Mostrar mensagens com a etiqueta fascistas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta fascistas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 24 de agosto de 2014

Ucrânia, Kiev, golpe de estado, EUA, geoestratégia, NATO, nova economia mundial, limpeza étnica, ...








(divulgação)


__________


Entrevista com Sergei Glaziev − Para compreender a Ucrânia em 15 minutos

23/8/2014, [*] Mike Whitney (transcrição e comentários),  Information Clearing House
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu



Quem queira compreender o que se passa na Ucrânia, não pode deixar de assistir ao vídeo (com legendas em inglês), 15 minutos, em que Sergei Glaziev, [1] conselheiro e amigo de Putin, explica como mudanças estruturais na economia global e uma deriva em direção à Ásia precipitaram uma desesperada tentativa, por políticos norte-americanos, para manter-se no controle do mundo, instigando uma guerra na Europa.
Concordem ou não com o analista e a análise, os leitores verão/ouvirão analista brilhante, erudito e apaixonado em suas crenças. Só por isso já valeria assistir à entrevista de Glaziev. 
Fiz eu mesmo uma transcrição do vídeo, e peço desculpas por algum erro não intencional no texto. Também introduzi, eu mesmo, a “itemização” e os negritos que se veêm na transcrição.








1. Mudanças Estruturais na Economia Global são frequentemente precedidas por Grandes Crises e Guerra



O mundo hoje passa por uma superposição de séries inteiras de crises cíclicas. A mais séria delas é uma crise tecnológica que é associada a mudanças nos comprimentos de onda do desenvolvimento econômico. Vivemos num período em que a economia está mudando de estrutura. A estrutura econômica que comandou o crescimento econômico nos últimos 30 anos exauriu-se. Temos de fazer uma transição para um novo sistema de tecnologias. Esse tipo de transição, infelizmente, sempre aconteceu mediante guerra.



Foi o que aconteceu nos anos 1930s, quando a Grande Depressão deu lugar à corrida armamentista e, na sequência, à IIª Guerra Mundial. Foi assim durante a Guerra Fria, quando uma corrida armamentista cedeu lugar a complexas tecnologias de informação e comunicação que se tornaram a base da estrutura tecnológica que vem comandando a economia mundial nos últimos 30 anos. Hoje, enfrentamos crise similar. O mundo está mudando para um novo sistema tecnológico.



2. Putin promove a Zona de Livre Comércio, para facilitar a transição para a Nova Economia Global



O novo sistema tem natureza humanitária e, assim, pode evitar uma guerra, porque os grandes geradores de crescimento nesse comprimento de onda são tecnologias humanitária. Dentre essas, as indústrias de atenção à saúde e de medicamentos, que são baseadas na biotecnologia. Incluem-se aí também tecnologias de comunicação baseadas na nanotecnologia, que está mudando o mundo como o conhecemos. Todas essas mudanças envolvem tecnologias cognitivas, que definem um novo contexto para o conhecimento humano.



Como o presidente Putin tem dito repetidas vezes, conseguimos construir e propor um programa de desenvolvimento conjunto, uma zona de desenvolvimento para todos com um regime comercial preferencial de Lisboa a Vladivostok. Para fazê-lo operar, basta acertar com Bruxelas os termos para criar um espaço econômico comum, uma área de desenvolvimento comum. Podemos propor número suficiente de projetos novos, do campo da saúde à proteção contra ameaças espaciais, para mobilizar nosso potencial científico e técnico e criar demanda estável, a partir do estado. Assim se daria forte estímulo ao novo sistema tecnológico.



3. Washington vê uma Guerra na Europa como melhor meio para Preservar sua Hegemonia



Os EUA, contudo, já estão fazendo o que fazem sempre. Para manter sua dominância sobre o mundo, estão provocando nova guerra na Europa. Guerra é sempre bom negócio para os EUA. Dizem até que a IIª Guerra Mundial, que matou 50 milhões de pessoas na Europa e na Rússia, teria sido uma boa guerra. Foi boa para os EUA, porque os EUA emergiram daquela guerra como principal potência mundial. A Guerra Fria, que terminou com o fim da União Soviética, também foi boa guerra, para os EUA.



Agora, os EUA outra vez querem manter sua liderança à custa da Europa. A liderança dos EUA está sendo ameaçada pela China, que cresce sem parar. E o mundo está entrando em novo ciclo que, agora, é ciclo político. Esse ciclo dura séculos e está associado com as instituições globais da economia regulatória.



Agora nos movemos, do ciclo norte-americano de acumulação de capital, para um ciclo asiático. É outra crise que desafia a hegemonia dos EUA. Para manter sua posição de comando frente à concorrência que lhe impõe uma China que não para de crescer e outros países asiáticos, os EUA estão inventando uma nova guerra na Europa. Querem enfraquecer a Europa, rachar a Rússia, e subjugar todo o continente eurasiano. 



É o mesmo que dizer que, em vez de uma zona de desenvolvimento para todos de Lisboa a Vladivostok – que é a proposta do presidente Putin – os EUA querem iniciar uma guerra caótica e alucinada nesse mesmo território, envolver toda a Europa numa só guerra, desvalorizar os capitais europeus, cancelar por milagre a dívida pública nos EUA, dívida sob cujo peso os EUA, sim, já estão praticamente sucumbindo, riscar do mundo o que os EUA devem a Europa e Rússia, subjugar nosso espaço econômico e estabelecer controle sobre os recursos do gigantesco continente eurasiano. Para os EUA, esse seria o único modo para conseguirem manter sua hegemonia e derrotar a China.



Infelizmente a geopolítica dos EUA que vemos hoje é exatamente idêntica à do século XIX. Eles ainda pensam nos termos das lutas geopolíticas do Império Britânico: dividir para conquistar. Lançar nações contra nações, empurrá-las umas contra outras, iniciar uma guerra mundial. Desgraçadamente, os EUA ainda insistem naquela velha política britânica, para tentar resolver seus problemas. A Rússia é o alvo selecionado dessa política, e o povo ucraniano é usado como bucha de canhão numa nova guerra mundial.



Primeiro, os EUA decidiram tomar como alvo a Ucrânia e separá-la da Rússia. É tática inventada por Bismarck. É a velha tradição anti-Rússia, com o objetivo de envolver a Rússia em conflito, para conseguir tomar conta de todo o espaço da Eurásia. Foi estratégia que Bismark usou, depois adotada pelos britânicos, depois por Zbigniew Brzezinski, pensador e cientista político norte-americano que disse incontáveis vezes que a Rússia não poderia ser uma superpotência sem a Ucrânia, e que criar guerra entre Rússia e Ucrânia seria benéfico [sic] para os EUA e o Ocidente.



Há 20 anos os norte-americanos alimentam o nazismo ucraniano orientado contra a Rússia.



Todos sabem que os EUA hospedaram os seguidores remanescentes de Bandera (Stepan), depois da IIª Guerra Mundial. Dezenas de milhares de nazistas ucranianos foram levados para os EUA e cuidadosamente cevados e treinados durante o pós-guerra. Essa leva de imigrantes desceu sobre a Ucrânia depois do colapso da União Soviética. A ideia de uma parceria ocidental foi usada como isca. Quem primeiro falou disso foram os poloneses; na sequência, os EUA abraçaram a ideia. Essa é a essência da parceria ocidental, da qual a Geórgia foi a primeira vítima.



Agora, a nova vítima está sendo a Ucrânia, e depois virá a vez da Moldávia, para ir cortando laços com a Rússia.



Todos sabem que a Rússia estamos construindo a União Aduaneira e um espaço econômico comum com Bielorrússia e Cazaquistão, ao qual serão integrados, na sequência, o Quirguistão e a Armênia. A Ucrânia sempre foi nação parceira dos russos, há muito tempo. A Ucrânia continua a ter um acordo comercial com a Rússia, que está em fase de ratificação – e que até hoje não foi cancelado por ninguém na Ucrânia. A Ucrânia é importante para nós como parte de nosso espaço econômico e por séculos de laços e cooperação entre nossos países.



Nosso complexo científico e industrial foi criado como realidade comum. Daí que a participação da Ucrânia na integração da Europa seja processo vital e natural. Mas o projeto da “parceria ocidental” foi inventado para impedir que a Ucrânia participasse no projeto de integração da Eurásia. O significado da parceria ocidental é criar uma associação com a União Europeia – e “boicotar” a integração da Eurásia.



Qual a associação que Poroshenko assinou com líderes europeus? Uma “associação” que converte a Ucrânia em colônia. Por aquele acordo de associação com a União Europeia, a Ucrânia perde até a própria soberania: transfere para Bruxelas o controle do próprio comércio, aduana, regulação técnica e financeira e até a representação pública.



4. A junta nazista ucraniana é instrumento da política dos EUA



Ucrânia deixa de ser estado soberano na economia e na política: está claramente escrito e assinado no acordo, que a Ucrânia converte-se em parceiro “júnior” na União Europeia. A Ucrânia compromete-se a seguir uma defesa comum e a política exterior da União Europeia. A Ucrânia fica obrigada a participar na resolução de conflitos regionais, sempre sob a liderança da União Europeia. E assim Poroshenko está convertendo a Ucrânia em colônia da União Europeia e empurrando a Ucrânia para uma guerra contra a Rússia como bucha de canhão, com a intenção de, assim, iniciar uma guerra na Europa.



O objetivo do acordo de associação é permitir que países europeus governem a Ucrânia sempre que se tratar de decidir conflitos regionais. É o que está acontecendo no Donbass, que é conflito regional armado. O objetivo da política dos EUA é criar o maior número possível de mortos. A junta nazista que governa a Ucrânia é instrumento dessa política dos EUA. Estão cometendo atrocidades inimagináveis e crimes sem conta, bombardeando cidade, matando civis, mulheres e crianças, e forçando-os a abandonar as próprias casas, exclusivamente para provocar a Rússia e, na sequência, lançar toda a Europa numa mesma grande guerra. Essa é a missão de que Poroshenko foi encarregado.



Por isso, precisamente, é que Poroshenko rejeita todas e quaisquer negociações de paz e bloqueia todos e quaisquer acordos de paz. Cada “declaração” de Washington sobre qualquer “desescalada” no conflito é decodificada, por Poroshenko, como ordem para escalar o conflito. Cada rodada de conversações chamadas “de paz” desencadearam nova rodada de violência.



É preciso compreender que estamos lidando com um estado nazista, que está determinado a conseguir entrar em guerra contra a Rússia e que já decretou recrutamento universal obrigatório. Toda a população do sexo masculino entre 18 e 55 anos de idade foi automaticamente alistada. Quem se recusar ao alistamento, receberá pena de 15 anos de cadeia. Esse poder nazista criminoso já converteu em criminosos toda a população ucraniana.



5. Washington trabalha a favor de seus Interesses, quando empurra a Europa para a Guerra



Calculamos que a economia europeia perderá cerca de 1 trilhão de Euros por causa das sanções que os norte-americanos impuseram contra os europeus. É muito dinheiro. Os europeus já começam a sentir as perdas. Já houve acentuada redução nas vendas para a Rússia. A Alemanha está perdendo cerca de 200 bilhões de Euros. Os estados do Báltico sofrerão as maiores perdas. A perda de vendas na Estônia será superior ao PIB do país. Na Letônia, será equivalente a metade do PIB do país. Mas nem isso os detêm. Políticos europeus seguem os norte-americanos sem nem questionar o que estão fazendo. E agridem-se eles mesmos, ao provocar o nazismo e a guerra.



Já disse que Rússia e Ucrânia são vítimas dessa guerra que está sendo fomentada pelos EUA. Mas a Europa também é vítima, porque a guerra visa a destruir o estado de bem-estar europeu [o que reste dele] e a desestabilizar a Europa. Os norte-americanos contam com que, assim, prosseguirá o êxodo de capitais e cérebros europeus para os EUA. Por isso estão incendiando a Europa inteira. É muito estranho que governos europeus estejam alinhados com esse tipo de “projeto” mortal dos EUA.



6. A Alemanha ainda é Território Ocupado



Não podemos continuar a simplesmente esperar que os líderes europeus desenvolvam política independente: temos de trabalhar com políticos europeus de outra geração, capaz de manter-se independente do diktat dos EUA. Fato é que nos anos da Guerra Fria formou-se na Europa uma elite política obcecadamente antissoviética. E esses rapidamente se converteram em anti-Rússia. Apesar da expansão dramática de laços econômicos e dos vastíssimos interesses econômicos mútuos entre Europa e Rússia, a russofobia ainda é baseada em antissovietismo e sobrevive na mente de muitos políticos europeus. Será preciso esperar que uma nova geração de políticos europeus pragmáticos compreenda quais são seus reais interesses nacionais.



O que vemos hoje na Europa são políticos que agem contra os seus próprios interesses nacionais. Isso se explica em grande parte pelo fato de que a Alemanha, que é o motor do crescimento da Europa ainda é país ocupado. Ainda há tropas norte-americanas na Alemanha, e cada chanceler alemão ainda é obrigado a jurar fidelidade aos EUA e àquela política externa. A geração de políticos que ainda está no poder na Europa ainda não conseguiu livrar-se do cabresto da ocupação pelos EUA.



7. O nazismo está em ascensão



Embora já não haja União Soviética, aqueles políticos europeus continuam a obedecer Washington maniacamente, na expansão da OTAN e na tentativa de capturar novos territórios – por mais “alérgicos” que já sejam aos novos membros orientais da União Europeia.



A União Europeia já está estourando nas costuras, mas nem por isso suspende a agressiva expansão na direção de território pós-soviético. Espero que uma próxima geração de políticos seja mais pragmática.



As recentes eleições para o Parlamento Europeu mostraram que nem todos estão sendo completamente enganados pela propaganda pró-EUA e anti-Rússia, e pelo fluxo ininterrupto de mentiras que não para de ser lançado contra o povo europeu. Partidos europeus tradicionais perderam em recentes eleições no Europarlamento.



Quanto mais se diga a verdade, maior será a reação, porque o que está acontecendo na Ucrânia é o renascimento do nazismo. A Europa conhece bem e não esqueceu os sinais do renascimento do nazismo, por causa das lições da IIª Guerra Mundial. Temos de despertar essa memória histórica, de modo que consigam ver nos nazistas ucranianos que estão no governo em Kiev, os seguidores de Bandera, Shukhevych e outros colaboradores nazistas. A ideologia das atuais autoridades ucranianas tem raízes na ideologia dos cúmplices de Hitler que atiraram contra judeus em Babi Yar, queimaram vivos ucranianos e bielorrussos e aniquilaram populações inteiras sem distinção de etnias. Esse é o nazismo que está em crescimento hoje.



Os europeus têm de reconhecer nos mortos na Ucrânia mortos europeus. É disso, afinal, que se trata.



Espero que, se continuarmos a explicar a verdade, conseguiremos salvar a Europa de mais essa ameaça de guerra.



Agradecimentos especiais ao blog The Vineyard of the Saker, por ter postado esta sensacional entrevista



Mike Whitney 

 ______________________



Nota dos tradutores


[1] Sobre Sergey Glaziev ver também: 2/8/2014, “Para pôr fim às guerras dos EUA em todo o planeta: Assessor de Putin propõe Aliança Antidólar”.


[*] Mike Whitney é um escritor e jornalista norte-americano que dirige sua própria empresa de paisagismo em Snohomish (área de Seattle), WA, EUA. Trabalha regulamente como articulista freelance nos últimos 7 anos. Em 2006 recebeu o premio Project Censored por uma reportagem investigativa sobre a Operation FALCON, um massiva, silenciosa e criminosa operação articulada pela administração Bush (filho) que visava concentrar mais poder na presidência dos EUA. Escreve regularmente emCounterpunch, Information Clearing House e vários outros sites. É co-autor do livro Hopeless: Barack Obama and the Politics of Illusion (AK Press) o qual também está disponível em Kindle edition.
Recebe e-mails por: fergiewhitney@msn.com.




- A partir de: redecastorphoto




quinta-feira, 31 de julho de 2014

Jobs for the boys ...





- Ucrânia, oligarcas, negócios, EUA e oportunidades ...







__________


(divulgação)


Son of US VP Joe Biden appointed to board of major Ukrainian gas company

Published time: May 13, 2014 15:49
Edited time: May 15, 2014 06:01





Hunter Biden (Image from burisma.com)


Hunter Biden, son of US VP Joe Biden, is joining the board of directors of Burisma Holdings, Ukraine’s largest private gas producer. The group has prospects in eastern Ukraine where civil war is threatened following the coup in Kiev.
Biden will advise on “transparency, corporate governance and responsibility, international expansion and other priorities” to “contribute to the economy and benefit the people of Ukraine.”

Joe Biden’s senior campaign adviser in 2004, financier Devon Archer, a business partner of Hunter Biden’s, also joined the Bursima board claiming it was like ‘Exxon in the old days’.



Biden Jr.’s resume is unsurprisingly sprinkled with Ivy-league dust – a graduate of Yale Law School he serves on the Chairman’s Advisory Board for the National Democratic Institute, is a director for the Center for National Policy and the US Global Leadership Coalition which comprises 400 American businesses, NGOs, senior national security and foreign policy experts. 

Former US President Bill Clinton appointed him as Executive Director of E-Commerce Policy and he was honorary co-chair of the 2008 Obama-Biden Inaugural Committee. 

Burisma Holdings was set up in 2002. Its licenses cover Ukraine’s three key hydrocarbon basins, including Dnieper-Donets (in eastern Ukraine), Carpathian (western) and Azov-Kuban (southern Ukraine). 

The Biden 
 sent Naftogaz, Ukraine’s gas champion, a $1.66 billion bill that is due June 2, or Moscoboard news came as Gazprom moved Ukraine to a prepaid gas delivery regime andw will halt supplies. 


Ukraine currently has about 9 billion cubic meters of gas in storage, but by the winter needs 18.5bcm. Kiev bought 27.7 billion cubic meters from Gazprom for which it still owes some $3.5 bn in 2013. 

Gazprom is demanding Kiev pays $485 per 1,000 cubic meters, raised from $268.50 after Moscow was forced to cancel several discounts agreed upon under Yanukovich's tenure as president. Kiev rejects the new price as “politically motivated” and says it will only pay its debt if Gazprom lowers the price back to $268.50, or else open an arbitration case against the company in Stockholm.





- A partir de: RT





domingo, 13 de julho de 2014

Ucrânia: laços indiscretos entre EUA e neo-nazistas







(divulgação)




Ucrânia: laços indiscretos entre EUA e neo-nazistas




Politicas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram senador americano John McCain de falar num comício do partido; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse um encontro amigável com líder da agremiação


Obcecada com vitória geopolítica na Europa Oriental, Washington envolveu-se com grupos que defendem “supremacia branca” e atacam comunistas, anarquistas e judeus


Por Max Blumenthal, no Alternet | Tradução Cauê Seignemartin Ameni


Quando os protestos na capital da Ucrânia chegaram a um desfecho, este fim-de-semana, as demonstrações de extremistas fascistas e neo-nazistas assumidos tornaram-se evidentes demais para serem ignoradas. Desde o início dos protestos, quando manifestantes lotaram a praça central para combater a polícia ucraniana e exigir a expulsão do corrupto presidente pró-russia Viktor Yanukovich, as ruas estavam cheias de pelotões de extrema-direita, prometendo defender a pureza étnica de seu país.

Bâners dos partidários da “supremacia branca” e bandeiras dos confederados norte-americanos [escravocratas] foram fixadas dentro da prefeitura de Kiev ocupada. Manifestantes içaram bandeiras da SS nazista e símbolos do poder branco sobre a estátua tombada de Lenin. Depois que Yanukovich fugiu do palácio estatal de helicóptero, os manifestantes destruíram a estátua dos ucranianos que morreram lutando contra a ocupação alemã durante a Segunda Guerra Mundial. Saudações nazistas e o símbolo do Wolfsangel tornaram-se cada vez mais comuns na praça Maiden. Forças neo-nazi estableceram “zonas autonômas” em torno de Kiev.

Um grupo anarquista chamado União Ucraniana Antifascista tentou juntar-se aos manifestantes de Maiden, mas encontrou dificuldades, com ameaças de violência das gangs neo-nazis itinerantes da praça. “Eles disseram que os anarquistas são gente como judeus, pretos e comunistas. E nem havia comunistas entre nós, foi um insulto”, ”, disse um integrante do grupo.


“Está cheio de nacionalistas aqui — incluindo nazistas”, continuou o antifascista. “Eles vieram de toda Ucrânia, e são cerca de 30% dos manifestantes.”



Um dos “três grandes” partidos políticos por detrás dos protestos é o ultra-nacionalista Svoboda, liderado por Oleh Tyahnybok, que clama pela “libertação” de seu país da “máfia judaico-moscovita”. Após a condenação, em 2010, de John Demjanjuk, um vigilante dos campos de extermínio que teria participado da morte de 30 mil pessoas no campo de extermínio nazista de Sobibor, Tyahnybok propôs à Alemanha  declará-lo um herói que “lutou pela verdade”. No parlamento ucraniano, onde o Svoboda detém inéditos 37 assentos, o vice de Tyahnybok, Yuiy Mykhalchyshyn, cita com frequência Joseph Hoebbels. Ele próprio fundou um thinktank originalmente chamado de Centro de Pesquisa Política Goebbels. Segundo Per Anders Rudling, acadêmico especialista em movimentos neofascista na Europa, o auto-intitulado “nacional socialista” Mykhalchyshyn é o principal elo entre a ala oficial do partido Svoboda e as milícias neonazistas, como o Right Sector.

Right Sector é um grupo nebuloso, que se auto-intitula “nacionalista autônomo”. Seus membros são identificados pelo jeito skinhead de trajar, estilo de vida ascético e fascínio pela violência nas ruas. Armado com escudos e porretes, o grupo ocupou as linhas de frente das batalhas nas manifestações deste mês, enchendo o ar com seu tradicional canto: “A Ucrânia, acima de tudo!”. Em um vídeo-propaganda recente [veja abaixo], o grupo prometeu lutar “contra a degeneração e o liberalismo totalitário, pela tradição moral nacional e os valores familiares.” Com o Svoboda ligado a uma constelação de partidos neofascistas internacionais por meio da Aliança dos Movimentos Nacionais Europeus, o Right Sector promete levar seu exército de jovens desiludidos a “uma grande Reconquista Europeia”.






As políticas abertamente pró-nazistas do Svoboda não impediram o senador americano John McCain, de falar num comício do partido, ao lado de Tyahnybok; nem evitaram que a secretária-assistente do Estado, Victoria Nuland, desfrutasse de um encontro amigável com o líder do Svoboda, em fevereiro. Ansioso por se defender de acusações de anti-semitismo, o dirigente hospedou recentemente o embaixador israelense da Ucrânia. “Eu gostaria de pedir aos israelenses que respeitassem também nossos sentimentos patriotas”, Tyahnybok observou. “Provavelmente, todos os partidos do Knesset [parlamento de Israel] são nacionalistas. Com a ajuda de Deus, deixe-nos ser assim também.”

Numa conversa telefônica vazada com o embaixador dos EUA na Ucrânia, Geoffrey Pyatt, Nuland revelou seu desejo de que Tyahnybok permaneça “do lado de fora”, mas que se consulte com Arseniy Yatsenyuk, o preferido dos EUA para substituir Yanukovich, “quatro vezes por semana.” Em 5 de dezembro de 2013, na Conferência da Fundação EUA-Ucrânia, Nuland destacou que Washington havia investido 5 bilhões de dólares para “desenvolver habilidades e instituições democráticas” na Ucrânia, embora não tenha acrescentado nenhum detalhe.

“O movimento da praça Maiden incorporou os princípios e valores que são os pilares de todas as democracias livres”, proclamou Nuland.

Duas semanas depois, 15 mil membros do Svoboda realizaram uma cerimônia com tochas na cidade de Lviv, em homenagem a Stepan Bandera, colaborador nazista da Segunda Guerra Mundial e então líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN-B), pró-fascista. Lviv tornou-se o epicentro das atividades neo-fascistas na Ucrânia, com os dirigentes eleitos do Svoboda liderando uma campanha para renomear o aeroporto (em homenagem ao líder fascista) e a antiga Praça da Paz. Isso, eles já conseguiram. Ela honra, agora, o Batalhão Nachtigall, rememorando um grupo, ligado à OUN-B, que participou diretamente do Holocausto. “Paz’ é um resquício dos estereótipos soviéticos”, explicou um deputado do Svoboda.

Reverenciado pelos nacionalistas ucranianos como legendário lutador da liberdade, a verdadeira história de Bandera foi infame, na melhor das hipóteses. Depois de participar da campanha para assassinar ucranianos que defendiam a pacificação com os poloneses, durante a década de 1930, as forças de Bandera determinaram-se a  limpar etnicamente a Ucrânia ocidental dos poloneses, entre 1943 e 1944. No processo, mataram mais de 90 mil poloneses e muitos judeus, a quem o seguidor  mais destacado de Banderas, o “primeiro ministro” Yaroslav Stetsko, estava determinado a exterminar. Bandera aferrou-se à ideologia fascista mesmo nos anos do pós-guerra, defendendo uma Europa etnicamente pura e totalitária, enquanto o Exército Insurgente Ucraniano (UPA), ligado a ele, travava uma luta armada sem futuro contra a União Soviética. O banho de sangue só cessou quando agentes da KGB o assassinaram em Munique, em 1959.

As conexões da Direita

Muitos membros sobreviventes da OUN-B fugiram para a Europa Ocidental e para os EUA – por vezes, com ajuda da CIA –, onde forjaram silenciosamente alianças políticas com elementos da direita. “Você tem que entender, nós somos uma organização subterrânea. Nós passamos anos em silêncio, alcançando posições de influência”, disse um membro ao jornalista Russ Bellant, que documentou o ressurgimento do grupo nos Estados Unidos, em seu livro de 1988, Velhos nazistas, Nova Direita, e o Partido Republicano.

Em Washington, a OUN-B reconstitui-se sob a bandeira do Comitê do Congresso Ucraniano para os EUA [Ukrainian Congress Committee of America (UCCA)], uma organização composta por “frentes 100% OUN-B”, segundo Bellant. Em meados da década de 1980, o governo Reagan ligou-se a membros da UCCA. O líder do grupo, Lev Dobriansky, serviu como embaixador nas Bahamas, e sua filha, Paula, teve um posto no Conselho de Segurança Nacional. Reagan recebeu pessoalmente Stetsko, o líder banderista que supervisionou o massacre de 7 mil judeus em Lviv, na Casa Branca, em 1983.

“Seus problemas são nossos problemas”, disse Reagan para o colaborador nazista. “Seu sonho é o nosso sonho.”

Em 1985, quando o Departamento de Justiça lançou a cruzada para capturar e processar os criminosos de guerra nazistas, a UCCA agiu rapidamente, pressionando o Congresso a travar a inciativa. “A UCCA também tem desempenhado um papel de liderança na oposição de investigações federais dos supostos criminosos de guerra nazistas, desde o início da relação entre as entidades, no final dos anos 1970″, escreveu Bellant. “Alguns membros da UCCA têm muitas razões para se preocupar. Elas remontam a 1930.”

Ainda hoje uma força lobista ativa e influente em Washington, a UCCA não parece ter abandonado sua reverência pelo nacionalismo banderista. Em 2009, no 50º aniversário da morte de Bandera, o grupo proclamou-o “um símbolo de força e justiça para seus seguidores”, que “continua inspirando a Ucrânia hoje em dia”. Um ano depois, o grupo homenageou o 60º aniversário da morte de Roman Shukhevych, o comandante do Batalhão Nachtigall da OUN-B, que massacrou judeus em Lviv e Belarus, chamando-o de “herói” que “lutou pela honra e justiça…”

De volta a Kiev em 2010, o então presidente Viktor Yuschenko concedeu a Bandera o título de “Herói Nacional da Ucrânia”, marcando o ponto culminante dos seus esforços para construir uma narrativa nacional anti-russa capaz de “higienizar” o fascismo da OUN-B. (A esposa de Yuschenko, Katherine Chumachenko, atuou no governo Reagan e foi ex-funcionária da Heritage Foundation, claramente identificada com a direita “neoconservadora”). Quando o Parlamento Europeu condenou a proclamação de Yuschenko como uma afronta aos “valores europeus”, a afiliação ucraniana da UCCA no Congresso Mundial reagiu com indignação, acusando a UE de “reescrever a história da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial”. Em seu site, a UCCA tentou rotular os registros históricos da colaboração de Bandera com os nazistas como “propaganda soviética”.


Após a derrubada de Yanukovich neste mês, a UCCA ajudou a organizar comícios em todas as cidades dos EUA, em apoio aos manifestantes. Quando centenas destes marchavam pelo centro de Chicago, alguns agitavam bandeiras da Ucrânia, enquanto outros orgulhosamente carregavam as bandeiras vermelhas e pretas da UPA e OUN-B. “Os EUA apoiam a Ucrânia!” eles gritavam.




Max Blumenthal

Max Blumenthal é um autor americano, jornalista e blogueiro. Anteriormente um escritor de The Daily Beast e Al Akhbar, ele é o autor de Gomorra Republicana: Dentro do Movimento que abalou o Partido (2009) e Golias:. Vida e Delírio em Grande Israel (2013). Blumenthal ganhou o prêmio Independent Feature a News Online da Associação para seu artigo sobre Salon.com, Dia dos Mortos 2002


__________














































(imagens de manisfestantes ucranianos e neo-nazis ucranianos em Chicago a 23 de Fevereiro após o golpe de estado de Nuland, dos EUA, da NATO e dos seus muchachos - neo-nazis e fascistas)