segunda-feira, 4 de março de 2024
quarta-feira, 8 de dezembro de 2021
Os injustiçados
- Duas “vítimas” da justiça nacional vieram recentemente reclamar na praça pública.
A consternação moveu-os; nos media revelaram-nos o quão chocados e humilhados se encontram.
- 1 formou-se em subtrair poupanças e outros bens.
O outro tornou-se especialista em bandidagem.
- 1 afirma haver (na cena do crime nacional) gente pior.
O outro afirma-se justiceiro.
- 1 não mostrou arrependimento.
O outro disse que voltaria a repetir tudo (coisa que faz a cada dia; qual, bandido, viciado e incurável).
- 1 não tem pingo de vergonha.
O outro, além disso, instila repulsa e asco.
- Ambos nutrem especial apreço por animais domésticos:
1 tem inclinação por canídeos, o outro prefere felinos.
- 1 tem longa carreira no meio bancário.
O outro ascendeu, recentemente, como cruzado movido pela senda da justiça e da perseguição sem tréguas a todos os criminosos (com a condição, obviamente, do criminoso não ser o próprio).
- 1 pede indulto.
O outro quer 3 tachos ministeriais no governo.
- 1 escapou e encontra-se a apanhar sol em parte incerta.
O outro – por enquanto – não.
- Ambas as personagens comungam da mesma opinião: o tribunal europeu é que irá trazer a reparação e a justiça.
- Acrescente-se que, quanto a isso; o 2º, sabe-se, tem o alto patrocínio divino assegurado. Quanto ao outro, desconhece-se.
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
Excepcionalistas (notas avulsas)
quinta-feira, 5 de agosto de 2021
"O Corvo" de Allan Poe
- Uma das raras possibilidades de ouvir Poe, magnificamente declamado e musicalmente acompanhado ...
“This it is and nothing more”
quinta-feira, 29 de julho de 2021
O Sangue jorra d’esguelha da pala das ditaduras ...
- Relembrando as sanguinárias
e odiosas ditaduras militares na América Latina - apoiadas, instigadas,
instaladas pela CIA e pelos EUA (1)
terça-feira, 20 de julho de 2021
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
O Reverendo
Perdido há séculos na bruma, emerge finalmente do nevoeiro para cumprir Portugal.
O prosaico
1 – Internamente, para tal, mobilizará os humilhados, os ofendidos, os esquecidos.
2 – Externamente, virão, sem dúvida, em seu auxílio as forças anti-corrupção internacionais; Orbán, Le Pen, Salvini, os “identitários” (austríacos, franceses, italianos, alemães, …), “supremacistas brancos” de latitudes várias, skinheads onde quer que estejam (Bolsonaro, acompanhado dos esqueletos da ditadura militar brasileira, marcará também presença) ...
3 – É claro que a sua principal pretensão é colocar-se no púlpito nacional e ter à sua frente hordas de fervorosos seguidores e idólatras batendo no peito em fervorosos êxtases místicos.
- Pois, que venha a “Reconquista da Europa”. (talvez o SARS-CoV-2 e o divino ajudem).
sábado, 19 de dezembro de 2020
Bolachas
De farinha e água
acostumadas
amassadas
arredondadas
espalmadas
enformadas
formatadas
empacotadas
embaladas
acabadas
(depois)
intermediadas
distribuídas
vendidas
(a gosto)
compradas
levadas
guardadas
arranjadas
agarradas
conduzidas
mastigadas
dentadas
ensalivadas
deglutidas
ingeridas
digeridas
defecadas!
sexta-feira, 15 de março de 2019
A ti ...
domingo, 10 de janeiro de 2016
Naufrágio
Diluo-me,
a cor a forma a substância
fundem-se
liquefeito,
escorro
pelo rugoso soalho
aleatório
espalho-me
informe,
preencho cada
reentrância
salto cada
saliência
ondulo,
ao ritmo
descoordenado
do contentor
molécula a molécula
a amálgama
é sugada
pelas porosas paredes em volta,
alastro
reencontrada,
cada gota
acelerada tomba
expludo a cada embate,
fragmento-me
partículas mil
em redor
são projectadas,
estilhaçam-se
no exterior,
a tempestade uiva
os silvos
as ondas,
fustigam
os mastros
oscilam
em direcções múltiplas,
desordenados
rangem
outrora velas
os farrapos
são sacudidos,
violentos
contorcido,
o casco
quebra-se
doloroso
longos,
inaudíveis
gemidos
perdem-se
em redor
inúteis
a tormenta
incessante
de vaga em vaga
lança os escombros
despedaçado
nos oceanos infindos
longe
os destroços
flutuam …
alastram ...
domingo, 20 de dezembro de 2015
Foge comigo!
Vem comigo!
foge comigo!
rumamos ao Pólo Sul
ao fim do mundo
fraco
e trémulo
perante ti
arrebatado
em mim
subimos à Lua
ao astro opalino
no topo da noite
saltamos de cratera em cratera
empoeiramo-nos de cometas
bebemos os raios de sol
no lado escuro da Lua
pulamos até Marte
rebolamos nus
nas areias ferruginosas
deslizamos velozes
pelos longos vales
e escarlates
sondamos Marte
pesquisamos Marte
investigamos Marte
descobrimos Marte
ah!
a teus pés
com o peito latejante
e o coração em Neptuno
olho-te,
a cada pulsação
venero-te
querida Inês,
bela Inês,
febril
envolvo-te
saboreio teus lábios
sequioso,
banho-me em tua pele
mergulho em ti
refresco-me em ti
nado em ti
em tuas puras águas
pairo
tuas cristalinas águas
descubro,
(re)descubro-me ...
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Animais de guarda
Têm-se mostrado
particularmente agitados …
Buldogues, pitbulls e raças afins
têm sido reveladas
abundantes
pela situação existente
Após o ladra mor
enraivecido
caninos de pedigree
têm nervosos
ruidosamente grunhido
De focinho arreganhado
a matilha tem corrido, saltado e despedaçado
incessante
A baba fétida e viral
tem irrompido imparável
em jorros pela praça
De caninos em riste
em exibições de grupo
rosnam, cheiram-se, guincham
pela pradaria pública
Como animais territoriais
por excelência e selecção
têm com zelo
feito a defesa do seu …
… canil!
sábado, 5 de setembro de 2015
Imagens
segunda-feira, 20 de julho de 2015
Soltas
Il me manque tous
Ó loucura cavalgando sem freio
abrasiva esfoliação
do torpor irado
a alma sangra
o espírito endurece
a apatia reina
a toponímia impossível
o sentimento
ficou exposto
ao sol
à intempérie
seco
feneceu
de abrasão
de dor
só!
a familiar estranheza
o absurdo quotidiano
o imperativo minimalista
passa ausente
o horror lávico
cai gelado
na extremidade
do gesto
o tumulto ressalta
num frémito vazio
Ahhh!
ó dor primeva
feita espaço
habitável
inabitável!
o grito disforme de Munch
a vibrar mudo
no suporte intemporal
o turbilhão erosivo
consome
os fluídos deslizam
cáusticos
entre os escombros
algum despojo
perdido
esquecido
em vão procuro
do tempo ausente
o reflexo
impossível
e translacional
na tela de Klee
em redor observo
escaramuças de pigmeus
o rir escarninho
de idiotas
o chiste gratuito
a mesquinhez rotineira
do quotidiano previsível
sem pingo
de elevação
sem vestígios
de centelha
sem reticências
de assombro
o vislumbre
do sentido inexistente
o horror pungente
inflamado
no rosto
ó inquietude
universal
que em mim habitas
despojado
ergo-me hirto
enfrentando o silêncio
o abismo abre
a dor enche
plena
furtiva
apenas ruínas na vastidão
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Al otro lado del rio ...
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domingo, 3 de agosto de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
Sem tempo! …
Há! quisera,
palavras ter
de mim fugidias,
em vão
procuro,
sem ti!
Eu,
desejara
o ilusório espaço
eliminar!
e, num infindável amplexo
tua frágil beleza
suster
tua cambaleante nudez
cobrir
tua lacrimejante seiva
acolher
em mim,
impregnar!
Febril,
anseio
em ti!
por ti!
Há! ...
pudera
em teus olhos
fadigas
repousar
em teus lábios,
meus,
saciar!
em tua alva pele,
pela madrugada, exausto
adormecer,
tormentas mil,
aplacar!
Há! …
reviver
soubesse
e teu corpo
mapear …
Ó dor
imensa!
que o espaço
vasto,
não dissolve!
Ó ausência!
pairando pela noite
em mim
que cego tacteio
perdido
sem tempo, já!
sexta-feira, 7 de março de 2014
Dedicatória
Un pas de danse
une pirouette
un vol
un ballon
une explosion
un rêve
une douler
du peur
avec vous
par vous
Toujours!
sans vous! ...
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