segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Ocupemos o futuro"


(Divulgação)


Noam Chomsky: 


Temos a plutocracia e o precariado: o 1% e os 99%, como se vê no movimento Ocupar. Não são cifras literais mas sim, é a imagem exacta. O aspecto mais digno de entusiasmo do movimento Ocupar Wall Street é a construção de vínculos que estão a formar-se em toda a parte.


Artigo | 5 Novembro, 2011 - 01:14 | Por Noam Chomsky

Noam Chomsky, Boston, 22 de Outubro de 2011 - Foto de Occupy Boston no facebook


Dar uma conferência Howard Zinn é uma experiência agridoce para mim. Lamento que ele não esteja aqui para tomar parte e revigorar um movimento que foi o sonho da sua vida. Com efeito, ele pôs boa parte dos seus ensinamentos nisso.

Se os laços e associações que se estão a estabelecer nestes acontecimentos notáveis puderem sustentar-se durante o longo e difícil período que os espera – a vitória nunca chega logo -, os protestos do Ocupar Wall Street poderão representar um momento significativo na história norte-americana.

Nunca se tinha visto nada como o movimento Ocupar Wall Street, nem em tamanho nem em carácter. Nem aqui nem em parte alguma do mundo. As vanguardas do movimento estão a tratar de criar comunidades cooperativas que bem poderiam ser a base de organizações permanentes, de que se necessita para superar os obstáculos vindouros e a reacção contra o que já se está a produzir.

Que o movimento Ocupem não tenha precedentes é algo que parece apropriado, pois esta é uma era sem precedentes, não só nestes momentos, mas desde os anos 70.

Os anos 70 foram uma época decisiva para os Estados Unidos. Desde a sua origem este país teve uma sociedade em desenvolvimento, não sempre no melhor sentido, mas com um avanço geral em direcção da industrialização e da riqueza.

Mesmo em períodos mais sombrios, a expectativa era que o progresso teria de continuar. Eu tenho idade suficiente para recordar a Grande Depressão. Em meados dos anos 30, quando a situação objectivamente era muito mais dura que hoje, e o espírito bastante diferente.

Estava-se a organizar um movimento de trabalhadores militantes – com o Congresso de Organizações Industriais (CIO) e outros – e os trabalhadores organizavam greves e operações padrão a ponto de quase tomarem as fábricas e as comandarem por si mesmos.

Devido às pressões populares foi aprovada a legislação do New Deal. A sensação que prevalecia era que sairíamos daqueles tempos difíceis.

Agora há uma sensação de desesperança e às vezes desespero. Isto é algo bastante novo na nossa história. Nos anos 30, os trabalhadores poderiam prever que os empregos iriam voltar. Agora, os trabalhadores da indústria, com um desemprego praticamente ao mesmo nível que durante a Grande Depressão, sabem que, se as políticas actuais persistirem, esses empregos terão desaparecido para sempre.

Essa mudança na perspectiva norte-americana evoluiu a partir dos anos 70. Numa mudança de direcção, vários séculos de industrialização converteram-se numa desindustrialização. Claro, a manufactura continuou, mas no exterior; algo muito lucrativo para as empresas mas nocivo para a força de trabalho.

A economia centrou-se nas finanças. As instituições financeiras expandiram-se enormemente. Acelerou-se o círculo vicioso entre finanças e política. A riqueza passou a concentrar-se cada vez mais no sector financeiro. Os políticos, confrontados com os altos custos das campanhas eleitorais, afundaram-se profundamente nos bolsos de quem os apoia com dinheiro.

E, por sua vez, os políticos os favoreciam, com políticas favoráveis a Wall Street: desregulação, transferências fiscais, relaxamento das regras da administração corporativa, o que intensificou o círculo vicioso. O colapso era inevitável. Em 2008, o governo mais uma vez resgatou as empresas de Wall Street que eram supostamente grande demais para falirem, com dirigentes grandes demais para serem encarcerados.

Agora, para a décima parte do 1% da população que mais beneficiou das políticas recentes ao longo de todos esses anos de ganância e enganos, tudo vai muito bem.

Em 2005, o Citigroup – que certamente foi objecto em ocasiões repetidas de resgates do governo – viu o luxo como uma oportunidade de crescimento. O banco distribuiu um folheto para investidores no qual os convidava a investirem o seu dinheiro em algo chamado de índice de plutonomia, que identificava as acções das companhias que atendessem ao mercado de luxo.

O mundo está dividido em dois blocos: a plutocracia e o resto, resumiu o Citigroup. “Estados Unidos, Grã-Bretanha e Canadá são as plutocracias-chave: as economias impulsionadas pelo luxo”.

Quanto aos não ricos, às vezes chamados de precariado: o proletariado que leva uma existência precária na periferia da sociedade. Essa periferia, no entanto, converteu-se numa proporção substancial da população dos Estados Unidos e de outros países.

Assim, temos a plutocracia e o precariado: o 1% e os 99%, como se vê no movimento Ocupar. Não são cifras literais mas sim, é a imagem exacta.

A mudança histórica na confiança popular no futuro é um reflexo de tendências que poderão ser irreversíveis. Os protestos do movimento Ocupem são a primeira reacção popular importante que poderão mudar essa dinâmica.

Eu detive-me nos assuntos internos. Mas há dois acontecimentos perigosos na arena internacional que ofuscam todos os demais.

Pela primeira vez na história há ameaças reais à sobrevivência da espécie humana. Desde 1945 temos armas nucleares e parece um milagre que tenhamos sobrevivido. Mas as políticas do governo Barack Obama estão a fomentar a escalada.

A outra ameaça, claro, é a catástrofe ambiental. Por fim, practicamente todos os países do mundo estão a tomar medidas para fazer algo a respeito disso. Mas os Estados Unidos estão a regredir.

Um sistema de propaganda reconhecido abertamente pela comunidade empresarial declara que a mudança climática é um engano dos sectores liberais. Por que teríamos de dar atenção a esses cientistas?

Se essa intransigência no país mais rico do mundo continuar, não poderemos evitar a catástrofe.

Deve fazer-se algo, de uma maneira disciplinada e sustentável. E logo. Não será fácil avançar. É inevitável que haja dificuldades e fracassos. Mas a menos que o processo que está a ocorrer aqui e noutras partes do país e de todo o mundo continue a crescer e se converta numa força importante da sociedade e da política, as possibilidades de um futuro decente são exíguas.

Não se pode lançar iniciativas significativas sem uma ampla e activa base popular. É necessário sair por todo o país e fazer as pessoas entenderem do que se trata o movimento Ocupar Wall Street, o que cada um pode fazer e que consequências teria não fazer nada.

Organizar uma base assim implica educação e activismo. Educar as pessoas não significa dizer em que acreditar; significa aprender dela e com ela.

Karl Marx disse: a tarefa não é somente entender o mundo, mas transformá-lo. Uma variante que convém ter em conta é que, se queremos com mais força mudar o mundo, vamos entendê-lo. Isso não significa escutar uma palestra ou ler um livro, embora essas coisas às vezes ajudem. Aprende-se a participar. Aprende-se com os demais. Aprende-se com as pessoas com quem se quer organizar. Todos temos de alcançar conhecimentos e experiências para formular e implementar ideias.

O aspecto mais digno de entusiasmo do movimento Ocupar Wall Street é a construção de vínculos que estão a formar-se em toda a parte. Esses laços podem manter-se e expandir-se, e o movimento poderá dedicar-se a campanhas destinadas a porem a sociedade numa trajectória mais humana.

Este artigo é uma adaptação da intervenção de Noam Chomsky no acampamento Occupy Boston, na praça Dewey, em 22 de Outubro. Ele falou numa aatividade de uma série de Conferências em Memória de Howard Zinn, celebrada pela Universidade Livre do Ocupar Boston. Zinn foi historiador, activista e autor de A People’s History of the United States.

Artigo publicado no jornal mexicano La Jornada, tradução de Katarina Peixoto para Carta Maior


Sobre o autor »


Noam Chomsky

Linguista, filósofo e activista político americano


Avram Noam Chomsky (Filadélfia, 7 de dezembro de 1928) é um linguista, filósofo e activista político americano.

É professor de Linguística no Instituto de Tecnologia de Massachusetts.


Artigo publicado em:  esquerda.net


domingo, 6 de novembro de 2011

" (...) A União Europeia está a cavar a sua própria sepultura, que é a de todos nós"



Pela sua pertinência, aqui fica a divulgação de 1 artigo publicado em esquerda.net, com  resumos de declarações de Francisco Louçã:



“Com as políticas actuais a dívida no futuro será muito maior”, afirmou Francisco Louçã


Numa sessão do Bloco na Moita, o dirigente do Bloco defendeu que a esquerda deve votar contra o orçamento e criticou a abstenção do PS. Sobre o pedido da Itália ao FMI disse que “é uma antecipação da necessidade da Itália recorrer também a empréstimos, para os quais não há dinheiro, ou seja, a UE está a cavar a sua própria sepultura, que é a de todos nós”.

Artigo | 5 Novembro, 2011 - 03:38


“Sei que este não é o orçamento da Esquerda, é da Direita pura e dura, mas nós não voltamos as costas aos reformados e aos trabalhadores", afirmou Francisco Louçã na Moita.

“O secretário-geral do PS não teve a simpatia de comunicar ao povo o que resultou das duas reuniões que teve nos últimos dias com Pedro Passos Coelho, que foram à socapa”, afirmou Francisco Louçã numa sessão do Bloco de Esquerda na Moita, segundo a agência Lusa.

“Sei que este não é o orçamento da Esquerda, é da Direita pura e dura, mas nós não voltamos as costas aos reformados e aos trabalhadores. Por isso, a Esquerda recusa o orçamento. No programa do PS parece que estava escrito que só queriam tirar o subsídio de férias, eu não o li, devia estar em letras muito pequenas”, criticou ainda o coordenador da comissão política do Bloco, realçando que “com as políticas actuais a dívida no futuro será muito maior”

Sobre as políticas de austeridade, realçou que “em todos os casos temos um grupo de economistas fanáticos, delirantes e incompetentes, que acham que a solução para a crise é provocar uma recessão tão funda que torne possível baixar os salários. Segundo estes economistas, só há desemprego porque existem muitas pessoas a ganhar o ordenado mínimo com 485 euros".

Sobre a política do actual Governo, o dirigente do Bloco salientou: “Passos Coelho acredita que a razão da crise é os salários serem muitos altos e não as receitas fiscais terem diminuído e de haverem perdas fiscais imensas. Os economistas que dizem isto só aplicaram esta solução no Chile, na altura de Pinochet, e agora acreditam que estas soluções, que falharam na América Latina, podem ser postas em prática na Irlanda, Grécia, Portugal, Espanha ou Itália”.

Referindo-se à Grécia, Francisco Louçã disse que existe uma aspecto que já era evidente há muito tempo, que “as soluções autoritárias, a ‘troika’, não resultam e só agravam os problemas”, acrescentando que existe um dado novo que agora surge: “Uma crise grave do regime, pois uma parte do País não aceita ser governado por piratas. É um sinal para Portugal”. Lembrou ainda que a Grécia tem agora “uma administração colonial”, “uma particularidade, que é uma ameaça para Portugal, que é um Ministério residente da ‘troika’, em que todos os ministros gregos vão a despacho de vez em quando e isto originou uma indignação dos gregos, a que só podemos dar razão”.

Sobre a Itália e o pedido que fez ao FMI, o deputado do Bloco declarou: “A Itália é um país especial, que tem um primeiro-ministro em ‘part-time’, mas é a quarta economia mais forte da Europa. Este pedido é uma antecipação da necessidade da Itália recorrer também a empréstimos, para os quais não há dinheiro, ou seja, a União Europeia está a cavar a sua própria sepultura, que é a de todos nós”.


(Os sublinhados são da minha responsabilidade)


Artigo em:  esquerda.net

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

10 de Novembro - Este não é o nosso orçamento!




15O10NOV_badge



(Divulgação)


Mais informações:


Uma das propostas levadas à Assembleia Popular do passado dia 15 de Outubro foi a mobilização para uma acção de protesto no dia da discussão do Orçamento de Estado, para 2012, na generalidade.

Esta acção pretende deixar claro que o orçamento proposto não representa a sociedade civil no geral, nem os trabalhadores em particular.

A expansão do horário de trabalho em meia hora por dia, o ajustamento do calendário dos feriados, o ...aumento do IVA, os cortes na Saúde e na Educação e os cortes dos subsídios de natal e de férias, nos próximos dois anos, a quem aufira mais de mil euros mensais são algumas das medidas de brutalidade anunciadas ao país pelo chefe do governo que pretende avançar com um Orçamento de Estado que exige aos portugueses um «esforço adicional».

A convocatória dos portugueses para mais sacrifícios representa um retrocesso de mais de 100 anos na história na vida das pessoas, como é o caso claro da conquista de oito horas de trabalho diárias, a 1 de Maio de 1890, depois de uma manifestação internacional com contornos similares à convocada no passado dia 15 de Outubro; com a agravante do sacrifício dos subsídios de férias e de natal, conquistados há décadas, como sinal de que os seres humanos não são simples máquinas de trabalho.

Este Orçamento de Estado dá claros sinais de retrocesso civilizacional, democrático e de direitos laborais. O protesto é necessário! Por melhores condições de vida e pelo direito à indignação «face ao actual modelo de governação política, económica e social» como refere o manifesto do ’15.O’.

As declarações do chefe do governo são a garantia de que este é «um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa».


http://www.facebook.com/pages/15-Outubro/161447463927164
http://www.15deoutubro.net/
--

domingo, 30 de outubro de 2011

Governantes Político-Privados


1 Portefólio de luxo!


(É conveniente visualizar as imagens em ecrã inteiro)







Evolução dos rendimentos de 15 ex-governantes.

Começa com dados sobre os seus rendimentos antes de passarem pelo poder e termina com dados dos rendimentos após essa passagem.
Com base no livro de António Sérgio Azenha; Como os políticos enriquecem em Portugal, recentemente editado, pela Lua de Papel.



A partir de:   Expresso  e   reviralhos


sábado, 29 de outubro de 2011

Considerações intempestivas!



- A cristalinidade das águas!



- Exª:


1 - Você não é uma “ameaça” à sociedade, porque você dá-se, ou instála-se, em qualquer, seja qual for...

- Você, caso pudesse, e, fosse levado a sério;

- Seria, uma ameaça ao indivíduo,
- Seria uma ameaça às liberdades individuais,
- A sua mente, caro senhor, ainda não emergiu da idade das trevas!

- V. Exª; é um medievo. V. Exª, ainda julga o mundo plano (apesar de Erastótenes ter calculado o raio da Terra há já – 2 250 anos, e de Fernão de Magalhães a ter circum-navegado à 500).

- Você, não passa de um enfado!
- Você é um longo bocejo!

- Caso pudesse, caro senhor – você seria;
- 1 torcionário da mente!
- 1 amputador do livre pensamento!
- 1 poderoso biocida!

- Caso pudesse, caro senhor – você seria;
- 1 arrasador de montanhas,
- 1 aplanador de relevos,
- 1 alisador de superfícies.

- Você, olha para o mundo como 1 plano monótono,
- O seu mundo, caro senhor, é bidimensional.

- Você, é uma chatice – é o tédio personalizado!

- V. Exª é uma monotonia a perder de vista!


2 - Você, é um espartilho!

- V. Exª, reduz a complexidade deste mundo a 1 conjunto de compartimentos contíguos, iguais e todos higienicamente esterilizados!

- Você desinfecta, maniacamente, o mundo - a cada minuto – para enfrentar o quotidiano!

- V. Exª, não é uma pessoa – é um rudimento!


- Enquanto professor (caso o seja), você não é 1 estímulo – é uma inibição!

- Caso pudesse, caro senhor, você seria uma ameaça a tudo o que brota livre!


- Mas, acima de tudo, caro senhor, caso fosse levado a sério – V. Exª afigurar-se-ia apenas como 1 imbecil!



Ver  "Sol"  e   2+2=5


domingo, 23 de outubro de 2011

Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais (ONU)



Petição - Amnistia Internacional (divulgação):






O Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais é uma ferramenta crucial para garantir o respeito por direitos tão essenciais como o direito a alojamento adequado, alimentação, água, saúde, trabalho, educação e segurança social negados diariamente.
Peça ao Governo Português para ratificar o Protocolo e garantir todos os seus direitos.


O Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, aprovado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, irá permitir que indivíduos e grupos procurem justiça através da ONU quando os seus direitos sejam violados pelo governo e não conseguirem obter justiça localmente.


A 24 de Setembro de 2009, o Protocolo foi aberto para assinatura e ratificação pelos Estados.


Portugal assinou o Protocolo a 25 de Setembro de 2009, mas - três anos depois - ainda não o ratificou, apesar de ter tido um papel pioneiro da redacção deste documento.


Para que a população portuguesa tenha acesso a estes mecanismos, o Governo Português tem que ratificar o Protocolo, tornando-os lei.


Assine a petição pedindo que Portugal ratifique este Protocolo.


______________

(Petição - divulgação)



Ministro dos Negócios Estrangeiros
Dr. Paulo Portas
Ministério dos Negócios Estrangeiros
Largo das Necessidades - Palácio do Rilvas
1399-030 Lisboa

Vossa Excelência Dr. Paulo Portas


Expresso a minha satisfação perante o papel pioneiro desempenhado por Portugal na elaboração do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, que está aberto à assinatura, ratificação e adesão desde Setembro de 2009.


Desde essa data, apenas dois países ratificaram este Protocolo, o que está a impedir a sua entrada em vigor. Tendo em conta o papel de Portugal na elaboração deste Protocolo assim como a Resolução da Assembleia da República de 9 de Julho de 2010 que recomenda ao Governo Português que o faça, apelo a Vossa Excelência para que ratifique o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, garantindo assim às vítimas de violações dos direitos humanos, em particular dos direitos económicos, sociais e culturais, o acesso efectivo a recursos necessários para a realização daqueles seus direitos.

Desta maneira, Portugal demonstrará um compromisso claro na garantia de que todas as pessoas, em particular as que vivem em situação de pobreza, têm acesso à justiça internacional quando os seus direitos são violados e não conseguem obter compensação no seu próprio país.

Atentamente,



Petição em:   Amnistia Internacional   


quarta-feira, 19 de outubro de 2011

"heróis do mar ..."


(ou “cada povo tem o país que escolhe e que merece” ...)



Por ocasião deste período (particularmente) festivo, como é o da apresentação do O E para 2012 – exige-se uma, singela (embora, necessariamente, entusiástica) homenagem a este governo, e, a este país.

Nela reservando – merecidamente, será forçoso reconhecer -, um particular destaque a todos os inefáveis, e proféticos, mensageiros das suas (do orçamento) milagrosas virtudes.





segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Em homenagem aos inominados




Os 10 anos


1 - Os 10 anos do 11 de Setembro de 2001 foram (serão) profusos em divulgações, debates, imagens e cerimónias (à semelhança dos 9 anteriores).
- Já os mesmos 10 anos do 7 de Outubro de 2001 e os 8 anos do 19 de Março de 2003 (assim como certamente os 10 anos), não tiveram (ou não terão) esse privilégio.
(O 07/10/2001 e o 19/03/2003; datas sem qualquer carga simbólica, nem relevância, pelo menos no ocidente, ao contrário do 11/09/2001 – foram os dias da invasão do Afeganistão e do Iraque respectivamente –, este facto só por si, é já bastante significativo).

- Os títulos de inúmeros artigos, repetem, até à exaustão, as ideias-chave difundidas nos (e pelos) EUA e mundo ocidental:
- “11 de Setembro o dia em que o mundo mudou para sempre”,
- “11 de Setembro o dia do atentado terrorista mais mortífero da história”,
- “11 de Setembro o atentado terrorista mais brutal da história”,
- “11 de Setembro o dia em que tudo mudou”,
…

- Ficámos ainda a conhecer todo o tipo de dados e pormenores – divulgados à escala planetária:
- “1 283 milhões de dólares aprovados pelo Congresso para 'operações militares, segurança de base, reconstrução, ajuda externa, custos de embaixada e saúde dos veteranos' após o 11/09 ...”,
- “10 mil bombeiros, polícias e civis que responderam ao ataque no World Trade Center (WTC) têm stress pós-traumático”,
- “6 700 milhões de dólares foi o custo estimado em 2002 para a reconstrução das Torres Gémeas”,
- “10 858 pedaços de corpos humanos encontrados nos dias dos ataques”,
- “1 506 toneladas de destroços removidas do local”,
…

- Por oposição, os dados sobre os 8 anos de invasão do Iraque – divulgados pelo invasor – escasseiam (assim como escassearão sobre os 10 anos, por antecipação). Os EUA sempre se recusaram a fornecê-los – em particular os dados sobre o nº total de vítimas iraquianas.
- Fontes oficiais americanas, chegaram a alegar que “não contabilizavam terroristas ...”. Isto num contexto em que os terroristas eram (são) eles próprios – os invasores.

- Os mais de 1 milhão de mortos e os mais de 4 milhões de desalojados e refugiados, são as vítimas de uma campanha de propaganda mundial – construída a partir de 1 punhado de mentiras e de documentos forjados.
- Naquilo que constitui, seguramente, 1 dos maiores embustes da história (gozando os responsáveis de total impunidade – os imperadores não reconhecem as Leis Internacionais e são inimputáveis).

- E, devido a 1 qualquer acidente geográfico, o Iraque não fica situado no “civilizado” Ocidente (assim como o Afeganistão), logo os seus habitantes não gozam do estatuto de pessoas de direito próprio – são, antes, coisas ou seres de 2ª (descartáveis), sem direito ao escrutínio e à memória que outros têm, ou merecem …


2 – Por curiosidade, segue-se uma lista de alguns (36) programas/documentários, acerca do 11 de Setembro (a propósito do 10º aniversário do atentado), - difundidos mundialmente.
(A lista – extensa, embora não completa – é apenas referente às exibições de canais “temáticos”, sem qualquer referência aos canais “generalistas”, ou não, nem à imprensa de cada país …).

- Cada programa/documentário, a seguir referido, tem geralmente uma duração de 45' a 1h . Os títulos, assim como os resumos/descrições, são os fornecidos pelas estações.

- Canal National Geographic:

1 - “G. Bush e o 11 de Setembro” - “A entrevista com G. Bush sobre as suas memórias do 11 de Setembro...”,
2 - “O 11 de Setembro e o Sonho Americano” - “ Este filme é em memória pela perda do Centro de Negócios ...”,
3 – “Mohamed – O espião de Bin Laden”,
4 – “Giuliani – Ao comando do 11 de Setembro”,
5 - “O meu 11 de Setembro” - “Revisita o dia de pessoas que viveram o 11 de Setembro, como por exemplo o lavador de vidros do 93º andar do WTC ...”,
6 - “Bastidores – Na terra dos Talibã” - “Durante 8 anos os Talibã e a Al-Qaeda foram 1 obstáculo para as tropas do Estados Unidos e para a NATO ...”.

- Canal Odisseia:

7 - “O efeito tóxico do 11 de Setembro” - “No dia 11 de Setembro o mundo acordou com o atentado terrorista mais mortífero da história ...”,
8 - “Massoud – O afegão do destino” - “O afegão que morreu a 9 de Setembro de 2001 ...”,
9 - “11 de Setembro: Chamadas a partir das torres gémeas” - “Com o atentado terrorista mais brutal da história ...”,
10 - “11 de Setembro – Estado de Emergência” - “A 11 de Setembro o mundo mudou para sempre”,

- Canal História:
(Série de programas com o tema : “11 de Setembro, o dia em que tudo mudou”)

11 - “Dez formas de matar Bin Laden”,
- Episódio 1 - “O homem mais procurado da história ...”,
12 - “Dez formas de matar Bin Laden”,
- Episódio 2 - … ,
13 - “Abu Musad Al-Zarqawi, o porta-voz da Al Qaeda”,
14 - “11 de Setembro, 10 anos depois” - “... contamos a história da reconstrução da zona zero através de 5 pessoas ligadas aos trágicos acontecimentos... o operário que perdeu o irmão ...”,
15 - “102 minutos que mudaram os EUA” - “Programa cujo material provém ... de fotografias, vídeos, e filmagens de amadores, mensagens de voz gravadas ...”,
- Episódio 1,
16 - “102 minutos que mudaram os EUA”,
- Episódio 2,
17 - “Como vivemos o 11 de Setembro” - “... revivemos os factos a partir de testemunhas e jornalistas do panorama informativo espanhol e português ...”,
18 - “Memória do 11 de Setembro” - “... Na zona zero as duas praças estarão rodeadas de 1 parapeito de bronze com os nomes das quase 3 mil pessoas que perderam a vida … No programa irá guiar-nos o arquitecto Michael Arad ...”,
19 - “11 de Setembro, os dias seguintes” - “Já passaram 10 anos desde que a idade do terror começou a sério … desde então nunca é demais dizer que o 11 de Setembro 'mudou tudo' e que 'nada voltaria a ser o mesmo' … as mudanças foram culturais, sociológicas, intelectuais, emocionais e psicológicas, não só em Nova Iorque, mas em todo o mundo ...”,
- Episódio 1,
20 - “11 de Setembro, os dias seguintes”,
- Episódio 2,
21 - “Sobrevivi ao 11 de Setembro” - “3 cidadãos espanhóis e 1 português relatam-nos como viveram os trágicos atentados do 11 de Setembro ...”,

- Canal Discovery Channel:

22 - “Ground Zero: A reconstrução” - “Veja as características que irão tornar o 'One W. T. C.' tão singular: os elevadores mais rápidos dos EUA, sustentabilidade sem precedentes e uma espiral de 130 metros”
- Episódio 1 - “Reclamando o horizonte”,
23 - “Ground Zero: A reconstrução”,
- Episódio 2 - “Reclamando o horizonte”,
(Como curiosidade, a seguir a este 2º episódio passou 1 programa intitulado: “Armas de última geração – Choque e Admiração”, com a descrição: “Ninguém consegue igualar o armamento do exército americano.[prosseguindo com uma pergunta] Mas qual será melhor: 1 submarino nuclear USS Texas, ou ...”),
24 - “Ground Zero: A reconstrução – Um lugar de luto” - “A pressão aumenta para que o 'Memorial Plaza' seja terminado a tempo do 10º aniversário dos atentados, onde poderão ser encontradas Fontes gigantes e uma floresta de 400 árvores”,
25 - “Ground Zero: A reconstrução – Porta para Nova Iorque” - “À medida que a construção do 'One W.T.C.' continua, siga o progresso do 'Transportation Hub', que irá dotar a baixa de uma estação à altura da 'Grand Central'”,
26 - “Ground Zero: História dos destroços”,
27 - “Ground Zero: A reconstrução – Uma nova cidade” - “Conheça os homens e as mulheres cujo bairro ficou devastado pelo 11 de Setembro, e saiba como reconstruíram as suas casas e negócios. Explore o lado Este do 'One W.T.C'”,
28 - “Ground Zero: A reconstrução – Reconstrução do metro de Nova Iorque” - “Foster vai a Nova Iorque para investigar o mais importante projecto da história da cidade, a expansão do metropolitano no valor de 15 mil milhões de dólares”,
29 - “Situação Crítica – A emboscada da Al-Qaeda”,
30 - “Situação Crítica – O motim dos Talibã”,
31 - “Segundos Fatais – 11 de Setembro” - “Força aérea, segundos após o desastre: 9/11 segundo a segundo ...”,
32 - “A Primeira hora” - “11 de Setembro: A primeira hora começa por traçar o percurso do 9/11 ...”,
33 - “Contagem regressiva” - “Por dentro do 9/11 – Na segunda hora o relógio inicia a contagem para a hora zero ...”,
34 - “A Hora H” - “Por dentro do 11 de Setembro: Terceira hora regista com todo o detalhe o que exactamente aconteceu no trágico dia do 11 de Setembro ...”,
35 - “A Última hora” - “11 de Setembro: Quarta hora, a última e talvez a mais intensa desta série ...”,
36 - “Bastidores do 11 de Setembro” - “11 de Setembro – A guerra continua, acompanha a evolução da Al-Qaeda ...”.

- Como é assinalado, não há qualquer referência às horas dedicadas ao 11 de Setembro pelos outros canais (programas, reportagens, debates, imagens, etc), ou pela imprensa em cada país – afinados, quase completamente, pelo mesmo diapasão ...

- As anteriores descrições/resumos de cada programa (fornecidos pelos canais), dão, só por si, uma ideia do seu teor assim como da quantidade de informações fornecidas;
.“As 10 formas de matar Bin Laden”,
. A história da reconstrução da 'zona zero',
. As características singulares do novo 'One W.T.C.',
.. os elevadores mais rápidos dos EUA,
.. Uma espiral de 130 metros,
.. A construção do 'Transportation Hub' …,
. Ficamos a saber que o 'Memorial Plaza' vai contar com fontes gigantes e com 400 árvores,
. Somos guiados (as) numa visita por – Foster – para conhecer; o mais importante projecto da cidade – a expansão do metropolitano, no valor de 15 000 Milhões de dólares …,
. Ficamos a conhecer a história dos destroços,
. Somos, também informados (as), de que na 'zona zero' as duas praças estarão (estão) rodeadas de 1 parapeito de bronze com o nome das quase 3 mil pessoas que perderam a vida,
. etc, etc.

- Além do manancial de dados (divulgados pelos media), já referidos;

. 1 283 milhões de dólares aprovados pelo Congresso …
. 10 mil bombeiros, polícias, …
. 1 506 toneladas de destroços, …
…


O Mito da Isenção


- Por oposição, os dados do atentado terrorista cometido a 19 de Março de 2003 (invasão do Iraque, seguida da sua ocupação), são praticamente ignorados pelos EUA e claro em consequência, pela quase totalidade da Europa e do Ocidente em geral.

- Será a magnitude do atentado do 11 de Setembro superior, e mais grave, do que a do atentado do 19 de Março?

- Serão as 2 958 vítimas do 11 de Setembro, mais inocentes do que as mais de 1 Milhão do 19 de Março?

- Porque é que a chuva de bombas e mísseis de cruzeiro, lançados pela Força Aérea e Marinha dos EUA, sobre Bagdade – só no 1º dia (“Dia-A”), (300 a 400), numa operação intitulada pelos EUA, (seus autores e executores): “Choque e Pavor” - não é tão divulgada como os atentados às “torres gémeas”, e, é mesmo, praticamente desconhecida.
- Porque é que as imagens do “Dia-A” não têm o mesmo destaque, nos media, que têm os aviões a embater no W.T.C.?
- Há uma resposta que parece óbvia, a maciça “chuva” de mísseis de cruzeiro e bombas, que caiu sobre Bagdade no “A-Day” - classificada por um jornalista de uma estação de televisão americana como (Bagdade) parecendo o “inferno na terra” - são 1 incómodo para os EUA (e aliados), logo à que eliminá-las …

(Parece ainda haver 1 outro objectivo – a repetição, ilimitada, dos embates nas torres permite uma identificação emocional dos espectadores com as vítimas, e, simultâneamente salientar a mensagem de (auto) vitimização dos (pelos) EUA .
Mensagem que se pretende sobrepor a todos os acontecimentos posteriores (subalternizando-os) – pretendendo-se, desta forma (com a vitimização dos EUA), um efeito de desresponsabilização dos seus posteriores actos criminosos - invasão e ocupação (ilegais) do Afeganistão e do Iraque, assim como de todo o tipo de violações de direitos humanos e das leis internacionais).

- Há, uma óbvia filtragem das informações, das imagens e das mensagens.
- Em selectivas campanhas de, “informação” mediática.
- Enfatizam-se e empolam-se uns acontecimentos, enquanto se eliminam ou obliteram outros.

- A isenção e a imparcialidade dos media, e seus agentes, não passam senão de mitos …


Alguns dados …


- Seguem-se alguns dados, e informações, relativos à invasão e à ocupação do Iraque.
(Que não mereceram, merecem ou merecerão, notícias ou destaques nos media ...).

- A 19 de Março de 2003, 1º dia da invasão pelos EUA do Iraque – intitulado pelas chefias militares “A-Day” -, a Força Aérea e a Marinha americanas, lançaram 300 a 400 mísseis de cruzeiro (num só dia).
- “Mais do que se lançaram nos 40 dias da 1ª guerra do Golfo”. “A chuva de bombas foi tão forte, em ataques tão devastadores – a envergadura deste projecto nunca se viu antes ...”. Declararam fontes, militares, oficiais americanas.
- A tal operação - baseada na doutrina de Harlan Ullman (1 dos seus mentores) recorre, segundo este, ao uso do “poder esmagador” - atribuíram o significativo nome de “Operação Choque e Pavor”. Harlan Ullman, esclarece, “este [ataque] tem o efeito semelhante ao lançamento simultâneo de armas nucleares em Hiroshima – mas não lançadas em dias ou semanas, mas [sim] em minutos ...”.
“Além disso [continua], acaba-se com a cidade [Bagdade], ou seja despoja-se de electricidade, de água e começa uma campanha de desgaste; que ao fim de 2, 3, 4 ou 5 dias, está física, emocional e psicologicamente esgotada”.




- Cerca de 1 220 580 de mortes (estimativas de 2007).
. Uma pesquisa da Opinion Research Business, conduzida entre 12 e 19 de Agosto de 2007, estimou em 1 220 580 o número de mortes violentas devido à guerra no Iraque (entre 733 158 e 1 446 063).
. A revista The Lancet, num estudo das baixas após a invasão do Iraque, apontava dados idênticos.
. Os EUA não fornecem dados, tendo chegado a afirmar fontes oficiais (nos EUA ou no Iraque), que “não contabilizavam a morte de terroristas” …

- Sobre dados de saúde:
. Joseph Chamie, ex-director da Divisão da População da ONU e 1 especialista sobre o Iraque, afirmou que em relação aos cuidados de saúde, em 1991 o Iraque “estava na crista da onda” e que “agora parece 1 país da África sub-saariana”. (The World's Humanitarian News Site)

.. Cerca de 60% a 70% das crianças iraquianas (as que não morreram com a guerra) sofrem de problemas psicológicos. (idem).

- Cerca de 86% dos iraquianos não têm acesso a água potável.

- Cerca de metade dos médicos iraquianos abandonou o país desde 2003.

- Há cerca de 4,2 milhões de refugiados iraquianos.
. O “Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados”, estimou, a 21 de Junho de 2007, existirem mais de 4 milhões de refugiados – 4,2 milhões.
.. Sendo 2,2 milhões externos (para países vizinhos, essencialmente), e 2 milhões internos (deslocados internamente).
. Vivendo uma grande parte destes refugiados em comunidades empobrecidas e com pouca ou nenhuma atenção ou cuidados internacionais.

. Estimativas, apontam que só na Síria cerca de 50 000 mulheres e raparigas iraquianas, refugiadas, muitas delas viúvas - são forçadas à prostituição para sobreviver.

- A Human Rights Watch em 2006, estimava que cerca de 2 000 médicos iraquianos tinham sido mortos ou assassinados desde a invasão em 2003.

- Segundo a ONU cerca de 40% da “classe média” iraquiana fugiu do Iraque, após a invasão.

- Num relatório da Cruz Vermelha e, também, do Crescente Vermelho intitulado “Civis sem protecção: a crise humanitária sempre pior no Iraque”, de 11 de Agosto de 2007, é afirmado que milhões de iraquianos estão em situação desastrosa e com tendência para o agravamento.

- Enfim, podia-se continuar, por exemplo, com os relatos dos corpos e de pedaços de corpos (estes não contabilizados …) das dezenas ou centenas de iraquianos mortos diariamente, que jazem pelas casas e pelas ruas (por vezes) durante dias, decompondo-se, sem serem recolhidos. Muitos deles com visíveis sinais de maus tratos ou tortura …

- Em resultado da – ilegítima e ilegal – invasão e ocupação do Iraque, este encontra-se em grande parte em ruínas; com estruturas e infraestruturas em destroços;
- Escolas,
- Hospitais,
- Estradas,
- Pontes,
- Habitações,
- Cidades,
o que revela uma escala de destruição avassaladora.

- Além de uma, gravíssima, situação de caos humanitário (para os iraquianos).

- Factos que tornam, não só em relação à escala de destruição como em relação ao desastre humanitário, a situação iraquiana – absolutamente – incomparável ao 11 de Setembro.
Aliás, os ataques e atentados, diários, no Iraque – assim como as dezenas ou centenas de mortos e feridos, daí resultantes – há muitos anos que deixaram (ou praticamente deixaram) de ser notícia. Tornaram-se banais. Não têm qualquer relevância, tanto jornalística como humana.


Fallujah


- Esta cidade iraquiana, em 2003, antes da invasão, tinha uma população que rondava os 300 000 habitantes. Em 2004 a força ocupante no seu 2º ataque à cidade – numa operação militar intitulada, pelos seus responsáveis (militares) americanos, “Fhantom Fury” (“Fúria Fantasma”) - quase erradicou a cidade.

- Segundo o jornal britânico The Guardian, 36 000 das 50 000 casas foram destruídas, juntamente com 60 escolas e 65 mesquitas.
(Tendo, segundo algumas fontes, o que restou, ter ficado parcialmente destruído (ou com danos), como as infraestruturas da cidade – ruas, estradas ...).

- Segundo algumas fontes e testemunhas, morreram cerca de 15 000 iraquianos, em consequência do ataque.

- Segundo dados oficiais, do invasor, morreram 95 soldados americanos.

- E, o ataque, provocou ainda cerca de 150 000 refugiados.

- Ataque, onde, foram utilizadas armas químicas – como o fósforo branco – facto inicialmente negado pelos responsáveis americanos.
(Em violação das Convenções de Genebra - “Convention on Conventional Weapons” (Protocol III)).

- Afinal, prova-se que, sempre há armas de destruição maciça no Iraque – foram para lá levadas pelos EUA e utilizadas pelo seu exército.





Imagens do massacre de Fallujah – com testemunhos de militares americanos envolvidos no ataque. E com imagens da utilização de fósforo branco pelo exército americano.



Terroristas e inimputáveis
(Ou “piratas e imperadores” …)


- Há uma diferença fundamental entre as duas datas – ela reside entre quem perpetra o terrorismo.

- Num caso foi perpetrado pela Al-Qaeda e Bin Laden (que por acaso noutros tempos gozaram da simpatia e do apoio norte-americanos) - por “piratas” (a partir de Chomsky). E no outro foi (é) perpetrado pelos EUA (e Inglaterra) – por “imperadores” (ainda, a partir de Chomsky) – essa é a diferença fundadora e “legitimadora” de todas as diferenças …

- (Recuando um pouco no tempo) A invasão do Iraque foi decidida pelos EUA (com o apoio dos chefes de estado da Grã-Bretanha, Espanha, Itália e Portugal), com base numa gigantesca farsa “documental”.
- Kofi Annan, então secretário-geral da ONU, disse que a invasão “não respeitou a Carta das Nações Unidas e que esta (a invasão) tinha sido ilegal” - e que foi feita à margem da ONU.

- A superpotência mundial, vê-se como 1 estado acima da Lei Internacional. A superpotência faz a lei, ou molda-a, em função dos seus interesses e objectivos.

- Mais alguns dados;

- Em 1986, após uma condenação feita pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), (ONU), aos EUA – de violação do Direito Internacional, por actos terroristas (caso Nicarágua). Estes em resposta, retiraram a jurisdição compulsória daquele tribunal sobre o seu país. Afirmando, apenas aceitar a Jurisdição do TIJ “numa base caso a caso” (ou por outras palavras, aceitar apenas as decisões que quiserem ou que lhes convier).
- O Secretário (americano) George Shultz, acerca da decisão do TIJ de condenação dos EUA, troçou daqueles que defendem “meios utópicos e legalistas com mediação externa, a ONU e o TIJ, ao mesmo tempo que ignoram o elemento 'poder' da equação”. (1)

- Também em relação ao Tribunal Penal Internacional (TPI), os EUA não assinaram (ou ratificaram) o “Estatuto de Roma” do TPI – indicando, que não pretendiam ser estados membros (do TPI) – e como tal permanecem sem qualquer obrigação (ou vinculação), perante decisões oriundas deste Tribunal Internacional. Os EUA, foram acompanhados por Israel e o Sudão.
(O “Estatuto de Roma” do TPI foi aprovado e adoptado em 17/07/1998, com 120 votos a favor, 7 votos contra e 21 abstenções – os 7 países que votaram contra foram: China, Iraque, Israel, Qatar, EUA e Iémen).

- O TPI não tem jurisdição universal devido à oposição dos EUA.

- A doutrina de Estado fora-da-lei, ou estado pária (citando Chomsky), foi, também, defendida por Clinton na ONU (a 27 de Setembro de 1993), onde afirmou que os EUA actuariam “multilateralmente quando possível, mas unilateralmente quando necessário” (2). Posição reiterada 1 ano depois por M. Albright, embaixadora na ONU, anunciando que; os EUA actuarão “multilateralmente quando pudermos, e unilateralmente quando formos obrigados” em áreas “que reconhecermos como vitais para os interesses nacionais americanos” (3).

- Em 1999, o Secretário de Defesa William Cohen declarou que os EUA estão empenhados no “uso unilateral do poderio militar” na defesa dos seus interesses vitais, incluindo “a garantia do acesso irrestrito a mercados essenciais, fontes de energia e recursos estratégicos” e a tudo o que Washington determinar como estando dentro da sua “jurisdição interna”. (4)

- Colin Powell afirmou no “Fórum Económico Mundial” (pouco antes da invasão do Iraque); “Quando sentirmos que devemos fazer algo, fazêmo-lo, mesmo que ninguém nos acompanhe”. (5)

- Bush fez várias afirmações idênticas (além de ter apresentado o conceito - ilegal, segundo a legislação internacional - de guerra preventiva).

- Portanto, a invasão e ocupação do Iraque em que os EUA actuaram (e actuam) à margem e acima das Leis Internacionais (e de acordo com os seus interesses) – como um país fora-da-lei (à margem da ONU e contra a ONU, a carta das Nações Unidas, o Tribunal Internacional, Convenções de Genebra) – estão em conformidade com a doutrina oficial e pública dos EUA (citando ainda Chomsky).

- No Afeganistão, estima-se em cerca de 40 000, o número de mortos civis após a invasão (e até ao momento).

(Se se recuasse mais no tempo, seria necessário referir, por exemplo;
- Os cerca de 4 Milhões de mortos em resultado da ocupação do Vietname (além dos milhões de feridos e estropiados).
Onde foram despejadas mais de 1 Milhão de toneladas de bombas – pelos mais de 5 000 aviões e helicópteros americanos. E o uso de armas químicas (em doses maciças), como o napalm, lançado sobre florestas, povoações, homens, mulheres, crianças. Em crimes hediondos …
. O Cambodja, o Vietcongue, o Laos, …,
- As centenas de milhar de mortes na Guatemala, levadas a cabo pela ditadura militar instalada pela CIA, para defender os interesses dos EUA, suas empresas e corporações (além dos mais de 100 000 desaparecidos) – após golpe de estado (instigado pela CIA) contra presidente democraticamente eleito,
- Os golpes militares na América Latina e as ditaduras militares que se seguiram, instigados (as) e/ou apoiados (as) pela CIA e EUA (Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Brasil, …), e de onde resultaram mais de 60 000 mortos, mais de 30 000 desaparecidos e cerca de 
400 000 presos (e torturados) – com a promoção e implementação dos mais tenebrosos crimes,
- etc, etc, etc),

- Os EUA apresentam-se, no plano internacional, como o paradigma do país para quem a lei se encontra na “ponta das baionetas” (ou nos mísseis, nos F-16, nos tanques, nos helicópteros “Apache”) e não no respeito do Direito Internacional.
(Paradigma que partilha, quase em exclusivo, com o seu estado-cliente – Israel.
Este, violando sistematicamente e impunemente – há dezenas de anos – dezenas de resoluções da ONU, cometendo todo o tipo de violações e crimes sobre a Palestina e o seu povo. Contando, para tal, com o abrigo e a protecção do guarda-chuva dourado dos EUA - reduzindo a pó tudo o que é Direito Internacional).

- Revelando-se, desta forma, estes 2 países como as principais ameaças ao direito e à paz internacionais!



- O mais de 1 milhão de mortos no Iraque e os mais de 4 milhões de refugiados iraquianos, apesar de tão inocentes como as 2 958 vítimas do WTC, não têm o mesmo estatuto de humanos que estas últimas. Estão a 1 nível diferente!

- E, os responsáveis dos atentados no Iraque, ao contrário dos responsáveis dos atentados do WTC, não tiveram – nem têm – a cabeça a prémio, nem se “procuram vivos ou mortos”. Apesar dos seus crimes serem mais graves e de dimensões incomparavelmente superiores.

- A chamada “luta contra o terrorismo”, foi ainda pretexto para todo o tipo de abusos, e, violações dos direitos humanos; maus tratos, tortura – Abu Ghraib, Guantánamo, o rapto de cidadãos inocentes (e os voos “secretos” da CIA), a criação (ou manutenção) das prisões “privadas do Império”, …





Documentário da HBO sobre as torturas em Guantanamo e Abu Ghraib


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- Ficámos a saber que a lista das 2 958 vítimas do WTC, foi lida em cerimónia pública – de dimensão planetária - durante, cerca de,
4h 20'.

- Se as mais de 1 milhão de vítimas iraquianas tivessem o mesmo privilégio – seriam necessárias mais de 1 465h, ou seja, mais de 2 meses (ininterruptos).




- Em homenagem às vítimas, cujos nomes não vão ter o direito a ser gravados a bronze em qualquer memorial!


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(1) – George Shultz, “Moral Principles and Strategic Interest”, palestras na Kansas State University, 14 de Abril de 1986, reeimpresas em U S Dep. of States, …
(2) – Bill Clinton, discurso perante a Assembleia Geral da ONU, 27 de Setembro de 1993.
(3) – Middle East International, 21 de Outubro de 1994.
(4) – W. Cohen, Annual Report to the President and Congress: 1999 (Depart. de Defesa 1999).
(5) – Wall Street Journal, 27 de Janeiro de 2003.


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             Os EUA no Iraque - pela WikiLeaks



quinta-feira, 29 de setembro de 2011

De Mário Viegas e outros poetas ... (2)







- De Arnaldo Saraiva

Portugal


Os novos donos tropeçam nos antigos
   enchem os grémios as igrejas as
                         p
                           a
                              n
                            ç
                          a
                        s
coçam pudicamente as partes da vergonha
trocam galhardetes
             salamaleques
                        tintas
                      pluralistas

pálidos ainda ontem ei-los agora inchados
heróis auto-condecorados da coisa pública
            não tiram o olho da privada

a meteorologia é-lhes favorável por enquanto
                   mas temem os tremores
            da terra
em nome da vida (curta)
            soletram a história sono lenta

disse Pessoa
       A Europa jaz, posta nos cotovelos.
       O rosto com que fita é Portugal.

              Os novos donos velhos
   estão com a Europa deles que está com eles
mas viram pessoas (e coisas) do avesso
   onde se via “rosto” su/põem eles “traseiro”

e divertidos com a fita

                  a
       lá vão c  ntando evacuando
                  o

    patrioticamente
  até Portugal ser “de novo” um país de

           h
         c   a   c   a
                     h


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

15 de Outubro







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PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO

− Pela Democracia participativa.
− Pela transparência nas decisões políticas.
− Pelo fim da precariedade de vida.

Somos “gerações à rasca”, pessoas que trabalham, precárias, desempregadas ou em vias de despedimento, estudantes, migrantes e reformadas, insatisfeitas com as nossas condições de vida.
Hoje vimos para a rua, na Europa e no Mundo, de forma não violenta, expressar a nossa indignação e protesto face ao actual modelo de governação política, económica e social. Um modelo que não nos serve, que nos oprime e não nos representa.

A actual governação assenta numa falsa democracia em que as decisões estão restritas às salas fechadas dos parlamentos, gabinetes ministeriais e instâncias internacionais. Um sistema sem qualquer tipo de controlo cidadão, refém de um modelo económico-financeiro, sem preocupações sociais ou ambientais e que fomenta as desigualdades, a pobreza e a perda de direitos à escala global. Democracia não é isto!

Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.

Queremos uma Democracia onde os mais ricos não sejam protegidos por regimes de excepção.
Queremos um sistema fiscal progressivo e transparente, onde a riqueza seja justamente distribuída e a segurança social não seja descapitalizada; onde todas as pessoas contribuam de forma justa e imparcial e os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados.

Queremos uma Democracia onde quem comete abuso de poder e crimes económicos e financeiros seja efectivamente responsabilizado por um sistema judicial independente, menos burocrático e sem dualidade de critérios. Uma Democracia onde políticas estruturantes não sejam adoptadas sem esclarecimento e participação activa das pessoas. Não tomamos a crise como inevitável. Exigimos saber de que forma chegámos a esta recessão, a quem devemos o quê e sob que condições.

As pessoas não são descartáveis, nem podem estar dependentes da especulação de mercados bolsistas e de interesses financeiros que as reduzem à condição de mercadorias. O princípio constitucional conquistado a 25 de Abril de 1974 e consagrado em todo o mundo democrático de
que a economia se deve subordinar aos interesses gerais da sociedade é totalmente pervertido pela imposição de medidas, como as do programa da troika, que conduzem à perda de direitos laborais, ao desmantelamento da saúde, do ensino público e da cultura com argumentos economicistas.

Os recursos naturais como a água, bem como os sectores estratégicos, são bens públicos não privatizáveis. Uma Democracia abandona o seu futuro quando o trabalho, educação, saúde, habitação, cultura e bem-estar são tidos apenas como regalias de alguns ou privatizados sem que daí advenha qualquer benefício para as pessoas.

A qualidade de uma Democracia mede-se pela forma como trata as pessoas que a integram.
Isto não tem que ser assim! Em Portugal e no mundo, dia 15 de Outubro dizemos basta!

A Democracia sai à rua. E nós saímos com ela.

Organizações subscritoras Acampada Lisboa – Democracia Verdadeira Já 19M
Alvorada Ribatejo
Attac Portugal
Indignados Lisboa
M12M – Movimento 12 de Março
Movimento de Professores e Educadores 3R’s
Portugal Uncut
Precários Inflexíveis
 




A partir de   PT UNCUT


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

17 de Setembro



- 17 de Setembro às 17h, Rossio - Concentração/Protesto.

- Contra o desmantelamento da Cultura e Artes.

- "Artistas e Públicos Indignados"





Informações em    precári@s inflexíveis 


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

"Ó ninfas dos bosques, chorai ..."









- Gombert (Séc. XVI)



As sombras da morte envolvem-me!
Tormentos infernais cercam-me!



Chorai, ó musas chorai, filhas melodiosas do poderoso Júpiter!
Os ciprestes curvam-se sobre si – Josquin morreu.
O ornamento dos templos e o vosso.

Ó morte cruel e sinistra que privais os templos e as aristocratas residências da doce música.
Amaldiçoada sejais, por nos privares do bem e nos deixares o mal.

Mas atenta, morte infame: Apolo, munido de suas armas ameaça destruir-te e exorta as musas a adornar seus cabelos de louro e ouro.

Josquin, diz-nos que foi caro a Júpiter. Triunfando agora entre os celestiais residentes,
entoando a sua doce música
adorno dos templos
e das musas.