sábado, 7 de maio de 2011

Inevitável o quê?! (4)

- Propostas?!, Alternativas?!, Soluções?!,  (4)

- Em defesa da memória (e contra o esquecimento)!  (4)

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- Proposta  4  -  Do Bloco de Esquerda



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- Texto de apresentação da proposta (divulgação):


Bloco propõe “Agricultura Contra o Endividamento”




A quarta proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda no seu programa eleitoral defende a Agricultura contra o endividamento do país.


5 Maio, 2011 - 18:38


A quarta proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda no seu programa eleitoral defende a Agricultura contra o endividamento do país.

A quarta proposta apresentada pelo Bloco de Esquerda no seu programa eleitoral defende a Agricultura contra o endividamento do país.


Partindo do défice da balança agro-alimentar, que custa 3,5 mil milhões em endividamento, o Bloco apresenta um conjunto de quatro propostas para recuperar a produção agrícola, como forma de reduzir a dívida e recuperar a soberania alimentar.


Desde logo, a criação de um Banco Público de Terras constituído pelas terras agrícolas de propriedade pública e as terras abandonadas inscritas pelos proprietários como alternativa a uma penalização do IMI. A gestão deste Banco de Terras será assegurada pelo Estado, sendo o seu acesso realizado por concurso público, conferindo prioridade a quem já trabalha esses terrenos, aos jovens agricultores ou a quem se quer dedicar à actividade agrícola como principal fonte de rendimento.


A segunda medida constante desta proposta visa a regionalização do Regime de Pagamento Único (RPU), por forma a existir maior justiça na repartição das ajudas directas na negociação da nova Política Agrícola Comum.


Os preços justos no produtor constituem a terceira medida, sendo para tal necessário estabelecer prazos máximos para pagamento aos produtores, intervir ao nível das relações comerciais através da elaboração de um Código de Boas Práticas Comerciais para o Sector Agro-Alimentar, incluir na rotulagem dos produtos agro-alimentares não transformados por grandes superfícies a indicação do preço pago aos produtos, além do preço de venda final, por forma a conferir maior transparência ao consumidor. Para a implementação desta medida será ainda necessário promover o estabelecimento de contratos tipo entre produtores e grossistas ou retalhistas que definam quantidades, especificações técnicas e de qualidade dos produtos, duração e preço de base no produtor.


A última medida inserida nesta proposta visa promover a qualidade e os mercados locais, favorecendo mercados de proximidade e garantindo o escoamento dos produtos agrícolas em circuitos alternativos.



Artigo e texto da proposta em   http://www.esquerda.net/

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A Doutrina do Choque - de Naomi Klein





A Doutrina do Choque from Muito Aterrorizado on Vimeo.





“A doutrina do choque” é o título do livro de Naomi Klein (escritora e jornalista) que serviu de base a esta interessante, pertinente e actual produção (com o mesmo nome). Produção onde Naomi Klein apresenta a sua escrita.

Seguem-se algumas notas, transcrições e uma tentativa de resumo (de forma livre e pessoal), deste seu trabalho.


1 - Milton Friedman (anos 50) e a doutrina económica liberal – neo-liberal;

- Do mercado livre,
- Do “laissez faire, laisser passer”,
- Da desregulação,
- Da “auto-regulação” dos mercados,
- Do estado mínimo.

- O Chile de Pinochet (onde Friedman pediu a Pinochet “tratamento de choque” como “terapia de cura” económica …), a Venezuela, a Argentina (entre outras ditaduras da América Latina) e o Brasil - como laboratórios da Doutrina do Choque e do neo-liberalismo de Friedman, da Escola de Chicago e dos seus “Chicago boys”.

- Seguindo-se, a implantação generalizada da doutrina capitalista neo-liberal, com Reagan e Thatcher (amiga pessoal de Pinochet), ao leme.

- Thatcher e o neo-liberalismo;

. as ondas privatizadoras,
. os cortes nos gastos públicos,
. a desregulação do sistema financeiro,
. o “Big Bang” inglês.
O desemprego duplicou em alguns sectores da economia.

- O neo-liberalismo e o acentuar das desigualdades;

- No Reino Unido, antes de Thatcher, 1 director executivo (CEO) de uma empresa, ganhava 10 vezes o vencimento do trabalhador médio.
Em 2007, o mesmo director ganhava 100 vezes o vencimento do trabalhador médio.

- Nos EUA, antes de Reagan, 1 director executivo (CEO), ganhava 43 vezes o vencimento do trabalhador médio.
Em 2005, a relação passou a ser de 400 para 1.


2 - O surgimento do capitalismo selvagem na ex-URSS.

- O país da venda ao desbarato das empresas estatais (pós União Soviética),
- A implementação do neo-liberalismo pelos “Chicago boys”,
- Em 92, a média dos russos consumia menos 40% do que no ano anterior,
- A “terapia de choque”, receitada pelos EUA e pelo FMI (como receita económica) – provocou um gigantesco desastre económio e social,
- Entre 90 e 95, registou-se uma queda de cerca de 50% do
PIB - e da produção industrial,
- A taxa de mortalidade infantil disparou,
- A “teoria do choque”, preconizada, atirou cerca de 140 milhões de pessoas para a pobreza.
De cerca de 1,5% de pobres em 1990 (fim da União Soviética), passaram a existir 40 a 50%, em meados de 93,
- A corrupção generalizou-se e tornou-se norma,
- O crime organizado disparou, tendo-se Moscovo convertido no novo oeste selvagem americano,
- Os novos empresários adquiriram influência política – criando uma casta de oligarcas,
- Cerca de 70 000 empresas estatais fecharam,

(Alguns paralelismos se podem fazer com a situação na China (onde um capitalismo selvagem vigora), onde 1 poder político autoritário e ditatorial, colabora com o novo poder económico - defendendo um regime favorável às novas elites sociais e económicas)

3 - O choque e a guerra.

- O domínio e a esploração de bens e recursos dos países por corporações privadas,
- O Iraque como exemplo paradigmático,
. a tortura (Abu Ghraib, Guantánamo, …),
. o poder da indústria privada de armamento (e os seus fabulosos lucros com a guerra),
. o caos humanitário e a guerra,
. as centenas de milhar de mortos,
. a guerra civil,
. os cerca de 4 milhões de refugiados.

4 - O choque, o medo e o condicionamento humano.

5 - O capitalismo do desastre.

- O capitalismo, e o neo-liberalismo, enquanto teoria, ideologia e prática de devastação,

- alguns dados sobre a recente crise:
. a 15/09/2008 a “Lehman Brothers”, declara falência – uma semana depois, anuncia a distibuição de 2 500 milhões de $ em bónus,
. estima-se que as firmas de Wall Street em 2008, o ano da queda, pagaram cerca de 18 400 milhões de $ em bónus,

- O regime, em crise, estende as garras,
- Assiste-se ao saque sistemático da esfera pública,
- Uma transferência de riqueza, de dimensão incomensurável, das mãos públicas (dos impostos públicos) – efectuada pelos governos dos países – para as mãos dos indivíduos e das empresas, mais ricos do mundo, está a ter lugar.
Exactamente para as mesmas pessoas e empresas que criaram esta crise (suprema e trágica ironia),
- A ideologia e a prática neo-liberais da desregulação, das privatizações, estendeu-se a quase todo o mundo.
- A eficácia deste capitalismo, desta ideologia, é proporcional ao alheamento e à ignorância que deles se tem.

- Naomi Klein termina, afirmando, que se quer dar resposta a esta crise, no sentido de obter 1 mundo mais justo, mais saudável – a única forma de o conseguir é sair à rua e lutar por ele ...



quinta-feira, 5 de maio de 2011

Inevitável o quê?! (3)

- Alternativas?!, Soluções?!,

- Em defesa da memória (e contra o esquecimento)!  (3)

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- Proposta  3 - Do Bloco de Esquerda



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- Texto de apresentação da proposta(divulgação):


Bloco propõe “refundação” da Segurança Social



O Bloco de Esquerda apresentou a sua terceira medida para as próximas eleições legislativas, que tem como objectivo uma “ambiciosa refundação” da Segurança Social.

4 Maio, 2011 - 21:44



O Bloco de Esquerda apresentou a sua terceira medida para as próximas Eleições Legislativas, que tem como objectivo uma “ambiciosa refundação” da Segurança Social.
O Bloco de Esquerda apresentou a sua terceira medida para as próximas Eleições Legislativas, que tem como objectivo uma “ambiciosa refundação” da Segurança Social.


No comício realizado em Coimbra, esta quarta-feira, Francisco Louçã apresentou a proposta para refundação da Segurança Social que tem por base três objectivos precisos. A aproximação da pensão mínima e do salário mínimo nacional, a garantia da reforma completa a quem já descontou ao longo de 40 anos e começou a trabalhar antes da idade legal e um pacto para a erradicação da pobreza infantil constituem a “ambiciosa refundação” que o Bloco propõe para a Segurança Social.

A forma proposta para a realização desta medida passa pela redução de 3,50% da contribuição patronal em matéria de Taxa Social Única, substituída por uma nova taxa média em percentagem sobre o valor acrescentado das sociedades. Esta contribuição deverá ser maior para as empresas de capital intensivo e menor para as de emprego intensivo.

A implementação da medida contará também com uma progressividade no desconto sobre grandes salários, com uma contribuição suplementar de 1% para as remunerações acima dos 3000 euros mensais, sendo que as empresas que pagam salários superiores aos do Presidente da República contarão com uma contribuição reforçada.

Louçã considerou ainda que se deveria proceder à tributação dos proprietários de capital das empresas e dos possuidores de outros tipos de acções.

Críticas às medidas de José Sócrates

Num discurso bastante crítico relativamente às políticas do Governo de José Sócrates, José Manuel Pureza elencou as razões para “não ter saudades do PEC IV”, como antes havia sido proclamado por José Sócrates.

O cabeça-de-lista do Bloco ao círculo eleitoral de Coimbra afirmou a este respeito que “não tenho saudades, nem vou ter, do país que degrada serviços públicos como os correios para depois os privatizar, do pais que encerra extensões de centros de saúde porque não há médicos de família suficientes, nem do país que adia sine die as obras de recuperação de uma escola como a José Falcão”.

Pureza criticou ainda a falta de bolsas de estudo para suportar propinas, deslocações e alojamento e a falta de carris no ramal da Lousã, considerando a este respeito a “falta de honestidade pública que é o da sucessão de governos do PS e do PSD que foram prometendo, eleição após eleição, a concretização desse projecto e adiando-a sempre logo a seguir”.


Artigo e texto da proposta 3 - sobre Segurança Social em  http://www.esquerda.net/

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Inevitável o quê?! (2)

- Em defesa da memória (e contra o esquecimento)!


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- Proposta 2 - De Programa Eleitoral do Bloco de Esquerda (2011):








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- Texto de apresentação da proposta (divulgação):



Bloco apresenta propostas para a criação de emprego


Esta terça-feira o Bloco apresentou a sua segunda medida, de um conjunto de 20 a ser apresentadas a cada dia, que tem como objectivo promover a criação de emprego e constituí-se por três propostas concretas na área da reabilitação urbana, apoio à terceira idade e reconversão energética.

3 Maio, 2011 - 18:33

Bloco apresenta três propostas para a criação de emprego

O programa de reabilitação urbana do Bloco permite criar 60 mil postos de trabalho em PMEs (pequenas e médias empresas) e trabalho especializado.

A deputada do Bloco Rita Calvário apresentou esta terça-feira três propostas para a criação de emprego na área da Reabilitação urbana, no apoio à terceira idade e na reconversão energética, com prioridade à energia solar. Com estes três programas, financiados pelo imposto único sobre o património (600 milhões), “o objectivo é alcançar a criação de 85 mil postos de trabalho”, explicou a deputada em declarações à imprensa. Ler Propostas para a Criação de Emprego.

No programa de reabilitação urbana, o Bloco prevê um investimento anual de 500 milhões de euros, para recuperar 200 mil casas degradadas, reduzir o endividamento externo e promover o arrendamento a preços mais baixos (aumentando por isso o rendimento das famílias). Esta medida permitirá criar 60 mil postos de trabalho em PMEs (pequenas e médias empresas) e trabalho especializado. Rita Calvário lembrou que “existem mais de meio milhão de casas por habitar em todo o país”.

Numa segunda vertente desta segunda medida apresentada, está previsto um programa de apoio à terceira idade que visa responder em 10 anos a mais 100 mil idosos em apoio domiciliário. Segundo o Bloco, esta proposta permite criar mais 10 mil postos de trabalho a curto prazo (25 mil a médio prazo) e representa custos na ordem dos 50 milhões, incluindo cooperação com o sector social.

Por último, o Bloco propõe a criação de um “ambicioso” programa de eficiência energética e promoção da energia solar. Sublinhando a importância desta medida, considerando o seu impacto na sustentabilidade energética e económica do país, a deputada Rita Calvário lembrou que grande parte do endividamento externo da economia nacional deve-se à importação de reservas energéticas, uma vez que “mais de 80 por cento do país está endividado ao exterior por causa da importação de combustíveis fósseis”. Segundo a deputada, esta situação teve um custo para economia portuguesa, em 2008, de 8 mil milhões de euros.

Este programa implica um investimento de 200 milhões que se reverte numa poupança em importação de petróleo, estimada em 400 milhões/ano, e de 150 milhões em créditos de carbono.

Além disto, o programa de eficiência energética proposto pelo Bloco permite a redução da factura energética das famílias nas suas casas até 50 por cento, a redução em 13 por cento do consumo total nacional de energia de origem fóssil e ainda a criação de 15 mil postos de trabalho a curto prazo (e mais 85 mil nos dez anos do programa).


Texto publicado em http://www.esquerda.net/

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Inevitável o quê?! (1)

- Em defesa da memória (e contra o esquecimento)!

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- Proposta 1 - De Programa Eleitoral do Bloco de Esquerda (2011):





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- Texto de apresentação da proposta (divulgação):



Bloco apresenta primeira proposta: Imposto sobre património mobiliário




Nos próximos 20 dias, o Bloco apresentará 20 propostas, uma por dia. Francisco Louçã apresentou a primeira nesta segunda feira: Imposto único sobre património mobiliário acima de cem mil euros, que permitirá ao Estado arrecadar 600 milhões de euros.


2 Maio, 2011 - 19:11


Francisco Louçã na apresentação da proposta: Imposto único sobre património mobiliário - Foto de Paulete Matos


Francisco Louçã na apresentação da proposta: Imposto único sobre património mobiliário - Foto de Paulete Matos




Francisco Louçã afirmou, em conferência de imprensa: “Quem tem uma casa paga [o Imposto Municipal sobre Imóveis - IMI] pelo valor da casa todos os anos à sua câmara municipal, quem tem o mesmo valor, ou, porventura, valores superiores, em propriedade de riqueza imaterial então não tem nenhuma obrigação fiscal”.

Defendendo a justiça fiscal, o coordenador da comissão política do Bloco apresentou a proposta de criação de um imposto sobre património mobiliário, com uma taxa mínima de 0,7%, para montantes superiores a cem mil euros, subindo a taxa para 1,5% para valores acumulados superiores a um milhão de euros e entre 1,5 e 2,5 por cento para património acima de 2 milhões de euros.

Segundo a agência Lusa, Francisco Louçã salientou que o novo imposto permitirá que “no país haja uma nivelação de todos os esforços fiscais” e uma receita de 600 milhões de euros e sublinhou que o Bloco “não aceitará a ideia, nesta campanha, de que não é possível melhorar a justiça fiscal”.

Este imposto permitirá ainda criar “um registo do património, que não existe em Portugal” e melhorar o “combate à evasão fiscal”.

O dirigente do Bloco realçou também que a inexistência deste imposto “permite que uma parte importantíssima da riqueza nacional, pelo menos 200 mil milhões de euros, mais do que o total do produto (PIB) de um ano inteiro de 10 milhões de portuguesas e portugueses, não pague nenhum imposto”.


A próxima medida que o Bloco apresentará centrar-se-á na criação de emprego.


Texto em www.esquerda.net

domingo, 24 de abril de 2011

O inevitável é inviável - Manifesto dos 74 nascidos depois de 74





O inevitável é inviável - Manifesto dos 74 nascidos depois de 74



Somos cidadãos e cidadãs nascidos depois do 25 de Abril de 1974. Crescemos com a consciência de que as conquistas democráticas e os mais básicos direitos de cidadania são filhos directos desse momento histórico. Soubemos resistir ao derrotismo cínico, mesmo quando os factos pareciam querer lutar contra nós: quando o então primeiro-ministro Cavaco Silva recusava uma pensão ao capitão de Abril, Salgueiro Maia, e a concedia a torturadores da PIDE/DGS; quando um governo decidia comemorar Abril como uma “evolução”, colocando o “R” no caixote de lixo da História; quando víamos figuras políticas e militares tomar a revolução do 25 de Abril como um património seu. Soubemos permanecer alinhados com a sabedoria da esperança, porque sem ela a democracia não tem alma nem futuro.

O momento crítico que o país atravessa tem vindo a ser aproveitado para promover uma erosão preocupante da herança material e simbólica construída em torno do 25 de Abril. Não o afirmamos por saudosismo bacoco ou por populismo de circunstância. Se não é de agora o ataque a algumas conquistas que fizeram de nós um país mais justo, mais livre e menos desigual, a ofensiva que se prepara - com a cobertura do Fundo Monetário Internacional e a acção diligente do “grande centro” ideológico - pode significar um retrocesso sério, inédito e porventura irreversível. Entendemos, por isso, que é altura de erguermos a nossa voz. Amanhã pode ser tarde.

O primeiro eixo dessa ofensiva ocorre no campo do trabalho. A regressão dos direitos laborais tem caminhado a par com uma crescente precarização que invade todos os planos da vida: o emprego e o rendimento são incertos, tal como incerto se torna o local onde se reside, a possibilidade de constituir família, o futuro profissional. Como o sabem todos aqueles e aquelas que experienciam esta situação, a precariedade não rima com liberdade. Esta só existe se estiverem garantidas perspectivas mínimas de segurança laboral, um rendimento adequado, habitação condigna e a possibilidade de se acederem a dispositivos culturais e educativos. O desemprego, os falsos recibos verdes, o uso continuado e abusivo de contratos a prazo e as empresas de trabalho temporário são hoje as faces deste tempo em que o trabalho sem direitos se tornou a norma. Recentes declarações de agentes políticos e económicos já mostraram que a redução dos direitos e a retracção salarial é a rota pretendida. Em sentido inverso, estamos dispostos a lutar por um novo pacto social que trave este regresso a vínculos laborais típicos do século XIX.

O segundo eixo dessa ofensiva centra-se no enfraquecimento e desmantelamento do Estado social. A saúde e a educação são as duas grandes fatias do bolo público que o apetite privado busca capturar. Infelizmente, algum caminho já foi trilhado, ainda que na penumbra. Sabemos que não há igualdade de oportunidades sem uma rede pública estruturada e acessível de saúde e educação. Estamos convencidos de que não há democracia sem igualdade de oportunidades. Preocupa-nos, por isso, o desinvestimento no SNS, a inexistência de uma rede de creches acessível, os problemas que enfrenta a escola pública e as desistências de frequência do ensino superior por motivos económicos. Num país com fortes bolsas de pobreza e com endémicas desigualdades, corroer direitos sociais constitucionalmente consagrados é perverter a nossa coluna vertebral democrática, e o caldo perfeito para o populismo xenófobo. Com isso, não podemos pactuar. No nosso ponto de vista, esta é a linha de fronteira que separa uma sociedade preocupada com o equilíbrio e a justiça e uma sociedade baseada numa diferença substantiva entre as elites e a restante população.

Por fim, o terceiro e mais inquietante eixo desta ofensiva anti-Abril assenta na imposição de uma ideia de inevitabilidade que transforma a política mais numa ratificação de escolhas já feitas do que numa disputa real em torno de projectos diferenciados. Este discurso ganhou terreno nos últimos tempos, acentuou-se bastante nas últimas semanas e tenderá a piorar com a transformação do país num protectorado do FMI. Um novo vocabulário instala-se, transformando em “credores” aqueles que lucram com a dívida, em “resgate financeiro” a imposição ainda mais acentuada de políticas de austeridade e em “consenso alargado” a vontade de ditar a priori as soluções governativas. Esta maquilhagem da língua ocupa de tal forma o terreno mediático que a própria capacidade de pensar e enunciar alternativas se encontra ofuscada. Por isso dizemos: queremos contribuir para melhorar o país, mas recusamos ser parte de uma engrenagem de destruição de direitos e de erosão da esperança.


Se nos roubarem Abril, dar-vos-emos Maio!



Alexandre de Sousa Carvalho - Relações Internacionais, investigador; Alexandre Isaac - antropólogo, dirigente associativo; Alfredo Campos - sociólogo, bolseiro de investigação; Ana Fernandes Ngom - animadora sociocultural; André Avelãs - artista; André Rosado Janeco - bolseiro de doutoramento; António Cambreiro - estudante; Artur Moniz Carreiro - desempregado; Bruno Cabral - realizador; Bruno Rocha - administrativo; Bruno Sena Martins- antropólogo; Carla Silva - médica, sindicalista; Catarina F. Rocha - estudante; Catarina Fernandes - animadora sociocultural, estagiária; Catarina Guerreiro - estudante; Catarina Lobo - estudante; Celina da Piedade - música; Chullage - sociólogo, músico; Cláudia Diogo - livreira; Cláudia Fernandes - desempregada; Cristina Andrade - psicóloga; Daniel Sousa - guitarrista, professor; Duarte Nuno - analista de sistemas; Ester Cortegano - tradutora;Fernando Ramalho - músico; Francisca Bagulho - produtora cultural; Francisco Costa - linguista; Gui Castro Felga - arquitecta; Helena Romão - música, musicóloga; Joana Albuquerque - estudante; Joana Ferreira - lojista; João Labrincha - Relações Internacionais, desempregado; Joana Manuel - actriz; João Pacheco - jornalista; João Ricardo Vasconcelos - politólogo, gestor de projectos; João Rodrigues - economista; José Luís Peixoto - escritor; José Neves - historiador, professor universitário; José Reis Santos - historiador; Lídia Fernandes - desempregada; Lúcia Marques - curadora, crítica de arte; Luís Bernardo - estudante de doutoramento; Maria Veloso - técnica administrativa; Mariana Avelãs - tradutora; Mariana Canotilho - assistente universitária; Mariana Vieira - estudante de doutoramento; Marta Lança- jornalista, editora; Marta Rebelo - jurista, assistente universitária; Miguel Cardina - historiador; Miguel Simplício David - engenheiro civil; Nuno Duarte (Jel) - artista; Nuno Leal- estudante; Nuno Teles - economista; Paula Carvalho - aprendiz de costureira; Paula Gil - Relações Internacionais, estagiária; Pedro Miguel Santos - jornalista; Ricardo Araújo Pereira- humorista; Ricardo Lopes Lindim Ramos - engenheiro civil; Ricardo Noronha - historiador;Ricardo Sequeiros Coelho - bolseiro de investigação; Rita Correia - artesã; Rita Silva - animadora; Salomé Coelho - investigadora em Estudos Feministas, dirigente associativa; Sara Figueiredo Costa - jornalista; Sara Vidal - música; Sérgio Castro - engenheiro informático;Sérgio Pereira - militar; Tiago Augusto Baptista - médico, sindicalista; Tiago Brandão Rodrigues - bioquímico; Tiago Gillot - engenheiro agrónomo, encarregado de armazém; Tiago Ivo Cruz - programador cultural; Tiago Mota Saraiva - arquitecto; Tiago Ribeiro - sociólogo;Úrsula Martins - estudante...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

"Representem-nos, depressa e bem, e sejam amigos do FMI!" - artigo de Francisco Louçã (divulgação)

"Representem-nos, depressa e bem, e sejam amigos do FMI!



Havia alguma coisa para negociar entre cada partido e o FMI com a Comissão Europeia? A resposta honesta é não: o comunicado do Ecofin que determina o mandato desta “missão” estabelece que as medidas a impor são as do PEC4 e mais alguma coisa por acrescento.


Alguns comentários na minha página do Facebook insistem neste apelo ao Bloco de Esquerda: por favor, vão depressa ter com o FMI e negociar com eles o pacote da intervenção externa. Representem-nos, dizem os mais aterrorizados, sejam amigos uns dos outros.

Venho aqui responder directamente a este apelo: representar quem nos elegeu e quem quer uma alternativa para o país começa por esse elemento mínimo de decência e de respeito pelas pessoas que é não as enganar. Exige a capacidade de alternativas e nunca promover uma fraude sem soluções.

Por isso, escrevo com toda a clareza: os partidos que fingem que estão a “negociar” estão a enganar os portugueses. É uma desonestidade e uma baixeza. E isso é lastimável e condenável, porque substitui a política séria por uma farsa para mesquinhos efeitos eleitorais. No momento mais difícil, esses partidos – o PSD e o CDS – estão a fugir à responsabilidade e a propor uma encenação.

Perguntemos-lhe por isso que “negociação” é esta que anunciam com fanfarra.

Tiveram uma reunião. Vão ter mais alguma? Não.

Sabe-se o que propuseram? Não.

Sabe-se o que o FMI respondeu? Nada, presume-se: tomaram nota e despediram-se educadamente.

Esperam alguma resposta? Não.

Vão fazer novas propostas, procurar entendimentos? Não.

Há então três negociações paralelas em curso, uma de Sócrates, outra de Passos Coelho, outra de Portas? Cada uma dela com resultados, com um contrato final, com um acordo, com conclusões? Não há.

A negociação não existe nem podia existir.

Chamam a isto “sentido de Estado”, falando de si próprios. É simplesmente uma aldrabice. Esqueceram-se todos do mais importante: há eleições e é a democracia que vai decidir: ou aceitar o governo FMI e portanto desistir do país, ou levantar o povo por uma economia em que todos pagam o que devem. É no dia 5 de Junho que se decide, não é nesta operação de chantagem.

E a pergunta essencial é esta: havia alguma coisa para negociar entre cada partido e o FMI com a Comissão Europeia? A resposta honesta é não: o comunicado do Ecofin que determina o mandato desta “missão” estabelece que as medidas a impor são as do PEC4 e mais alguma coisa por acrescento. Aos homens do FMI e da Comissão Europeia é absolutamente indiferente o que diga este ou aquele partido, só lhes interessa que assinem as medidas que vão ser definidas, e nada mais.

É claro que, sabendo que vai aceitar a redução das pensões, Paulo Portas tem de fingir que influenciou alguma coisa no resultado e vai tentar apresentar como bom resultado o facto de todos os pensionistas perderem 10% em 3 anos, menos os mais pobres que vão só perder 7% em 3 anos – uma atenuação da pena que o governo já tinha aceite depois da pressão do Bloco de Esquerda em nome dos pensionistas. E o PSD vai fazer o mesmo: aceitar o aumento dos impostos, porque aliás deseja o aumento dos impostos, e fingir que influenciou alguma coisa nessa escolha. Mas é mesmo nessa farsa que os meus amigos do Facebook querem acreditar?

Os que me pedem que vá ter com o FMI acreditam mesmo que se disser àqueles homens que há dois milhões de pobres em Portugal eles caem em si, consternados, de mãos na cabeça, a dizer: vejam lá o que nós íamos fazer com o congelamento das pensões! Acreditam que eles se desfazem em lágrimas quando lhes disser que o seu mandato inclui a privatização de empresas que provocarão mais défice do Estado e portanto mais impostos no futuro, o que é o mesmo que dizer mais desemprego? Acham que quando lhes disser que 10 biliões de euros já estão destinados para os bancos que causaram esta crise, eles vão olhar para as contas para descobrir com espanto e indignação que é mesmo assim e que os impostos podem vir a pagar todos estes BPNs? Que me vão dar razão quando lhes disser que o que fizeram na Grécia está a destruir esse país – e que eles vão daqui a correr para Atenas para reparar o mal que estão a fazer?

Eu votei contra o PEC, este e os anteriores, e esse é o meu mandato dado pelos eleitores: defender os desempregados e precários e defender a economia. Avisei o primeiro-ministro: aplica as medidas do FMI e trará o FMI, contribui para a recessão e conseguirá a bancarrota. O mandato do Bloco de Esquerda é ser a esquerda que quer uma solução para o país, não é ser figurante de uma farsa que quer ocultar e entreter, enquanto os seus mandantes destroem a economia do país.

Sei que nos momentos difíceis é preciso ter coragem e se é criticado por não ceder à chantagem. Sei que é preciso ter clareza, mesmo contra a corrente. Eu serei claro nas soluções e nas propostas. Porque só assim a esquerda pode convocar o povo para a mais difícil das alternativas, a única que existe: salvar a economia e o país de se tornar um protectorado em que a democracia é um faz-de-conta."

 
Artigo publicado em 21 Abril, 2011 - 00:12
 
www.esquerda.net/opiniao   F. Louçã

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O COLISEU!!!

Os poderes de décadas,
são o nosso cancro!
E a cegueira congénita de gerações,
o seu alimento...

Retrocedemos 2 000 anos à Roma dos imperadores!
E Portugal e a Europa
são o chão do seu Coliseu!
E as cadeiras do poder as suas bancadas!
De onde os governantes loucos assistem
deleitando-se com a carnificina!...

E somos lançados às feras
para sermos rasgados, desmembrados, eviscerados …
Os brutos!
As bestas!
Nas bancadas acima, assistem …

A Europa é o circo sanguinário, dos imperadores obscenos,
E das feras famintas!...

E têm orgias com o nosso sangue,
E têm orgias com as nossas vísceras …

E esfregam-se nelas!
E empanturram-se com elas!

E o sangue escorre-lhes pelas infectas bocas!..
Enquanto se rebolam de gozo sobre os nossos restos...
Com os nossos restos!
Pelos nossos restos!

E o ambiente e o sangue
tornam-os frenéticos,
E os loucos grunhem de excitação...

E os grunhidos batem nas paredes e ecoam.
E os ecos atingem a estratosfera e vão além,
MUITO MAIS ALÉM

- As bestas exaltadas grunhem excitadas …
- Rebolam-se de excitação no asfalto ensanguentado …
- As feras e as bestas!

Chocam entre si!
Saltam entre si!
Futricam entre si!

Aspiram o odor com espasmos de exaltação,
… Os LOUCOS!!.
Atirando ao ar os pedaços de corpos,
que jazem pelo chão …

... Ahhh! Fora eu!
Ahhh! Pudesse eu!!
Ahhh! Soubera eu!! ...

E esfregam a carne crua
em si!
E esfegam-na
entre si!

E fetidamente salivam, os fétidos corpos!
Das suas fétidas entranhas! ...

- E os abutres esvoaçam no alto, atraídos pelo festim,
- E atiram-se às órbitas vazias das cabeças decepadas!

- Os Fétidos!
- Os Brutos!!
- As Bestas!!!
- As Feras!!!...

sábado, 19 de março de 2011

Portugal, S. A.

Ou o Processo Contra-Revolucionário em Curso!


Na 2ª semana de Março é anunciado o aparecimento dum livro, considerado como “um guião para o poder” do PSD, “encomendado” por Passos Coelho (que, segundo a notícia, também participou na sua elaboração) a Pedro Reis, tido como conselheiro económico do PSD, e, da pessoa do seu líder.

Somos informados dos participantes na sua elaboração; 55 dos mais poderosos empresários e gestores de Portugal, coordenados por Pedro Reis – ele próprio, também, gestor de empresas. O que pelas minhas contas, totaliza 56 “dos mais poderosos empresários e gestores de Portugal”, além de Passos Coelho, claro.

Uma “guião” que se afigura, todo ele, 1 programa de classe, 1 projecto de casta...
Uma lista (parcial) dos participantes, segue-se:

A saber:

Pedro Reis (gestor de empresas)
Américo Amorim (GALP)
Paulo Azevedo (Sonae)
Faria de Oliveira (CGD)
Carlos Santos Ferreira (BCP)
António Horta Hosório (Lloyds Bank)
Alberto da Ponte (Central de Cervejas)
Bernardo Bairrão (Media Capital)
Francisco Balsemão (Impresa)
José Maria Ricciardi (BES)
Luís Portela (BIAL)
Nuno Amado (Santander Totta)
Paulo Pereira da Silva (Renova)
Vera Pires Coelho (Edifer)
Vasco de Mello (Grupo José Mello),
etc.


1 - Numa apreciação imediata, é forçoso constatar, que, apenas os representantes de menos de 1% da população foram chamados a participar em tão ilustre documento.
O que permite concluir que mais de 99% (e seus representantes) não teve qualquer participação.
(Como curiosidade – assinalaria que só na lista acima, constam vários nomes que estão entre os 10 mais ricos do país).

Não deve pois causar espanto, concluir, que as perspectivas, as preocupações e os anseios, da quase totalidade da população, se encontrem ausentes e arredados de tão excelso documento.

Por exemplo;

Lembraram-se de pedir opiniões aos professores e alunos (e às suas organizações), embora falem de educação?

Ocorreu-lhes auscultar médicos e enfermeiros (e suas organizações), embora proponham sobre saúde (e já agora aos utentes)?

Acharam necessário ouvir juízes e demais agentes judiciais (assim como às suas organizações), apesar de julgarem sobre justiça?

Surgiu-lhes pertinente ouvir trabalhadores e os seus representantes, (já agora aos trabalhadores precários), embora façam propostas nesta área (que vão no seguimento das do actual governo mais PSD) – e cujo “guião” defende o reforço e o aumento da flexibilidade - ,e, na área da segurança social (defendendo a sua descapitalização)?

Já agora ocorreu-lhes importante, saber a opinão de pensionistas e desempregados (em particular daqueles que não recebem qualquer subsídio ou apoio social – devido aos cortes orçamentais sociais promovidos pelo governo, e, pelo partido promotor do documento em consideração)?

- Algumas constatações surgem de imediato:

- A expressão entrega a “gestores profissionais”, surge de alto a baixo;

.entregar as Universidades a “gestores profissionais” (retirando o Estado da gestão directa …)

.entregar a gestão operacional dos hospitais a “gestores profissionais” (introduzir mais gestão privada, privatizar unidades de saúde, …),

.entregar os tribunais a “gestores profissionais”,


- Em resumo, é portanto, forçoso concluir que se trata duma visão duma minoria social e económica, de toda uma sociedade – por definição múltipla e complexa. A visão dos empresários e gestores nacionais (a que o PSD se associa).

- Defende-se o princípio de aplicar ao país a lógica de funcionamento das empresas.

- O país visto como uma gigantesca empresa, e, gerido como tal.

- Uma espécie de República dos empresários e gestores, e, dos seus representantes no Parlamento.

- Estamos perante a mundividência dos empresários. - Trata-se, adiantaria, de uma visão penosa e tragicamente redutora;


2 – Defendem a, continuação, e, o aumento das privatizações. Como poderia Américo Amorim (assim como os outros empresários), defender (defenderem) outra coisa – se com a privatização da GALP, se tormou o homem mais rico do país. Riqueza, que se reforçou em 2010; (segundo o C. da Manhã de 22/01/2011; “A subida das acções da GALP representou um encaixe de 242 Milhões de € [só] em 2010 [para A. Amorim]) ...

- Que a actividade predatória seja levada ao extremo – é o seu programa!

- Privatizar tudo – defendem.

Transferir recursos e bens, públicos, e comuns – que deveriam promover o bem estar e a qualidade de vida da maioria - para um pequeno grupo. Aumentando a sua riqueza e o seu poder económico.

- O seu objectivo, é, o assalto ao que resta de bens e recursos públicos.

Torna-se óbvio, caso restassem dúvidas, a quem interesssa (e quem beneficia com), o programa político neo-liberal.

E as “golden shares”; são para desaparecer - claro – poder sem restrições aos empresários e gestores!

- Configura-se, uma contra-revolução em curso!

- Os empresários ao poder, já!

- Pretendo, neste momento, fazer uma rectificação ao anteriormente afirmado; que “pretendem privatizar tudo”; não é inteiramente verdade – sejamos justos – na proposta, não consta o BPN. Este deve ser mantido nacionalizado. Um gesto magnânimo, da parte dos empresários, que deve ser salientado. Magnanimidade, que se manteve, aliás por 2 vezes – o nº de tentativas em que o estado o tentou (re)privatizar.

- Cabe utilizar aqui a expressão; “Privatizar lucros e nacionalizar (ou socializar) prejuízos” - é esta a sua lógica.

- Hipócritas!, diria eu …

O banco levado à falência por digníssimos empresários – cujos nomes, só, não figuram, na, também,
ilustre lista (elevando-a para 57 ou 58) – porque estão a problemas com a justiça!

- Já agora fica uma sugestão; que o PSD, proponha no seu projecto de revisão constitucional, a alteração da designação do país, para: Portugal. S. A.. - isso sim, seria ousadia! ...


3 – Algo verdadeiramente significativo surge quando se fala no “sistema político” - onde é proposta a redução do nº de deputados para; 150 a 180 – isto é; uma redução de 50 a 80 deputados. O que a ser aprovado e aplicado;

Implicaria que muitos concelhos e freguesias, deixassem (ou praticamente deixassem), de ter representantes.

E implicaria também, que, os 3 menores partidos, deixariam de ter representação parlamentar, ou, passariam a ter uma representação residual – logo sem qualquer possibilidade de influenciar politicas, nem de exercer qualquer fiscalização.

- Isto é; que cerca de 30% das opiniões políticas dos eleitores, do país, deixaria de ter representação no parlamento.

Portanto, passaríamos a ter um parlamento onde, praticamente, só estariam representados PS e PSD.

- A concretizar-se tal proposta, estaríamos perante uma espécie de golpe palaciano institucional dos dois maiores partidos.

- O que, creio, representaria o maior golpe contra a democracia representiva (ou a democracia ela mesma), depois do 25 de Abril.

- De facto, quando se fala da redução do nº de deputados – fala-se da concentração de toda a representação (ou quase) e de todo o poder, legislativo e executivo, em apena dois partidos.

- Os partidos que governam o país à mais de 35 anos, e, que são, por isso mesmo, os únicos responsáveis pela situação de desastre em que nos encontramos, veriam o seu poder ainda mais reforçado – seria o seu domínio político (e não só) absoluto do país. E a continuação da espiral de degradação, económica e social.

Pretende-se, a manutenção do poder e dos interesses instalados, eliminando todos os possíveis obstáculos. Numa altura em que a esquerda obtém cerca de 20% dos votos e 31 lugares no parlamento. Sim, creio, que é este o “problema” que é preciso eliminar, e, que os empresários e o PSD tomam como um empecilho. A quê? Ao poder, aos cargos distribuídos pelos 2 principais (maiores) partidos (principescamente pagos) e aos negócios.

As PPP's e as rendas a 1 punhado de empresários – que proliferaram como cogumelos – em negócios ruinosos para todos nós, têm que se manter e proliferar a todo o custo.
Para tal ser conseguido, é necessário eliminar toda a possibilidade de alternativa política e de fiscalização no parlamento. - O reforço de um regime, onde a sobreposição entre política e negócios, tenda a ser total. Onde se esbatam, completamente, as diferenças entre poder político e poder económico.

Sim, é de poder, de cargos políticos (cujos vencimentos PS e PSD se recusaram a limitar) e de negócios, que se fala, quando se fala da redução do nº de deputados.

(O argumento da redução de despesas, por quem se opôs ao limite dos vencimentos dos gestores públicos – nem justifica comentário).

- Tal redução implicaria um empobrecimento da democracia – afastando pontos de vista problemáticos.O assalto ao poder, e, os negócios, têm que ser garantidos – sem vozes desfavoráveis, nem votos contra.

- Para tal, é preciso eliminar todo o “grão de areia”, da engrenagem da máquina de assalto.

Uma redução das possibilidades de escolha – das alternativas possíveis.

O que implicaria, um ambiente (político), fechado e claustrofóbico (ainda mais propício à estagnação do ambiente político) – numa espécie de “ditadura soft”. O que diferencia, politicamente, um regime parlamentar bipartidário, do regime de partido único (uma vez que as visões da sociedade, as práticas e os interesses (assim como a partilha dos cargos), são praticamente coincidentes) – muito pouco, creio.

- Toma-se a alternativa e o diferente, não como um bem em si, mas como 1 problema – especialmente, quando pode ter representação parlamentar e influenciar o espaço público.

- Se a tudo isto juntarmos os executivos camarários monocolores (com todos os pelouros atribuídos a 1 só partido - o vencedor, como também é proposto) – Imagina-se com facilidade, 1 país, 1 regime, monocórdico, monocromático/dicromático – de onde a pluralidade e a diversidade, não só não são preservadas como um bem; mas sim, vistas como 1 obstáculo – tal, é uma das visões, tragicamente empobrecedoras da sociedade, que subjaz a tal documento!

- Pretende-se eliminar a imprevisibilidade e a hipótese, do novo, e, da mudança (numa, espécie de, tentativa de congelar a história).

- Pretende-se, um totalitarismo claustrofóbico.

- Pretendem-nos fechar os horizontes.

- Querem que tenhamos, ao deitar e ao acordar – sempre o mesmo monótono horizonte projectado nas paredes.

terça-feira, 15 de março de 2011

Acerca dos derrotados da história ...

A trágica e pífia linearidade de Assis!


A 10 de Março último, no debate, na A. R.;
À argumentação política, o PS (com Assis e Sócrates destacados) respondeu (responderam), com a provocação gratuita e rasteira.

À censura política responderam com a artilharia intimidatória, dos derrotados políticos e da história;

Os protagonistas da política do abismo,

Os coveiros dos direitos sociais.

Assis, falou até à exaustão “duma esquerda que tem que por nós ser combatida” (tendo, certamente, batido o recorde da quantidade de epítetos por unidade de tempo).
Revelou-se preocupado com “a manipulação da rua contra o parlamento e as instituições da nossa democracia”.
Acenando-nos mesmo com fantasmas passados.

Renato Sampaio, deputado e dirigente do PS, em comentários televisivos (a 10/03 – a propósito do discurso de Cavaco), dizia-nos que “a democracia e a legitimidade discute-se em eleições, não é em manifestações de rua”.

Não é difícil perceber o motivo de tais preocupações;

Não vá a indignação tomar conta das ruas, e, o regime estremecer – pondo em causa os cargos e os interesses...

Não vá a rua, fazer das suas. Como fez no Egipto e na Tunísia, derrubando os ditadores “socialistas” (e membros da “Internacional Socialista”); Mubarak e Ben Ali.

É na imprevisibilidade das ruas - assim como na imprevisibilidade da história - que reside o seu receio.

Não paira, portanto, senão o vazio, sobre as expressões de Assis (e de outros) como ; “esquerda democrática”, “esquerda moderna”, “esquerda responsável”, etc...


Querem-nos previsíveis e domésticos.

Querem-nos domesticados e curvados – prontos para a penetração, sem lamento nem protesto.

Falam de “linguagem imprópria” - argumento risível, vindo de quem (mais do que ninguém anteriormente), tem transformado, nos últimos anos, o insulto em argumento político.

Da “linguagem imprópria”, à propriedade da linguagem...

-Em nome de Almada;


“Tu, que te dizes Homem!
Tu, que te alfaiatas em modas
e fazes cartazes dos fatos que vestes
pr'a que se não vejam as nódoas de baixo!

O Século-dos-Séculos virá um dia
e a burguesia será escravatura
se for capaz de sair de Cavalgadura!

Olha Hugo! Olha Zola, Cervantes e Camões,
e outros que não são nada por te cantarem a ti!
Olha Nietzche! Wilde! Olha Rimbaud e Dowson!
Cesário, Antero e outros tantos mundos!
Beethoven, Wagner e outros tantos génios
que não fizeram nada,
que deixaram este mundo tal qual!
Olha os grandes que são estragados por ti!
O teu máximo é ser besta e ter bigodes.
A questão é estar instalado.
Se te livras de burguês e sobes a talento, a génio,
a seres alguém,
o Bem que fizeres é um décimo de seres fera!

Desata o nó-cego da vista!
Desilustra-te, descultiva-te, despole-te,
que mais vale ser animal que besta!
Deixa antes crescer os cornos que outros adornos da
Civilização!

Galopa a tua bestialidade
na memória que eu faço dos teus coices,
cavalga o teu insecticismo na tua sela de D. Duarte!
Arreia-te de Bom-Senso um segundo! Peço-te de joelhos.
Encabresta-te de Humanidade
e eu passo-te uma zoologia para as mãos
p'ra te inscreveres da divisão dos Mamíferos.
Mas anda primeiro ao Jardim Zoológico!
Vem ver os chimpazés!
Acorpanzila-te neles se te ousas!
Sagra-te de cu-azul a ver se eles te querem!
Lá porque aprendeste a andar de mãos no ar
não quer dizer que sejas mais chimpanzé que eles!

vê só o que os olhos virem,
cheira os cheiros da Terra
come o que a Terra der,
bebe dos rios e dos mares,
-põe-te na Natureza!
Ouve a Terra, Escuta-A.
…”

-E de Cesariny;

...
“Paro um pouco a enrolar o meu cigarro (chove)
e vejo um gato branco à janela de um prédio bastante alto...
Penso que a questão é esta: a gente – certa gente – sai para a rua,
cansa-se, morre todas as manhãs sem proveito nem glória
e há gatos brancos à janela de prédios bastante altos!
Contudo e já agora penso
que os gatos são os únicos burgueses
com quem ainda é possível pactuar -
vêem com tal desprezo esta sociedade capitalista!
Servem-se dela, mas do alto, desdenhando-a …
Não, a probabilidade do dinheiro ainda não estragou inteiramente o gato
mas de gato para cima – nem pensar nisso é bom!
...”

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Forças israelitas perseguindo e detendo criança de 11 anos em Ramallah, na Cisjordânia

O vídeo data de Janeiro deste ano







Em Janeiro último, no seu relatório anual junto da ONU, a organização - Defense for Children International (DCI), afirma que; desde 2000, os militares israelitas já detiveram cerca de 7 000 crianças palestinianas.

Que as prisões são frequentemente realizadas durante a noite e por soldados fortemente armados, sendo as crianças geralmente vendadas e algemadas.
Sendo o processo de detenção muitas vezes acompanhado de violência física e verbal.
No relatório submetido às Nações Unidas, a DCI, informa que, também, raramente as crianças ou as suas famílias, são informadas dos motivos da detenção, ou do destino de prisão.
Durante os interrogatórios, as crianças, são ainda, frequentemente ameaçadas e agredidas.
No referido relatório a DCI afirma que crianças com idade de 12 anos já foram julgadas em tribunais militares.


Para mais informações consultar   Ma'an News Agency

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Egipto - Apontamentos

- Nos últimos dias, a nível interno, vários líderes do PSD, CDS e PS (assim como vários comentadores políticos), em comentários televisivos, têm comparado a situação revolucionária no Egipto, e, na Tunísia, à queda do muro de Berlim. Só (que não é dito), que desta vez, quem estava do outro lado do muro eram regimes ditatoriais locais, o Ocidente (EUA e Europa) e Israel. E a veemência manifestada, na altura (da queda do muro), anunciando a falência, e a condenação dos regimes além muro, e, dos seus apoiantes – desta vez desaparece.

- A duplicidade, quando se compara 1990 com 2011, não causa incómodo.

- Recordando alguns acontecimentos:


- Ben Ali, toma o poder na Tunísia em Novembro de 1987 através de um golpe de Estado.
Mantém um, brutal, regime corrupto e ditatorial durante 23 anos.
Renuncia ao cargo (é deposto) a 14 de Janeiro de 2011 – por pressão de protestos e do movimento revolucionário, popular, que tiveram início no princípio de Dezembro de 2010.

- Mubarak, no governo desde Outubro de 1981. Mantém o país em estado marcial durante 30 anos.
Acumula riqueza de largos milhares de milhões de $, distribuída por vários bancos internacionais, assim como por investimentos imobiliários.
Resigna a 11 de Fevereiro de 2011, após protestos e movimento revolucionário, iniciados a 25 de Janeiro – estimulados pelo movimento revolucionário na Tunísia, e, pela queda de Ben Ali.


- O Egipto, com Mubarak, era o 2º país com maior apoio económico e militar dos EUA – o 1º é, como é sabido, Israel. Ou seja, os EUA eram o principal sustentáculo de Mubarak – só o exército egípcio recebe anualmente dos EUA mais de 1 300 milhões de $.


- A Tunísia, com Ben Ali, também recebeu milhões de dólares de ajuda militar dos EUA.

- Ou seja, estados policiais, ditatoriais e corruptos foram apoiados e mantidos (durante 23 anos num caso e 30 noutro) pelas “democracias ocidentais”.


- Os “partidos socialistas”, através da “Internacional Socialista” (I.S.), também lhes ofereceram lugar no seu seio:
- Mubarak e o seu partido (NPD), pertenceu à I.S. de Junho de 1989 a 2011.
(É expulso a 31/01/2011, após o início do movimento revolucionário).
- Também Ben Ali e o seu partido (RCD), pertencia à I.S..
(Sendo expulso a 17/01/2001 (daquela organização) – curiosamente (3 dias), após sair (ser deposto) do poder da Tunísia (14/01/2011)).


- Os ontem apoiantes de ditadores, e, de ditaduras de décadas, passam hoje a apoiantes da revolução (que depos os ditadores que antes apoiavam), procurando sair incólumes.

 - Apoiam ditaduras e ditadores (que lhes são próximos), mantêm o apoio até este se tornar insustentável, em seguida elogiam o seu derrube, e, atiram as suas responsabilidades, do passado, para o caixote do lixo do esquecimento.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

As autoridades suíças devem investigar criminalmente o ex-presidente G. W. Bush (divulgação)

A Amnistia Internacional apela hoje às autoridades Suíças que iniciem um processo de investigação criminal contra o antigo Presidente dos EUA, George W. Bush no decurso da sua visita esperada ao país no dia 12 de Fevereiro.


O Presidente Bush admitiu nas suas memórias publicadas no passado mês de Novembro, bem como numa entrevista televisiva, que autorizou os serviços secretos norte americanos - Central Intelligence Agency (CIA) – a usar uma série de “técnicas reforçadas de interrogatório” contra todos os detidos em centros de detenção secretos da CIA, incluindo o “waterboarding”, uma técnica de tortura com água.


...

“Já que as autoridades dos EUA, até agora, nada fizeram para levar o antigo Presidente à justiça, a Comunidade Internacional tem que intervir e actuar.”


...


O Inspector-geral da CIA descobriu que os dois detidos que constituem aqueles casos, Zayn al Abidin Muhammed Husayn (conhecido por Abu Zubaydah) e Khalid Sheikh Mohammed, foram sujeitos, entre eles, a pelo menos 266 aplicações de waterboarding em 2002 e 2003. Esta técnica consiste na colocação do detido deitado no chão de costas para baixo e amarrado de pés e mãos esticados, enquanto, no rosto coberto com um pano, são despejadas grandes quantidades de água sobre as narinas e boca, simulando a dor e o sofrimento da asfixia por afogamento.


O programa de detenções secretas da CIA, desenhado sob a autorização do então Presidente Bush, foi responsável pela sujeição de pelo menos mais vinte detidos a uma variada série de “técnicas reforçadas de interrogatório”, incluindo a imposição da manutenção durante várias horas em determinadas posições que causam dor e sofrimento, privação do sono e abusos físicos de vária natureza.


O relatório evidencia o conjunto de provas recolhidas que demonstram que a tortura e os outros crimes contra a lei internacional tiveram lugar vitimando detidos pelos militares norte americanos em Guantánamo, no Afeganistão e no Iraque.


Texto completo de petição em Amnistia Internacional

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Não à repressão da liberdade de expressão na Hungria (petição)

Segue-se excerto de texto, de petição,  da Amnistia Internacional, acerca de legislação de repressão à liberdade de expressão na Hungria:



"Duas novas leis entraram em vigor na Hungria a 1 de Janeiro, o dia em que o país assumiu a Presidência da União Europeia por um período de seis meses. As restrições contidas na nova legislação dos meios de comunicação, que são baseadas em conceitos vagos como “interesse público”, acaba por deixar jornalistas e editores com incertezas quanto à forma como a lei é aplicada."

...


"A nova legislação impõe restrições a todos os meios de comunicação, quer sejam difundidos, impressos ou colocados online, quer sejam de propriedade pública ou privada, sendo também aplicadas aos meios de comunicação estrangeiros."


Para aceder ao texto completo da petição clicar Amnistia Internacional

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Requiem pelas nossas almas!

Alternativas?!, Soluções?!, Respostas?!, ou o controlo do pensamento!


Momentos reveladores têm surgido desde as últimas eleições, e, aquando da “discussão” em torno do O. E..


1 - Enquanto o governo nos surpreendia diariamente com a divulgação de sucessivos PEC's e infindáveis medidas. Os media em laboriosa azáfama – convertidos em avançados laboratórios de biotecnologia – produziam fornada após fornada, de, bem sucedidos, ... clones.
Afinadas vozes (convém salientar) dum coro, de ilustres tenores, barítonos e sopranos (acompanhados por, não menos ilustres, instrumentistas), ecoaram em uníssono de Norte a Sul, anunciando-nos, a boa nova redentora de tal caminho!

Tal caminho, diziam-nos, tinha tanto de virtuoso como de inevitável – instâncias supremas exigiam-no. Essa era a atitude “responsável”. O apaziguamento dos seus insondáveis ímpetos impunha-o – podendo, nós, desta forma, aspirar à sua misericórdia e à redenção.
Assim. sucederam-se os PEC's, o O.E., a dança, ao ritmo do tango, aguardando nós, no final, um invejável lugar no Éden...

Houve vozes divergentes, ousaram afimar, a existência de caminhos diversos, e, de, propostas alternativas – mas não tiveram lugar no palco dos media (salvo alguma esquecida excepção).
(Correu publicamente uma petição pelo pluralismo de opinião no debate político e económico).

Os partidos de esquerda apresentaram (ao O.E.) um conjunto alargado de propostas alternativas (15 num caso, 20 noutro...), que não tiveram direito a discussão.

Algum alienígena, que nos observasse (e entendesse a nossa linguagem), seguramente acharia que algo de estranho se passaria – quando se passam centenas de horas a discutir as danças de 2 partidos e as “propostas” (ao O.E. do governo) do par de dança, que se resumem a saber se o IVA deveria aumentar 1 ou 2% (e pouco mais), e, as propostas restantes – mais completas, mais amplas e mais abrangentes – não merecem , pelos media e seus ilustres clones (15 minutos que seja de) discussão!

O nossp alienígena, pensaria, certamente, que algo de grave e de preocupante se passaria com estas sociedades...

Tem lugar um eficaz sistema de doutrinamento e de controlo do pensamento (citando Chomsky).

É claro que existem propostas alternativas – amplas e consistentes – mas elas, não cabem, no processo de doutrinamento do regime.

Uma das demonstrações da eficácia do funcionamento do processo de doutrinamento? - dias, semanas, meses, após a  apresentação das alternativas; políticos e comentadores continuam a afirmar o caminho seguido como o único possível, que não existem outras soluções, ou que não se apresentam alternativas – e a mensagem passa sem estranheza e com uma naturalidade surprendente e estonteante...


2 – Em Outubro ou Novembro (2010), surge um documento da Associação Francesa de Economia Política, intitulado: “Manifesto dos economistas aterrorizados”, que coloca um conjunto de questões fundamentais, sobre a actual crise, a construção e a arquitetura europeias, e apresenta um conjunto alargado de propostas.

Também ele foi obliterado do debate público pelos media.

Permito-me, aqui, apresentar alguns (extensos) excertos (do referido “Manifesto”):

“...A Europa encontra-se aprisionada na sua própria armadilha constitucional [desde o Tratado de Maastricht] os Estados são obrigados a endividar-se nas instituições privadas que obtêm injecções de liquidez, a baixo custo, do Banco Central Europeu (BCE). Por conseguinte, os mercados têm em seu poder a chave do financiamento dos Estados.”,

“...A maior partes dos economistas que intervêm no debate públiico, fazem-no para justificar, ou racionalizar, a submissão das políticas às exigências dos mercados financeiros ..”,

“...Enquanto economistas … aterroriza-nos constatar que os fundamentos teóricos … dos argumentos utilizados à mais de 30 anos para orientar as opções das políticas económicas … não sejam postos em causa...”

“... a crise [não] é interpretada como o resultado lógico dos mercados desregulados ...”

“ ...um processo de “fedbacks positivos”, que agrava os desiquilíbrios. É a bolha especulativa: uma subida acumulada dos preços que se alimenta a si própria ...”

O lugar preponderante que os mercados fianceiros ocupam … é uma fonte permanente de instabilidade ...”,

“[Proposta 1] Limitar … os mercados financeiros … proibindo os bancos de especular por conta própria, evitando assim a propagação das bolhas e dos colapsos.”

“... as agências de notação financeira contribuem … para determinar as taxas de juros nos mercados obrigacionistas, … contaminadas pela vontade de alimentar a instabilidade, fonte de lucros especulativos ...”,

“[Proposta 8b] Libertar os Estados da ameaça dos mercados financeiros, garantindo a compra de títulos da dívida pública pelo BCE”,

“...A explosão recente das dívidas públicas na Europa e no mundo deve-seaos planos de salvamento do sector financeiro ...”,

“[Proposta 9] Efectuar uma auditoria pública das dívidas soberanas, de modo a determinar a sua origem ...”,

Ao nível europeu, a financeirização da dívida pública encontra-se inscrita nos tratados: com Maastricht os Bancos Centrais ficaram proibidos de financiar directamente os Estados, que devem encontrar quem lhes conceda empréstimos nos mercados financeiros.
Esta “repressão financeira” … Trata-se de submeter os Estadosà disciplina dos mercados financeiros ...”,

“[Proposta 14] Autorizar o BCE a financiar os Estados …, a um juro reduzido, aliviando deste modo o cerco que lhes é imposto pelos mercados financeiros.”,

A Europa foi construída, durante 3 décadas, a partir de uma base tecnocrática que excluiu as populações do debate de política económica ...”,

“É por isso que nos parece importante esboçar e debater, neste momento, as grandes linhas das políticas económicas alternativas, que tornarão possível esta refundação da construção europeia.”,


(Os sublinhados são da minha responsabilidade).

- O texto completo deste Manifesto poderá ser encontrado em arrastão.


É notável o empenho demonstrado, em impedir, a discussão das várias visões da Europa, e, das diferentes alternativas à sua construção; prosseguida pelos governos europeus. Governos esses, oriundos, das duas famílias políticas, a que pertencem os partidos que têm governado o país, à mais de 35 anos...
- Mais uma vez, é evidente, que existe um conjunto, de posições alternativas e de respostas, vasto e consistente, sobre a situação europeia – mas este é rejeitado do processo de “discussão”.

Pretende-se “mostrar”, não para debater os caminhos possíveis, mas para os esconder – o espaço público de discussão política é convertido em entretenimento de caserna, e, não, no da apresentação das alternativas, e, da promoção do esclarecimento.

As alternativas são excluídas do processo de “discussão”.

O sistema doutrinal é fortemente rejeccionista – ele determina e controla os limites da discussão possível.

É claro qu existem (outras) propostas e alternativas, mas estas são rejeitadas e lançadas para o útil poço da memória orwelliana (continuando com Chomsky).

Os media cumprem escrupulosamente o seu papel, no empenho da manufactura da engenharia do consenso (continuando ainda com Chomsky), em torno da aceitação das posições alternativas possíveis.

As ditaduras utilizam o cacete para controlar o pensamento, regimes não ditatoriais, utilizam formas mais subtis (ainda com Chomsky). São tão eficazes como o cacete? Bom, em 2005 o PSD-CDS perdeu o poder para uma maioria absoluta do PS, em 2010, algumas sondagens apontam uma derrota do PS, para uma maioria absoluta do PSD ….



Insanidade



Os “mercados” revelaram-se insaciáveis. Mensagens contraditórias e incongruentes eram (são) lançadas (antes, durante e após a “discussão” do O.E.); ora congratulando-se, e, exortandos os governos a prosseguir o caminho seguido, ora, ameaçando com a punição.
A confusão estava lançada e a pluralidade obliterada.

Os templos dos mercados revelam-se templos do absurdo.

A exortação à continuação não passa de uma exortação sacrificial.

A via que era (é) traçada não passava (passa), afinal, duma via sacra ao altar sacrificial, e, os políticos (assim como os comentadores do “sistema”), que a ele nos conduzem, os nossos carrascos!

No insaciável altar dos mercados é exigido sacrificio após sacrifício. A sua sede mostra-se incomensurável.


- A resposta dos mercados aos governos (com os seus intermináveis pacotes de austeridade, e, a sua incessante avalancha de cortes sociais), asssim como às vozes, que incansavelmente, ecoaram (e ecoam) nas capelas dos media?

 - A 28/09 – altura da apresentação do PEC 3, os juros das obrigações (a 10 anos) atingiram um máximo de - 6,637%;

 - A 15/10 – dia da apresentação do O.E. - juros das obrigações - 5,808%;

 - A 01/11 - 1 dia após o acordo PS-PSD, que garantiu a aprovação do O.E - 6,191%;

 - A 04/11 – Os juros atingem novo máximo histórico - 6,798%;

 - A 11/11 – Os juros das obrigações continuam a sua trajectória ascendente e atingem novo máximo histórico - 7,035%;

 - A 24/11 – após 3 PEC's e um O.E., os, insaciáveis, mercados respondem e os juros prosseguem a sua imparável trajectória e atingem novo máximo (histórico) - 7,059%;

 - A 21/12 – (dia em que a Moody's voltou a ameaçar cortar o “rating”) o valor dos juros estava a - 6,525%.

E a saga continua, novos episódios estão anunciados ….



“O principal negócio da América é o negócio ...”



1 – Em alguns dos principais indicadores de desenvolvimento, os EUA, apresentam dos piores resultados, entre os países industrializados, como; taxa de mortalidade infantil e nº de mulheres que morre durante a gravidez, ou parto, por 100 000 nados-vivos (por exemplo).
(Em relação ao 1º caso é mais do dobro do valor de Portugal e em relação ao 2º é mais do triplo do valor de Portugal).

Isto essencialmente porque nos EUA a saúde é privada (situação única, aliás, entre os países “desenvolvidos”) - o país mais rico do mundo é incapaz de garantir um serviço de saúde público, de acesso universal e gratuito aos seus cidadãos.

(Reagan, o principal mentor deste sistema fê-lo em nome de obter “o melhor sistema de saúde, do mundo, para a América” !.…)

As companhias de seguros duplicaram, triplicaram os seus lucros em pouco tempo – à custa de negar cuidados de saúde aos cidadãos ...(clientes)!

A saúde na América é um, muito rentável, negócio.

Os seus técnicos e quadros são premiados e promovidos em função do nº de cuidados de saúde negados.

Na era (W.) Bush empresas de seguros de saúde pagaram centenas de milhões de $ a congressistas- (com Bush à cabeça, com cerca de 1 milhão), para elaborarem e aprovarem legislação (no interesse da indústria farmacêutica). Após a legislação ser aprovada, 14 adidos do congresso e congressistas – que trabalharam no decreto-lei - abandonaram o congresso e foram trabalhar para a indústria de saúde. Billy Tauzin (um dos principais congressistas envolvidos na Lei), abandonou o congresso e foi trabalhar para a indústia de saúde com um salário anual de vários milhões de $.

- O negócio da América é o negócio.


2 – Saltar da presidência, ou da administração, de bancos, ou de grandes empresas, para o governo e deste para aqueles – nada de mais natural.

Fraude, especulação, adulteração de contabilidade de empresas, manipulação de resultados (a troco de milhões); práticas correntes...

Especular na subida ou na queda de acções, apostar na subida ou na queda de empresas, na subida ou na queda de países – perfeitamente legítimo!

- O negócio da América é o negócio.

Na América a máfia financeira e as práticas mafiosas, são práticas perfeitamente legítimas e estão institucionalizadas.

É avassaladoramente revelador um documentário que passou recentemente pelas salas de cinema (uma ou duas creio).

- AIG, Fannie Mae e Freddie Mac, tinham as mais altas referências das, agora tão conhecidas, agências de “rating” Moody's e Standard & Poor's, que - dois dias antes de falirem e de serem resgatadas – lhes atribuíam as classificações máximas: AA e AAA.

- A Merrill Lynch dois dias antes da falência e do seu resgate, também tinha comprado classificação máxima – as referidas agências atribuíam-lhe: AAA.

(A Administração, deste gigantesco banco de investimentos, atribui-se em bónus (ou prémios) 3,6 mil milhões – valor este correspondendo a, 1/3 do dinheiro que recebeu do Banco Central (do estado) pelo seu resgate - bónus, como é espectável, pela sua competência e bons serviços prestados).(Os bónus, ou prémios, milionários ou multimilionários, foram aliás gerais nas mega-empresas falidas).

(As agências de "rating" quadruplicaram os seus lucros a classificar lixo tóxico como; AA e AAA).

- Permutas entre público e privado? – vulgar no outro lado do Atântico:

. Larry Summers

Economista chefe do Banco Mundial – 19991-1992,

Entrou para o poder político (pelas mãos de Clinton), como Secretário do Tesouro Americano – 1999-2001,

Presidente da Universikdade de Harvard – 2001-2006,

Voltou para o governo, como “Director do Concelho Económico Nacional” - 2009-2010 (com Obama - sendo um dos seus principais acessores).

É ainda, simultaneamente, gestor (em part-time) de uma “hedge fund”, de uma firma “D. E. Show & Co.”, de onde recebeu largos milhões...

Nos cargos privados (B. M. e Univ. Harvard), defendeu a desregulamentação financeira, mais tarde no governo de Clinton, como Secretário do Tesouro, implementou essas medidas.

. Henry Pawlson

Administrador e presidente do Grupo Goldman Sachs (banco de investimentos) de 1998-2006,

Ingressou no governo, como Secretário do Tesouro dos EUA – 2006-2009 (pelas mãos de Bush),

- Robert Rubin

(Outro) Administrador e presidente do grupo Goldman Sachs – 1990-1992,

“Saltou” para o governo como - “Director do Conselho Económico Nacional” - 1993-1995,

Continuou, no governo, como Secretário do Tesouro de 1995-1999 (com Clinton) – onde defendeu a lei que tornou legal a criação do Citigroup,

Em 2007 torna-se Administrador do Citigroup (“chairman”).

- Professores de escolas de Gestão e de Economia recebem centenas de milhar, ou milhões, para fornecerem pareceres, como consultores, ou administradores de empresas, ou de agências financeiras, são pagos a peso de ouro em conferências, principalmente para agências financeiras (um dos casos mais célebres é o de Larry Summers).

- Incompatibilidades, conflitos de interesses – são palavras desconhecidas.

(A indústria financeira gastou entre 1998 e 2008, em lobbies e apoios a campanhas políticas; 5 000 milhões).

- O negócio da América é o negócio!


3 – A Islândia, após integrar o espaço económico europeu, privatizou os 3 principais bancos – privatização acompanhada da respectiva desregulamentação do sector financeiro – tendo-se seguido uma gigantesca bolha (o valor das suas acções chegou a subir cerca de 800%).

Os bancos trataram de comprar pareceres positivos (actividade tanto corrente, como fácil - a procura e a oferta é elevada) - um dos quais, a um ilustre professor na Escola de Administração de Empresas da Universidade de Colúmbia. Neste, teciam-se grandes elogios ao sistema de “regulação” bancário islandês; “os bancos, são fortes, bem geridos ...”

. As agências de “rating”, antes das falências, atribuiam-lhes (aos referidos bancos) classificação máxima: AAA.

(1/3 dos reguladores financeiros foi trabalhar para os bancos).

Até que a bolha rebentou – atirando os bancos para a bancarrota (e levando o país ao descalabro).

Este foi, um exemplo, revelador, do resultado, da tão proclamada “auto-regulação” dos mercados, defendida pelos neo-liberais à mais de 25 anos …

A Islândia - país que tinha excelentes indicadores de desenvolvimento (dos melhores do mundo, e, com uma população com níveis de vida ´”invejáveis” (mesmo entre os países “desenvolvidos”)) – é estilhaçada!


O cocktail; negócios/politica/teóricos-académicos-do-sistema, servido nos salões dos palácios governamentais e nos gabinetes privados das grandes instituições; não passa de veneno tóxico!

O que diferencia estas práticas das do sub-mundo criminoso na China, Bogotá, ou Colômbia; é a sua licitude.

A máfia financeira não corre o risco das rusgas e de prisão, que correm os falsificadores da Louis Vuitton, da Rolex, ou os traficantes de droga.

O seu negócio é mais seguro do que o mercado negro da droga ou o da contrafacção.

A máfia financeira ganha biliões, leva empresas e países à falência, provoca o sofrimento em milhões e é recompensada!


Escrúpulos, incompatibilidades, conflitos de interesses, são palavras inexistentes no léxico deste (es) mundo (os)...




- Vivemos em regimes fechados de interesses intercomunicantes – que visam a auto-perpectuação!


(São excluídas aqui as relações com as indústrias de armamento e de petróleo...).





- Calvin Coolidge, presidente dos EUA de 1923 a 1929 (opositor de qualquer regulamentação) – que por acaso estava incluído numa lista de clientes preferenciais para acções – tinha como slogan;
“O principal negócio da América é o negócio”.

- A máfia afirma só conhecer 3 palavras; “negócio, negócio e negócio”.



- Apetece utilizar a velha frase anarquista; “as putas ao poder que os filhos já lá estão”.



- Paz às nossas almas!!!..

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

"Como se o mundo não tivesse o direito de fartar-se da mesma comida política podre ..."

"...Como se o mundo não tivesse o direito de (...) fartar-se da mesma comida política podre servida em abundância aos selectos comensais dos palácios do poder em Washington"

Excerto de artigo de Pepe Escobar, intitulado: "Wikileaks: O imperador está nu" - "Asia Times Online", ler artigo em esquerda.net.



segunda-feira, 14 de junho de 2010

Por uma investigação independente aos assassinatos israelitas!

Segue parte do texto da petição sobre o ataque homicida de israel à frota humanitária que seguia em direcção a Gaza, com ajuda alimentar. Com o bloqueio israelita imposto à população palestiniana da faixa de Gaza, esta encontra-se cercada à cerca de 4 anos, com restrições à circulação de bens e pessoas, à entrada de alimentos e medicamentos, com efeitos devastadores sobre a sua população. A petição já conta com cerca  de 500 mil assinaturas:


"Petição aos governos e instituições internacionais:


Nós pedimos uma investigação independente e imediata sobre o ataque israelense à frota de barcos, responsabilizando os culpados. Pedimos também a remoção imediata do bloqueio a Gaza"

Para ler e assinar a petição.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

FIM À OCUPAÇÃO ISRAELITA!

BASTA DE CRIMES!

FIM AO BLOQUEIO A GAZA!


ver cartaz de convocação de manif. para 02/06 (4ª f.), Lisboa, em 2+2=5


A Amnistia Internacional considera que:

"o bloqueio não tem como alvo grupos armados mas sim a população de Gaza em geral, que é punida com a restrição à entrada de alimentos, medicamentos, equipamentos educacionais e materiais de construção",
"sem grande surpresas, as consequências do bloqueio, são mais visíveis nos sectores mais vulneráveis da população de Gaza, que ascende a 1,5 milhão de pessoas: as crianças, os idosos e os enfermos",
"o bloqueio consiste naquilo a que a lei internacional considera com punição colectiva e deve ser levantado imediatamente".

Ler apelo em Amnistia Internacional

quarta-feira, 5 de maio de 2010

A solução final israelita!...

Vergonha!!...
O mundo assiste silencioso e em directo a esta solução final, dirigida por israel aos Palestinianos.
De facto, os israelitas aprenderam muita coisa com os seus ex-carrascos nazis ...

Sobre alguns dos últimos acontecimentos ler: Daniel OliveiraEsquerda.net, Esquerda.net

quinta-feira, 25 de março de 2010

Divulgação de Petição sobre "Tratado de Comércio de Armas"

Alguns números:

Anualmente;

- Mais de 300 000 pessoas são assassinadas.

- Mais de 1 000 000 de pessoas são feridas por armas.

- Mais de 200 000 pessoas são vítimas de homicídio com armas.

- No contexto de guerra e de conflitos armados entre 60 a 90 000 pessoas são mortas.



Visualização de Stop the bullets. Kill the gun.




Segue texto da Amnistia Internacional sobre Campanha de Controlo de Armas:




Participe na petição ao Presidente Barack Obama


A circulação desregrada de armas alimenta os conflitos, fomenta a pobreza e os abusos de direitos humanos. Chegou a altura de pedir ao Presidente Obama e à Secretária de Estado Hillary Clinton que apoiem imediatamente a criação de um Tratado de Comércio de Armas eficaz.


Em 2006, activistas da campanha Controlar as Armas, como você, ajudaram a colocar na agenda das Nações Unidas o Tratado de Comércio de Armas. Desde então, os EUA já votaram duas vezes contra a criação deste tratado.


Com o Presidente Obama na Casa Branca, há potencial para uma nova abordagem nas políticas externas da América. Obama já disse que defende um mundo livre de armas nucleares e um tratado inter-americano sobre tráfico de armas de fogo. A Semana de Acção Global é uma oportunidade para o presidente Obama ouvir a sua voz e apoiar um Tratado de Comércio de Armas.


Participe na petição ao presidente Obama. O mundo não pode esperar!

terça-feira, 23 de março de 2010

De ti ausente!

(A propósito de clip de Peter Murphy, ouvido em blogue que não registei ...)



O ar ergue-se

vislumbra o horizonte

expânde-se em direcção a vitais ramificações

a apelos de sequiosa seiva

voluntariosamente respondendo








Soêrgo-me

por suaves fragâncias percorrido

do torpor libertado,

lânguidos espasmos,

ténues melodias





Andreas