que está a ter tanto sucesso neste momento?
"A esquerda tem falhado ao não apresentar críticas fortes à União Europeia e à forma como esta funciona hoje em dia, por medo de serem considerados antieuropeus. Mas não é ser-se antieuropeu pensar que a União Europeia está completamente corrupta, burocrática, antidemocrática, governada pelas elites e que é, efetivamente, uma união de banqueiros.
Principalmente porque não há mais nada. Os dois assuntos sobre os quais o UKIP faz campanha são a União Europeia e a imigração. São assuntos relacionados, porque a imigração que eles atacam, na sua maioria, é imigração vinda da União Europeia. Infelizmente, estas são reivindicações populares em toda a Europa neste momento por causa da crise económica.

Por outro lado, acho que a esquerda tem falhado ao não apresentar críticas fortes à União Europeia e à forma como esta funciona hoje em dia, por medo de serem considerados antieuropeus. Mas não é ser-se antieuropeu pensar que a União Europeia está completamente corrupta, burocrática, antidemocrática, governada pelas elites e que é, efetivamente, uma união de banqueiros. Isso é só a constatação de um facto. Mas a esquerda não tem feito campanhas sobre isso, a não ser em França.

Temos portanto uma situação em que um partido que nasce das entranhas do antigo partido Conservador e aparece com todos estes temas, é infiltrado por grupos fascistas, e torna-se uma força política cujo objetivo principal é pressionar os Conservadores a sair da Europa. E têm tido imenso sucesso ao empurrar os partidos de Westminster para a direita no que diz respeito à imigração. É por isso que subiram.

Mas julgo que há um problema mais profundo, que é discutido pelo já falecido Peter Mair, um grande político e cientista, no seu livro póstumo, “Ruling the Void” [Governando o vazio]. Afirma, corretamente, que o que temos hoje num mundo capitalista avançado é uma situação em que a classe política não representa nem as necessidades nem as opiniões da maior parte da população. Assim se caminha para uma crescente alienação da política enquanto tal.

O deficit democrático na Grã-Bretanha é enorme. É gigantesco. É também por isso que a população escocesa devia aproveitar esta oportunidade para se libertar da prisão do Reino Unido e desenvolver as suas próprias políticas, discutindo abertamente os caminhos a tomar. Não deviam aceitar como objetivo na vida uma réplica em miniatura da Grã-Bretanha neoliberal.

Muita gente está preocupada com as implicações da separação da Escócia no futuro dos governos de centro-esquerda do Labour no resto do Reino Unido. Num contexto em que há o UKIP e a subida do populismo, a Collins Review [reforma do Labour], e assim por diante, qual é o futuro da social democracia britânica?

A minha opinião sobre este assunto foi tornada pública desde o lançamento do New Labour. É agora opinião aceite que não há nenhuma diferença fundamental entre o centro-esquerda e o centro-direita na política britânica, ou na política francesa ou alemã, já que falamos nisto. O que temos, de facto, é um centro extremo. Extremo porque apoia guerras e ocupações. Extremo porque declara guerra à sua própria população, tentando culpar as vítimas pelos crimes das elites. Extremo porque está preparado para desmantelar direitos democráticos fundamentais de maneira a prevenir discordâncias nas discussões secretas do estado.

Este centro extremo inclui tanto o centro-esquerda como o centro-direita. Quando cada um deles está na oposição, fazem uns protestos ligeiros, para enfeitar, mas de maneira geral, quando estão no poder fazem exatamente a mesma coisa que os outros. Até hoje, os dirigentes do New Labour ainda não foram capazes de dizer  se acabarão com as políticas económicas fundamentais da coligação. Não o podem dizer porque são as políticas deles. São todos iguais.

Portanto, toda esta conversa sobre as forças de esquerda serem nocivas e o que restará do Reino Unido é uma enorme fachada. Uma fachada de para quê? Para nada. Não tem qualquer relação com a realidade. Os sindicatos estão enfraquecidos, a última Greve Geral foi em 1926, por isso essa ideia de que estamos a trair a unidade da classe trabalhadora na Escócia e Inglaterra não faz sentido nenhum. De qualquer forma, essa unidade pode ser conseguida mesmo com fronteiras independentes. Os socialistas sempre se bateram pela unidade internacional da classe trabalhadora, até a Primeira Guerra Mundial ter mostrado a força do nacionalismo retrógrado, que também agarrou os trabalhadores.

Por isso nenhum destes argumentos é para ser levado a sério. Os unionistas convictos têm uma argumentação séria ao dizer que deus, a igreja e a monarquia são importantes na matriz desta União desde 1707 e que não os devemos separar, e malditos os escoceses que o querem fazer. Este é, pelo menos, um ponto de vista consistente, mas completamente anacrónico.

Há que diga que a Escócia e a Inglaterra vão ser arrastadas numa corrida para o fundo do poço depois da independência. Também falam no imposto sobre as corporações e coisas assim. Achas que as coisas vão mesmo melhorar se a Escócia se tornar independente?

Acho que a base para as coisas melhorarem terá sido criada. Se melhoram ou não, dependerá de dois fatores. Primeiro, se os dirigentes do SNP se mostrarem  preparados ou não para ir mais longe no que diz respeito à criação de uma Escócia social democrata. Espero em deus que estejam. Em segundo lugar, e mais importante, dependerá do desejo da população de participar mais ativamente na política a todos os níveis numa Escócia independente. Não só através das instituições existentes, mas através da criação de instituições para observar e avaliar a nova democracia escocesa. Terão de participar e de se manifestar quando as coisas não estiverem a correr bem. Num país pequeno é muito mais fácil fazer isso. Penso que será esse o efeito, e que a esquerda na Escócia terá de desempenhar o seu papel.

O que pensas do modelo nórdico e outras variantes do capitalismo? Pode a Escócia aproveitar essas ideias?

Estamos a falar de uma altura em que o sistema capitalista triunfou e em que a ideia de socialismo sofreu uma enorme derrota global. Estamos, portanto, a viver num estranho período de transição, que bem pode durar até ao fim deste século. Não nos devemos esquecer disso. Por isso é preciso lidar com o que existe e observar como o capital, nos seus piores aspetos, pode ser regulado, e como pode um estado ser regulado de maneira a que sirva os interesses dos trabalhadores… Isto era o objetivo do Labour em 1945 e, a propósito, esse era um bom programa. Mudou, de facto, as condições de vida das pessoas e, ainda que hoje em dia não viva na Escócia, ouço dizer que o sistema de educação escocês é melhor, desse ponto de vista, do que o sistema inglês.
"É neste campo que uma Escócia independente seria uma enorme diferença. Se souber gerir a sua economia e o seu petróleo — e aqui a lição a aprender vem da Noruega, que investiu muito inteligentemente o dinheiro do petróleo.
É neste campo que uma Escócia independente seria uma enorme diferença. Se souber gerir a sua economia e o seu petróleo — e aqui a lição a aprender vem da Noruega, que investiu muito inteligentemente o dinheiro do petróleo. O resultado é que têm um estado social e uma social democracia de fazer inveja a toda a gente. Quando lá estive, os meus amigos noruegueses disseram “não te vamos ver em outubro porque vamos de baixa seis meses”. E eu disse “seis meses?! O que aconteceu?” E ele disse, “a minha mulher vai ter um bebé e, de acordo com a lei norueguesa, ambos os parceiros têm direito a seis meses de baixa com vencimento”. Fiquei surpreendido porque sabia que lá era diferente, mas não sabia os pormenores.

Por isso as pessoas pensam que, em certos aspetos, sobrevivem melhor com governos social democratas, ou com consensos que aceitem que algumas reformas são fundamentais. Foram os programas de privatizações impostos pelas elites britânicas que afundaram o país. Agora estão a vender o serviço de saúde. O New Labour devia lembrar-se disto. Há um artigo no Financial Times da semana passada, escrito pelo antigo secretário de estado da saúde, Alan Milburn, que defende a privatização da saúde, fingindo ao mesmo tempo que é uma maneira de proteger o Serviço Nacional de Saúde. Isto enfureceu muita gente na Grã-Bretanha e na Escócia. Foi o New Labour que fez isto e temos de acabar definitivamente com estas políticas e inventar uma sociedade melhor.

Não será a sociedade socialista com que muitos sonham, mas abrirá espaço para que as coisas possam pelo menos ser discutidas e para que se possam implementar reformas que vão melhorar as condições de vida na Escócia. Não há razão nenhuma para que uma Escócia independente não possa ser reindustrializada, construindo uma indústria de estaleiros com a ajuda de países fora da Europa que estão disponíveis. É disparatado ver o futuro da Escócia em relação a Inglaterra ou mesmo ao resto da Europa. Se se tiver imaginação, pode ir muito para além disso.

Parece haver uma enorme preocupação com o isolamento da Escócia depois da independência. Como pode a Escócia prevenir isso? Que espécie de alianças pensas que devem ser procuradas pela Escócia?

Mas não está a Escócia isolada neste momento? Eu diria que sim, ao fazer parte da Grã-Bretanha. Esta ideia de que ficaria isolada depois da independência está errada. Que conjunto de alianças deve procurar? A princípio, o objetivo seria estabelecer alianças com o bloco escandinavo, especialmente com a Noruega e a Suécia. Acho que seriam recebidos de braços abertos para acordos económicos, de turismo, políticos, etc. O bloco escandinavo é uma possibilidade.

Com a União Europeia, deviam lutar pelo direito das nações pequenas a serem ouvidas. A Escócia devia também criar laços com repúblicas pequenas da UE, ou mesmo com aquelas áreas da UE que ainda não são independentes, como a Catalunha.

Isto para nem falar do resto do mundo. Porque deveria a Escócia depender da Grã-Bretanha como mediadora da sua relação com países da Ásia e da África? Acho que os escoceses devem olhar para os outros continentes. Uma das novas instituições que terá de ser criada é um Ministério dos Negócios Estrangeiros, e um comércio internacional. São coisas muito importantes.




Entrevista feita por James Foley, antes de duas sessões públicas de Tariq Ali, escritor, realizador e editor da New Left Review. As sessões podem ser vistas aqui. Publicado inicialmente no site Bella Caledonia, a 10/03/2014. Traduzido por Mariana Vieira.




- A partir de: esquerda.net





terça-feira, 15 de julho de 2014

«Too Big to Jail» ... (3) por Eric Toussaint







(divulgação)



Os barões da banca e da droga

No decurso do último década, o HSBC colaborou com os cartéis da droga do México e da Colômbia – responsáveis por (dezenas de) milhares de assassínios com armas de fogo – no branqueamento de dinheiro num montante de cerca de 880 mil milhões de dólares. As relações comerciais do banco britânico com os cartéis da droga perduraram, apesar das dezenas de notificações e avisos de diversas agências governamentais dos EUA.






Os lucros obtidos não só levaram o HSBC a ignorar os avisos, mas, pior ainda, a abrir balcões especiais no México, onde os narcotraficantes podiam depositar caixas cheias de dinheiro líquido, para facilitar o processo de branqueamento.



O caso do banco britânico HSBC constitui um exemplo suplementar da doutrina «demasiado grandes para serem encarcerados» |1|. Em 2014, o grupo mundial HSBC emprega 260.000 pessoas, está presente em 75 países e declara 54 milhões de clientes |2|.

No decurso do último década, o HSBC colaborou com os cartéis da droga do México e da Colômbia – responsáveis por (dezenas de) milhares de assassínios com armas de fogo – no branqueamento de dinheiro num montante de cerca de 880 mil milhões de dólares |3|.

As relações comerciais do banco britânico com os cartéis da droga perduraram, apesar das dezenas de notificações e avisos de diversas agências governamentais dos EUA (entre as quais o OCC - Office of the Comptroller of the Currency).

Os lucros obtidos não só levaram o HSBC a ignorar os avisos, mas, pior ainda, a abrir balcões especiais no México, onde os narcotraficantes podiam depositar caixas cheias de dinheiro líquido, para facilitar o processo de branqueamento |4|.

Apesar da atitude abertamente provocatória do HSBC contra a lei, as consequências legais da sua colaboração directa com as organizações criminais foram praticamente nulas. Em Dezembro de 2012, o HSBC teve de pagar uma multa de 1900 milhões de dólares – o que equivale a uma semana de receitas do bancopara fechar o processo de branqueamento.

Nem um só dirigente ou empregado foi sujeito a procedimento criminal, embora a colaboração com organizações terroristas ou a participação em actividades ligadas ao narcotráfico sejam passíveis de cinco anos de prisão. Ser dirigente de um grande banco dá direito a carta branca para facilitar, com total impunidade, o tráfico de drogas duras ou outros crimes.

O International Herald Tribune (IHT) fez uma reportagem sobre os debates realizados no departamento de Justiça. Segundo as informações obtidas pelo jornal, vários procuradores pretendiam que o HSBC se declarasse culpado e reconhecesse ter violado a lei que o obriga a informar as autoridades sobre a ocorrência de transacções superiores a 10.000 dólares identificados como tendo origem duvidosa. Daí resultaria a cassação da licença bancária e o término das actividades do HSBC nos EUA. Após vários meses de discussão, a maioria dos procuradores tomou outro rumo e decidiu que melhor seria não processar o banco por actividades criminosas, pois era necessário evitar o seu encerramento. Convinha mesmo evitar manchar demasiado a sua imagem |5|. 

A modesta multa de 1900 milhões de dólares é acompanhada duma espécie de liberdade condicionada: se, entre 2013 e 2018, concluírem que o HSBC não pôs fim definitivo às práticas que originaram a sanção (não é uma condenação), o Departamento de Justiça poderá reabrir o processo. Em resumo, a medida pode resumir-se assim: «Anda, meu patife, passa para cá uma semana do teu ordenado, e não voltes a repetir a brincadeira nos próximos cinco anos». Aí está um belo exemplo de «demasiado grande para ser condenado».

Em Julho de 2013, numa das reuniões da comissão senatorial que investigou o caso HSBC, Elizabeth Warren, senadora democrata do Estado de Massachusetts, apontou o dedo a David Cohen, representante do Ministério das Finanças e subsecretário responsável pela luta contra o terrorismo e a espionagem financeira. 

A senadora disse, grosso modo, o seguinte: «O governo dos EUA leva muito pouco a sério o branqueamento de dinheiro (…) É possível encerrar um banco que se dedica ao branqueamento de dinheiro, as pessoas envolvidas podem ser interditas de praticar uma profissão ou actividade financeira e toda a gente pode ser mandada para a prisão. Ora, em Dezembro de 2012, o HSBC (…) confessou ter branqueado 881 mil milhões de dólares dos cartéis mexicanos e colombianos da droga; o banco admitiu igualmente ter violado as sanções. O HSBC não o fez apenas uma vez, é um procedimento recorrente. O HSBC pagou uma multa mas nenhuma pessoa foi banida do comércio bancário e não se ouviu falar dum possível encerramento das actividades do HSBC nos EUA. Gostaria que respondesse à seguinte questão: quantos milhares de milhões de dólares tem um banco de branquear, antes de se considerar a possibilidade de o encerrar?» 

O representante do Tesouro acusou o toque, respondendo que o processo era demasiado complexo para permitir uma conclusão |6|. A senadora declarou a seguir que quando um pequeno vendedor de cocaína é apanhado, fica uns quantos anos na prisão, enquanto um banqueiro que branqueia milhares de milhões de dólares de droga pode regressar tranquilamente a casa, sem receio da Justiça. Esta passagem da audiência está disponível em vídeo e vale a pena vê-la |7|.

A biografia de Stephen Green ilustra bem a relação simbiótica entre a finança e a governação. A coisa vai ainda mais longe, pois ele não se contentou em servir os interesses do grande capital, enquanto banqueiro e ministro; é também prior da igreja oficial anglicana e escreveu dois livros sobre ética e negócios, um dos quais intitulado «Servir a Deus? Servir a Mamom?» |8|. O título do livro remete para o Novo Testamento. «Ninguém pode servir dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Mamom» |9|. Mamom representa a riqueza, a avareza, o lucro, o tesouro. Encontramos esta palavra em aramaico, hebraico e fenício. Por vezes Mamom é usado como sinónimo de Satã. Quanto a Stephan Green, é elogiado pelas mais altas autoridades universitárias e é manifestamente intocável.

Passemos em revista alguns elementos da sua biografia. Começa a sua carreira no ministério britânico do Desenvolvimento Ultramarino, depois passa para o sector privado e trabalha para o consultor internacional McKinsey. Em 1982 é contratado pelo HSBC (Hong Kong Shanghai Banking Corporation), o mais imporrtante banco britânico, onde ascende rapidamente a funções de alta responsabilidade. Finalmente, em 2003, torna-se director executivo do HSBC e em 2006 acede à presidência do grupo, onde permanece até 2010.

As acusações feitas pelas autoridades americanas em matéria de branqueamento de 881 mil milhões de dólares do dinheiro dos cartéis da droga e de outras organizações criminosas dizem respeito ao período 2003-2010. Segundo o relato das 334 páginas tornadas públicas por uma comissão do Senado norte-americano em 2012, Stephan Green, desde 2005, foi informado por um empregado do banco que o HSBC tinha mecanismos de branqueamento no México e levava a cabo múltiplas operações suspeitas. Ainda em 2005, a agência financeira Bloomberg, com sede em Nova Iorque, acusa o HSBC de branqueamento de dinheiro da droga. 

Stephen Green responde que se trata de um ataque irresponsável e sem fundamento, que põe em causa a reputação dum grande banco internacional acima de todas as suspeitas. Em 2008, uma agência federal norte-americana comunica a Stephen Green que as autoridades mexicanas descobriram a existência de operações de branqueamento realizadas pelo HSBC México e uma das suas filiais num paraíso fiscal das Caraíbas («Cayman Islands Branch»). A agência acrescenta que a situação pode implicar uma responsabilidade penal para o HSBC |10|. 

A partir desse momento, as autoridades norte-americanas de controlo dirigem repetidos avisos à direcção do banco, muitas vezes aflorando ao de leve a gravidade dos factos. O banco promete alterar os seus comportamentos, mas na realidade prossegue as práticas criminosas. Finalmente os avisos dão lugar em Outubro de 2010 a um aviso para pôr termo às práticas ilegais |11|. Em finais de 2012, após a apresentação pública do relatório da comissão senatorial e meses de debate entre diferentes agências de segurança dos EUA, é aplicada uma multa de 1900 milhões de dólares à HSBC.

Stephen Green está em boa posição para saber o que fazia o banco no México, nos paraísos fiscais, no Médio Oriente e nos Estados Unidos, pois além de dirigir o conjunto do grupo HSBC, dirigiu no passado o HSBC Bermudas |12| (estabelecido num paraíso fiscal), o HSBC México, o HSBC Médio Oriente. Presidiu igualmente o HSBC Private Banking Holdings (Suíça) SA e o HSBC América do Norte Inc.

Quando veio a público, em 2012, que o HSBC teria de pagar uma considerável multa nos EUA por branqueamento de dinheiro dos cartéis da droga, Stephen Green já tinha passado de grande patrão do HSBC a ministro do governo conservador-liberal conduzido por David Cameron.

Voltemos um pouco atrás para descobrir que o timing seguido por Stephen Green foi perfeito. Coisa de artista. Em Fevereiro de 2010, publica o livro O Justo Valor: Reflexões sobre a Moeda, a Moralidade e Um Mundo Incerto. O livro é apresentado ao público nestes termos: «Será que alguém pode ser ao mesmo tempo uma pessoa ética e um homem de negócios eficaz? Stephen Green, simultaneamente sacerdote e presidente do HSBC, acha que sim.» |13| Reparem que a «pessoa ética e o homem de negócios eficaz» são identificados com o «sacerdote e presidente do HSBC». A publicidade é patente. Na mesma época recebe o título de doutor honoris causa, concedido pela School of Oriental and African Studies (SOAS) da Universidade de Londres.

Em Outubro de 2010, pela segunda vez desde 2003, a justiça dos EUA avisa o HSBC para que ponha termo às suas actividades criminosas. O público ainda não está ao corrente. É tempo de Stephen Green abandonar o navio. Em 16 de Novembro de 2010, a pedido de David Cameron, é nobilitado pela rainha de Inglaterra e passa a ser o «barão» Stephen Green de Hurstpierpoint do condado do Sussex ocidental. Nada disto pode acontecer por acaso. Para um homem de negócios que permitiu o branqueamento de dinheiros dos «barões» da droga, trata-se duma bela promoção. À conta disso torna-se membro da Câmara dos Lordes em 22 de Novembro de 2011. Se lessem isto num blog, diriam certamente que o autor estava a exagerar.

Em Dezembro de 2010 demite-se da presidência do HSBC e em Fevereiro de 2011 sobe a ministro do Comércio e Investimento |14|. Depois de empossado no cargo, coloca os seus bons serviços à disposição do patronato britânico, com o qual mantém relações muito frutuosas e estreitas, uma vez que desde Maio de 2010 ocupa o posto de vice-presidente da Confederação da Indústria Britânica. 

Desempenha um papel igualmente importante na promoção de Londres, que se prepara para receber os Jogos Olímpicos em Julho de 2012. É durante esse mês que uma comissão norte-americana envia o seu relatório sobre a questão do HSBC. Stephen Green recusa responder às perguntas dos membros da Câmara dos Lordes em relação à sua implicação no escândalo. É protegido pelo presidente do grupo dos lordes conservadores, que diz que um ministro não tem de vir diante do Parlamento dar explicações sobre negócios estranhos ao seu ministério |15|.

David Cameron afirmou em 2013 que lorde Green fez um «soberbo trabalho» ao intensificar os esforços do Governo britânico para reforçar as exportações britânicas, para fazer avançar os tratados comerciais e especialmente o tratado transatlântico entre a União Europeia e os EUA |16|. Lorde Green esforçou-se muito para aumentar as vendas de armas britânicas nos mercados mundiais. Terminou o seu mandato de ministro em Dezembro de 2013 e dedicou o seu precioso tempo a dar conferências (certamente muito bem remuneradas) e a receber os favores propiciados por numerosas autoridades académicas.

A sua carreira certamente não ficará por aqui. A sua hipocrisia não tem limites. Em Março de 2009, quando o HSBC estava metido até ao pescoço no branqueamento de dinheiros de organizações criminosas, Green teve o descaramento de declarar, numa conferência de imprensa a propósito das responsabilidades na crise iniciada em 2007-2008: «Estes acontecimentos evocam a questão da ética do sector financeiro. Dá a impressão que, muito frequentemente, os responsáveis não se perguntam se as suas decisões são correctas e apenas se ralam com a sua legalidade e conformidade aos regulamentos. É necessário que este sector retome o sentido da correcção ética como motor das suas actividades.» |17| É assim que Stephen Green, vampiresco tubarão, navegando acima das leis, se dirige aos sabujos que vão pressurosos repercutir as suas belas palavras na grande imprensa.

Green e todos quantos organizaram o branqueamento de dinheiro no seio do HSBC devem responder pelos seus actos perante a justiça e ser condenados severamente, sofrer privação de liberdade e ser obrigados a realizar trabalhos de utilidade pública. O HSBC deveria ser encerrado e a direcção despedida. Em seguida o mastodonte HSBC deveria ser retalhado, sob controlo cidadão, numa série de bancos públicos de média dimensão, cujas missões seriam estritamente definidas e exercidas no quadro dum estatuto de serviço público.


Tradução: Rui Viana Pereira
Revisão: Maria da Liberdade





Restantes artigos da série "Os bancos e a doutrina «demasiado grandes para serem condenados»:

1ª Parte: Os bancos e a nova doutrina «Too Big to Jail»
2ª Parte: Estados Unidos: Os abusos dos bancos no setor imobiliário e as ações de despejo ilegais

Notas

|1| Ver a primeira parte da série: «Os bancos e a nova doutrina “Too Big to Jail”», publicado a 9-03-2014, http://cadtm.org/Os-bancos-e-a-nova-doutrina-Too; «États-Unis: Les abus des banques dans le secteur immobilier et les expulsions illégales de logement», publicado a 4-04-2014, http://cadtm.org/Etats-Unis-Les-abus-des-banques

|2| Ver no sítio oficial: http://www.hsbc.com/about-hsbc

|3| O HSBC também colaborou com um banco sudanês identificado como financiador da Al Qaida. Por outro lado, a justiça americana também acusou o banco de ter permitido a países sujeitos a embargo ou submetidos a outro tipo de sanções realizarem operações financeiras e comerciais.

|4| Matt Taibbi, «Gangster Bankers: Too Big to Jail. How HSBC hooked up with drug traffickers and terrorists. And got away with it», 14-02-2013, http://www.rollingstone.com/politics/news/gangster-bankers-too-big-to-jail-20130214

|5| IHT, «HSBC to pay $1.92 billion over money laundering», 12-12-2012.

|6| Ver http://www.huffingtonpost.com/2013/03/07/elizabeth-warren-hsbc-money-laundering_n_2830166.html e http://www.ianfraser.org/hsbcs-drugs-money-laundering-settlement-a-mockery-of-justice-says-sen-warren/

|7| Ver o vídeo de cinco minutos: http://www.youtube.com/watch?v=fKvGXF7pZAc

|8| Stephen Green, Serving God? Serving Mammon?, Marshall Pickering, 1996, 137 pp.
http://books.google.be/books/about/Serving_God_Serving_Mammon.html?id=Mmn_AAAACAAJ&redir_esc=y Ver a recensão ditirâmbica numa revista anglicana: http://www.e-n.org.uk/p-212-Serving-God-Serving-Mammon.htm. Esta recensão termina com uma pérola: «For the Christian the markets represent temptation in one of its most powerful forms; money, wealth, and then power are fairly freely accessible and are attained by many. For some the temptation is too much, for others who keep their eye on that greater treasure in heaven, the markets are also a place where a Christian witness can be maintained; honesty and integrity can be seen to work. Why, argues the author, should financial markets be left to non-Christians? The pressures of work are often so great that traders retire very early, often after accumulating considerable wealth. This given opportunities for Christian service later in life. This book will be useful for young Christians considering a career in the City of London, and weighing up various moral dilemmas in the light of Scripture. Not all are equipped to face these temptations.» [«Para os cristãos, os mercados representam a tentação numa das suas formas mais poderosas; dinheiro, riqueza e daí poder tornam-se acessíveis e são alcançados por muita gente. Para alguns a tentação é demasiado forte, para outros, que não perdem de vista a riqueza mais alta do paraíso, os mercados são também lugares onde deve ser levado o testemunho cristão. O autor pergunta-se porque hão-de os mercados financeiros ser deixados nas mãos de não cristãos? As pressões do trabalho são por vezes tão grandes, que os traders se reformam muito cedo, muitas vezes depois de terem acumulado considerável fortuna. Estas oportunidades dadas aos cristãos de servirem mais tarde na vida. Este livro será útil para jovens cristãos que pretendam seguir carreira na City de Londres e que se debatam com diversos dilemas morais à luz das Escrituras. Nem todos estão à altura de enfrentar estas tentações.»]

|9| Novo Testamento, Evangelho Segundo Mateus, 6:24.

|10| Ned Simons, «HSBC: Stephen Green Accused Of Hiding From Scandal», The Huffington Post UK, 20-07-2012, http://www.huffingtonpost.co.uk/2012/07/20/hsbc-scandal-stephen-green-hiding_n_1688622.html e o artigo já mencionado de Matt Taibbi, «Gangster Bankers: Too Big to Jail. How HSBC hooked up with drug traffickers and terrorists. And got away with it», 14-02-2013, http://www.rollingstone.com/politics/news/gangster-bankers-too-big-to-jail-20130214

|11| Uma «cease-and-desist order» é uma ordem dada a uma pessoa, uma empresa ou uma organização por um tribunal ou uma agência do Governo dos EUA, a fim de travar uma actividade considerada lesiva ou contrária à lei. A primeira «cease-and-desist order» remonta a Abril de 2003 e diz respeito a contas bancárias que serviam para financiamento de organizações terroristas, entre as quais a Al Qaida.

|12| http://en.wikipedia.org/wiki/Bank_of_Bermuda e o sítio oficial do banco HSBC nas Bermudas http://www.hsbc.bm/1/2/

|13| Stephen Green, Good Value: Reflections on Money, Morality and an Uncertain World, Grove Press, 2010, 256 pp. «Can one be both an ethical person and an effective businessperson? Stephen Green, an ordained priest and the chairman of HSBC, thinks so», in http://www.goodreads.com/book/show/8145234-good-value

|14| Stephen Green anuncia que o seu cargo de ministro não será remunerado. É preciso dizer que enquanto presidente do HSBC, a sua remuneração anual ascendia a 25 milhões de libras esterlinas (41 milhões $ ou 30 milhões €, à taxa de câmbio de Fevereiro-2014) e que possui outras fontes de rendimento.

|15| Ver o artigo já citado de Ned Simons, «HSBC: Stephen Green Accused Of Hiding From Scandal»,
The Huffington Post UK, 20-07-2012, http://www.huffingtonpost.co.uk/2012/07/20/hsbc-scandal-stephen-green-hiding_n_1688622.html. Ver também: The Guardian, «Lord Green “regrets” HSBC scandal but still refuses to answer questions. Trade minister breaks silence over money laundering scandal that took place while he was running the bank», 24-07-2012, http://www.theguardian.com/business/2012/jul/24/lord-green-hsbc-scandal

|16| The Telegraph, «Lord Green to retire after reforming UKTI», 19-06-2013, http://www.telegraph.co.uk/finance/newsbysector/banksandfinance/10130551/Lord-Green-to-retire-after-reforming-UKTI.html. Segundo o primeiro-ministro, o antigo patrão do HSBC teria feito um trabalho notável ao levar o Governo a concentrar-se nas exportações e a estabelecer parcerias de comércio, nomeadamente uma entre a UE e os EUA, e que tinha obtido investimentos essenciais, em particular na reconversão da central de Battersea.

|17| The Independent, «HSBC in bid to raise £12.5bn», 9-03-2009, http://www.independent.co.uk/news/business/news/hsbc-in-bid-to-raise-pound125bn-1635307.html


Artigo publicado em CATDM.


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Sobre o/a autor(a)

Politólogo. Presidente do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo




(Os sublinhados são da minha responsabilidade)


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N.B.: A realidade , e a prática, deste sistema vai além – muito além - da imaginação possível (acrescentaria) ...