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quinta-feira, 16 de junho de 2016
18 Junho
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(Divulgação)
Escola Pública sai à rua reafirmando o seu papel primordial na promoção de igualdade de oportunidades...
Dia 18, sábado, a Escola Pública sai à rua e nela reafirmará a sua natureza democrática. Uma matriz que impõe que seja promotora de igualdade de oportunidades, logo, uma escola de qualidade, para todos e inclusiva. Uma escola democrática que também impõe a gratuitidade.
(...)
- A partir de: FENPROF
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Em Defesa da Escola Pública: gratuita, de qualidade, para todos - Petição
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(Divulgação)
Em Defesa da Escola Pública: gratuita, de qualidade, para todos
Para: Ministério da Educação, Primeiro-Ministro, Presidente da Assembleia da República, Grupos Parlamentares na Assembleia da República, Presidente da República
Defendemos o direito a uma educação gratuita, de qualidade e para todos.
A Escola Pública, ao longo dos últimos anos, tem sofrido diversos cortes no seu financiamento, que somam já cerca de dois mil milhões de euros. Em consequência temos :
- piores condições de ensino;
- reduções drásticas do número de professores, funcionários e técnicos;
- encerramento de centenas de escolas;
- criação de ingovernáveis mega-agrupamentos;
- degradação do parque escolar;
- deterioração do serviço prestado nos refeitórios;
- redução dos apoios sociais.
Nós, pais e encarregados de educação, professores, alunos, funcionários e toda a população defendemos com determinação o direito ao ensino público de qualidade, o cumprimento da Constituição da República Portuguesa e da Lei de Bases do Sistema Educativo, na certeza de que só assim se garante, um verdadeiro investimento na infância e juventude do nosso país.
Os signatários deste abaixo-assinado vêm exigir ao Governo e ao Ministro da Educação urgentes modificações na política educativa nomeadamente:
- redução do número de alunos por turma, permitindo melhor acompanhamento pedagógico;
- vinculação dos professores às escolas, promovendo mais estabilidade e continuidade pedagógica;
- revisão do rácio de auxiliares de acção educativa e a sua vinculação às escolas;
- contratação do número de técnicos necessários para os alunos com Necessidades Educativas Especiais e a outras actividades;
- dissolução dos mega-agrupamentos passando para unidades educativas de maior proximidade e mais fácil gestão;
- valorizar a avaliação contínua, suspendendo os exames nacionais;
- alargamento dos apoios sociais garantindo o acesso ao ensino em condições de igualdade;
- intervenção urgente em todo o parque escolar degradado ou insuficiente, garantindo condições dignas para todos.
Em Defesa da Escola Pública, de qualidade, gratuita, para todos.
A Escola Pública, ao longo dos últimos anos, tem sofrido diversos cortes no seu financiamento, que somam já cerca de dois mil milhões de euros. Em consequência temos :
- piores condições de ensino;
- reduções drásticas do número de professores, funcionários e técnicos;
- encerramento de centenas de escolas;
- criação de ingovernáveis mega-agrupamentos;
- degradação do parque escolar;
- deterioração do serviço prestado nos refeitórios;
- redução dos apoios sociais.
Nós, pais e encarregados de educação, professores, alunos, funcionários e toda a população defendemos com determinação o direito ao ensino público de qualidade, o cumprimento da Constituição da República Portuguesa e da Lei de Bases do Sistema Educativo, na certeza de que só assim se garante, um verdadeiro investimento na infância e juventude do nosso país.
Os signatários deste abaixo-assinado vêm exigir ao Governo e ao Ministro da Educação urgentes modificações na política educativa nomeadamente:
- redução do número de alunos por turma, permitindo melhor acompanhamento pedagógico;
- vinculação dos professores às escolas, promovendo mais estabilidade e continuidade pedagógica;
- revisão do rácio de auxiliares de acção educativa e a sua vinculação às escolas;
- contratação do número de técnicos necessários para os alunos com Necessidades Educativas Especiais e a outras actividades;
- dissolução dos mega-agrupamentos passando para unidades educativas de maior proximidade e mais fácil gestão;
- valorizar a avaliação contínua, suspendendo os exames nacionais;
- alargamento dos apoios sociais garantindo o acesso ao ensino em condições de igualdade;
- intervenção urgente em todo o parque escolar degradado ou insuficiente, garantindo condições dignas para todos.
Em Defesa da Escola Pública, de qualidade, gratuita, para todos.
Petição em: Em Defesa da Escola Pública
terça-feira, 10 de março de 2015
terça-feira, 2 de setembro de 2014
"Agência noticiosa"
(divulgação)
Austeridade na Europa lançou
800.000 crianças na pobreza – OIT
ARTIGO | TER, 03/06/2014 - 14:30
A
austeridade na Europa lançou 800.000 crianças na pobreza,
um dos efeitos mais visíveis das medidas tomadas
pelos governos a partir de 2008, sustenta um relatório da
Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado hoje.
“Em
2012, 123 milhões de pessoas nos 27 (na altura) Estados membros da
União Europeia, ou 24% da população, estavam em risco de pobreza
ou exclusão social (…) e cerca de mais 800.000 crianças viviam
na pobreza que em 2008”, lê-se no “Relatório sobre Proteção
Social no Mudo 2014/2015”, no capítulo “Erosão do modelo social
europeu”.
Segundo
o documento, o aumento da pobreza e da desigualdade resultou não
apenas da recessão global, “mas também de
decisões políticas específicas de redução das transferências
sociais e de limitação do acesso a serviços públicos de
qualidade”, que se juntam “ao desemprego persistente,
salários baixos e impostos mais altos”.
“Em
alguns países europeus, os tribunais declararam os cortes
inconstitucionais”, prossegue o relatório, apontando os casos de
Portugal, Letónia e Roménia, e acrescentando a iniciativa do
Parlamento Europeu de investigar a legitimidade democrática das
medidas de ajustamento e do seu impacto social em Portugal, Irlanda,
Chipre, Espanha, Eslovénia, Grécia e Itália.
“O
custo do ajustamento foi transferido para as populações, já
confrontadas com menos empregos e rendimentos mais baixos há mais de
cinco anos. Os ganhos do modelo social
europeu, que reduziu significativamente a pobreza e promoveu a
prosperidade no pós II Guerra Mundial, foram erodidos por reformas
de ajustamento de curto prazo”, lê-se no documento.
O
relatório da agência da ONU para o Trabalho, com sede em Genebra,
sublinha no entanto que, contrariamente à ideia generalizada, a
austeridade não atingiu apenas os países europeus.
“As
medidas de contenção orçamental não se limitaram à Europa. Em
2014, nada menos que 122 governos reduziram a despesa pública,
82 deles de países em desenvolvimento”, afirma.
Essas
medidas, tomadas na sequência da crise financeira e
económica de 2008, incluíram “reformas dos
regimes de aposentação, dos sistemas de saúde e de segurança
social (…), supressão de subvenções, reduções de efetivos nos
sistemas sociais e de saúde”.
Atualmente,
segundo o documento, mais de 70% da população mundial não tem uma
cobertura adequada de proteção social, definida como um sistema de
proteção social ao longo da vida que inclua o direito a prestações
familiares e para menores, subsídio de desemprego, de maternidade,
de doença ou invalidez, pensão de reforma e seguro de saúde.
Em
matéria de saúde, o relatório indica que 39% da população
mundial não tem acesso a um sistema de cuidados de saúde,
percentagem que sobre para os 90% nos países pobres.
Segundo
a OIT, faltam cerca de 10,3 milhões de profissionais de saúde no
mundo para garantir um serviço de qualidade a todos os que dele
necessitam.
Sobre as pensões, a
OIT indica que 49% das pessoas que atingiram a idade da reforma não
recebem qualquer pensão. Mas, dos 51% que recebem, muitos têm
pensões muito baixas e vivem abaixo do limiar de pobreza.
Relativamente
ao desemprego, só 12% dos desempregados de todo o mundo recebem
subsídio de desemprego, percentagem que varia entre os 64% na Europa
e os menos de 3% no médio Oriente e em África.
(os sublinhados são da minha responsabilidade)
- A partir de: jornal da madeira , OIT
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Em defesa do Serviço Nacional de Saúde! Em defesa de Serviços Públicos Universais e de Qualidade!
(Divulgação)
Manifestação em frente ao Ministério da Saúde
CGTP-IN esteve presente na Manifestação que a FNAM promoveu, esta tarde, dia 8 de Julho, em frente ao Ministério da Saúde. A greve marcada pela FNAM para os dias de hoje e amanhã (8 e 9 de Julho) enquadra-se numa jornada de luta contra a destruição dos serviços públicos e de privatização das funções sociais do Estado, que o governo PSD/CDS tem vindo a degradar. Ver FOTOS
Designadamente os serviços públicos de saúde, impedindo o acesso a cuidados médicos e medicamentosos básicos através do aumento brutal das taxas moderadoras, do impedimento da contratação de pessoal para os hospitais, de prestação de cuidados por motivos economicistas, da redução dos salários, de aumento brutal do horário de trabalho, de imposição da chamada «lei da rolha» violando o direito fundamental à liberdade de expressão, encerrando unidades de saúde, deixando populações inteiras sem acesso a centros de saúde e hospitais.
A CGTP-IN considera que a política de saúde não se pode separar da política de direita que directamente a condiciona – como o emprego, a educação, a habitação, a alimentação e a protecção social. Deste modo, a redução das desigualdades na saúde vai para além do recurso desigual aos cuidados de saúde pelas classes e grupos sociais. A despesa directa das pessoas com a saúde aumenta, situando-se entre as três mais elevadas da UE e muito acima do que a OMS recomenda para evitar que os cidadãos tenham “gastos catastróficos” com a saúde.
A CGTP-IN reafirma por isso, uma vez mais, a sua solidariedade com a greve dos Médicos pela defesa e melhoria do Serviço Nacional de Saúde.
- A partir de: CGTP
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(Divulgação)
Médicos param para salvar SNS
Julho 7, 2014
Passados dois anos desde a última greve que mobilizou milhares, a classe médica estará outra vez em greve nos próximos dias 8 e 9 de Julho. Sabemos que não é uma situação que seja recorrente, sendo que são escassas as vezes que os médicos se mobilizam para greves.
Então porquê uma greve agora? Quais os motivos? Os motivos são óbvios: a defesa do SNS.
O artigo 64º da Constituição Portuguesa diz que todos têm direito à protecção da saúde e que este direito é realizado através de um sistema nacional de saúde universal e geral, tendencialmente gratuito. Sendo que a taxa moderadora num serviço de urgência hospitalar custa 20,65 €, o tendencialmente gratuito deve ter uma interpretação diferente para os nossos governantes.
Ao longo destes anos de austeridade, temos vindo a assistir a uma progressiva degradação do SNS, em que o recurso à saúde se torna cada vez mais complicado. É frequente ouvirmos nas notícias que vai fechar um Centro de Saúde, que encerraram maternidades, assim como serviços hospitalares de referência, tornando cada vez mais desigual o acesso aos cuidados. Mas tudo isto não chega, por isso limita-se o material existente nos hospitais, tornando-se uma verdadeira odisseia e com um toque de “desenrasque” tratar do bem mais precioso, a saúde.
E como se tudo isto já não dificultasse o desempenho de funções dos profissionais de saúde, ainda temos a famosa “lei da rolha”. Esta conduta de “ética” visa silenciar todos aqueles que pretendem defender aquilo que está no seu código deontológico, actuando pelos direitos e interesses legalmente protegidos dos cidadãos. Os profissionais do SNS “devem abster-se de emitir declarações públicas, por sua iniciativa ou mediante solicitação de terceiros, nomeadamente quando possam pôr em causa a imagem [do serviço ou organismo], em especial fazendo uso dos meios de comunicação social”, o que impede qualquer profissional de denunciar situações que possam colocar em causa a segurança dos utentes.
Com a nova categorização dos hospitais, encerram inúmeras valências, acabam duas especialidades médicas no serviço público - endocrinologia e estomatologia - e também se diminui o número de médicos especialistas e a necessidade de formação de novos especialistas, degradando a qualidade da formação médica e aumentando o número de médicos indiferenciados. Como consequência teremos listas de espera para determinadas especialidades ainda mais longas, com um acesso mais desigual das populações.
Esta greve é para evitar o colapso do Sistema Nacional de Saúde (SNS) que por decisões dos governantes teima em acontecer.
Não é uma greve apenas da classe médica, mas de todos os enfermeiros, técnicos, todos os profissionais de saúde que todos os dias se empenham em prestar cuidados de saúde de excelência aos seus utentes, que pretende garantir que se possam prestar cuidados de saúde em segurança para a população. Também os utentes são parte fundamental neste processo, e é de extrema importância que se juntem a esta greve, porque hoje é apenas um anónimo nas notícias que morreu numa ambulância a caminho do serviço de urgência demasiado longe, mas amanhã poderá ser um familiar nosso ou mesmo um de nós a ser noticia.
Os médicos fazem abertamente frente ao Ministério da Saúde e defendem os nossos utentes, para que estes possam ter cuidados de saúde como preconiza a constituição.
- A partir de: Precários Inflexíveis
terça-feira, 8 de julho de 2014
quarta-feira, 23 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
25 de Abril
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- Uma breve resenha de algumas conquistas sociais e económicas pós 25 de Abril e de como têm estado a ser demolidas. Acrescentaria, a tiros de canhão, pelos últimos governos, pelos partidos do arco e pela troika (aproveitando a crise financeira - que ajudaram a criar - como oportunidade para as sepultar bem fundo e definitivamente)
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sexta-feira, 4 de abril de 2014
Apesar do Dia Mundial da água já ter acontecido; a importância da mensagem da nota de imprensa da iniciativa "Água de Todos" mantém-se ...
Nota de imprensa – Março 2014
DIA MUNDIAL DA ÁGUA 2014
Consagrar o direito à água,
impedir a privatização
impedir a privatização
No dia 22 de Março assinala-se [assinalou-se] o Dia Mundial da Água, este ano sob o tema «Água e Energia». Dois bens essenciais à vida e dignidade humanas cujo controlo e gestão públicas são cada vez mais urgentes para assegurar direitos fundamentais, o desenvolvimento solidário e a conservação do meio ambiente.
No dia 22 de Março assinala-se [assinalou-se] o Dia Mundial da Água, este ano sob o tema «Água e Energia». São dois bens estratégicos sem os quais o progresso económico e a vida social não se podem sustentar. É por isso que são tão cobiçados e ambos têm vindo a ser alvo de políticas e medidas visando a sua apropriação privada e especulativa num processo ambientalmente insustentável e socialmente injusto.
De acordo com as Nações Unidas, em 2011, cerca de 768 milhões de pessoas não tinham acesso a água limpa e 2,5 mil milhões não possuíam serviços de saneamento adequados.
Mais de 1,3 mil milhões de pessoas não possuíam acesso à electricidade e aproximadamente 2,6 mil milhões utilizaram biomassa para cozinhar.
Esta realidade intolerável torna evidente que as políticas de água e de energia necessárias não podem ser as que dão mais lucro ao capital, nem são aquelas que depositam no “mercado” a resolução dos problemas ligados ao acesso a estes serviços essenciais, sob pena de se gerar mais desigualdade e exclusão. As políticas necessárias são as que, assegurando o controlo público destes dois bens essenciais e estratégicos, os coloquem ao serviço das pessoas, do desenvolvimento harmonioso e solidário e da conservação do meio ambiente.
Em Portugal: subordinação ao mercado e ao lucro
No sector energético, a privatização iniciada na década de noventa do século passado, conduziu a uma situação de monopólio privado na oferta de energia dominada pelos grandes interesses económicos com reflexos particularmente evidentes nos altos preços da electricidade e nos lucros especulativos anuais obtidos pela EDP, mais de mil milhões de euros em 2013.
No caso da água, o objetivo do governo, prosseguindo políticas de governos anteriores, é transformar a água num negócio altamente lucrativo e entregar à exploração privada as infraestruturas hidráulicas e os serviços públicos de água e saneamento conquistados e construídos a partir da Revolução de 25 de Abril.
É nessa linha que, nomeadamente, se integram as pressões e chantagens exercidas sobre as Autarquias para forçar a integração dos serviços municipais de águas nas empresas do grupo Águas de Portugal. Empresas que o governo pretende fundir e reduzir a apenas 4 para posteriormente as entregar de mão-beijada aos grupos privados. E é para garantir esse negócio que o governo atribuiu à ERSAR (Lei nº10/2014) o poder de definir os preços quer para os sistemas multimunicipais quer para os sistemas detidos pelos municípios, que serão obrigados a aplicar preços cada vez mais elevados, decididos pelo governo/regulador, violando grosseiramente a autonomia local e penalizando gravemente as populações.
As consequências desta política são já hoje evidentes, seja no caso dos sistemas multimunicipais com dezenas de municípios em situação financeira dramática decorrentes dos encargos de pagamento impostos pelo Governo/Águas de Portugal, seja no caso das concessões/privatizações municipais, negócios que como a recente Auditoria do Tribunal de Contas comprovou são altamente lesivos para os municípios e as populações que são obrigados pagar todos os custos, enquanto os privados arrecadam os lucros.
A factura da privatização: pobreza energética e hídrica
A subordinação destes serviços públicos ao mercado e ao lucro e o brutal empobrecimento a que milhões de Portugueses estão a ser forçados leva a que sejam cada vez mais as famílias que estão a ser “desligadas” do acesso a estes bens essenciais.
O Comité Económico e Social Europeu estima que apenas entre 2011 e 2012 o preço ao consumidor da eletricidade tenha aumentado quase 7%. Um acréscimo que se pensa que atirou cerca de 50 milhões de europeus para uma situação de pobreza energética.
Em Portugal, o preço da electricidade aumentou 32% nos últimos 3 anos, conduzindo milhares de famílias para uma situação dramática, patente no corte abrupto do fornecimento de electricidade em várias habitações dos bairros sociais da cidade do Porto. Mas os cortes não se circunscrevem aos bairros sociais. No distrito do Porto, só entre Janeiro a Outubro de 2012, foi cortada a electricidade a mais de 196 famílias e empresas por dia. No distrito de Setúbal, e em resposta ao Grupo Parlamentar do PCP, o Governo reconheceu que em 2013 a EDP procedeu a 43.658 cortes do fornecimento de electricidade, ou seja, quase 120 por dia.
Na água, a amplitude da exclusão está longe de ser conhecida, mas os dados conhecidos confirmam que o peso da factura, bem mais cara na gestão privada, é um obstáculo cada vez mais intransponível para o orçamento de milhares de famílias.
Em 2012, só em seis cidades, cerca de 6 000 famílias ficaram sem abastecimento de água potável por falta de pagamento cada mês (Visão, Novembro, n.º 1029). Na cidade de Lisboa, o governo confirma numa resposta aos deputados comunistas que a EPAL cortou em 2013 o abastecimento de água a 11 836 clientes domésticos, uma subida de 15,41% face aos cortes realizados em 2012 pela mesma empresa e de 17,8% em comparação com as interrupções por falta de pagamento realizadas em 2011.
E a situação não é mais grave porque pese embora as dificuldades as autarquias praticam ainda preços sociais. Por tudo isto o cenário da privatização afigura-se no mínimo aterrador.
Isto mostra que o direito humano à água e ao saneamento não só está longe de ser plenamente garantido e assegurado como é seriamente ameaçado pelas políticas em curso. No contexto actual, de grave crise económica e social, de ataque aos direitos e aos serviços públicos, a negação do acesso a estes serviços, em particular à água e ao saneamento, é ainda mais intolerável, na medida em que isso agrava de forma insuportável a vida das populações e põe gravemente em risco a saúde das pessoas.
Face a isto a Campanha «Água é de todos» reafirma que estes serviços são elementos essenciais à dignidade da vida humana. No caso da água, a sua natureza vital e essencial levou a Assembleia-Geral das Nações Unidas a aprovar, em Julho de 2010, uma Resolução consagrando o direito à água e ao saneamento básico como "um direito humano essencial para o pleno gozo da vida e de todos os direitos humanos. "
Isto significa que os Estados, como Portugal, e os governos, central e local, devem garantir o acesso à água potável e saneamento para todos os seus cidadãos e fazê-lo sob os princípios da universalidade e acessibilidade sem discriminação de qualquer condição, seja social, económica, de género, cultural ou outra; continuidade: o acesso deve ser garantido 24 horas por dia, 365 dias, princípios e objectivos que só uma gestão pública, democrática e participativa está em condições de proporcionar.
Um direito que não pode ser negado a quem não possa pagar, o que implica adoptar medidas que assegurem que os cidadãos e as famílias não sejam privados do fornecimento de água (e de energia eléctrica), nos períodos da sua vida em que se encontrem em situação de insuficiência de rendimentos.
Consagrar o direito à água, impedir a privatização
Assumindo a defesa do direito à água e o combate à privatização, a Campanha «Água é de todos» entregou no Parlamento em Fevereiro de 2013, a Iniciativa Legislativa de Cidadãos «Protecção dos direitos individuais e comuns à água», actual Projecto de Lei Nº 368/XII, subscrita por mais de 44 mil cidadãos, visando:
- Consagrar o direito à água e ao saneamento na legislação portuguesa, competindo ao Estado garantir e assegurar o seu efectivo cumprimento.
- Edificar uma política de água que dê prioridade à satisfação e necessidade humanas, ao interesse comum, à adequação ecológica e preservação da água.
- Impedir a privatização da água e dos serviços públicos, mantendo a sua propriedade e gestão na esfera pública e promover o regresso ao sector público dos serviços privatizados/concessionados.
Realizadas duas audições e após aprovação do parecer pela Comissão de Ambiente, o projecto de lei foi enviado no dia 3 de Julho de 2013 para a Presidente da Assembleia da República, onde aguarda o respectivo agendamento e debate para votação em plenário.
Esta é uma proposta que restitui direitos fundamentais e cumpre a vontade da enorme maioria da população portuguesa, largamente favorável à propriedade e gestão públicas da água. Por estas razões consideramos o seu debate inadiável e a sua aprovação uma exigência social, certos de que isso é indispensável para travar o empobrecimento, a exclusão e garantir que a água continuará a ser de todos e para todos.
A Comissão Promotora
Lisboa, 21 Março de 2014
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