quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A rapaziada de Kiev e do ocidente (2)







"(...) Por uma grande Reconquista Ucraniana e Europeia ... Tudo está apenas no início! (...)"

"Glória à Ucrânia!"

"Glória aos nossos heróis!"

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The Great Ukrainian Reconquista: What is the Right Sector fighting for?


We, the warriors and commanders of the Right Sector are actively fighting the regime, remembering the heroism of King Svyatoslav the Courageous of Kyiv, King Danylo of Galicia, of Bohdan Khmelnytsky and the warriors of the Ukrainian Insurgent Army; implementing the right of a people to rise against injustice; and aware of our responsibilities before the dead and injured heroes of the Maidan.

For the right of every Ukrainian to human dignity...

For a fair criminal trial of Berkut and other dogs of the occupational system...

Against the humiliation and impoverishment of the Ukrainian people...

Against the war of the government with its own people...

For responsible voters and politicians...

For the election of judges...

Against corrupt and marginal democracy...

Against degeneracy and totalitarian liberalism...

For traditional folk morality and family values...

For Ukrainian families having many children...

For a spiritually and physically healthy youth...

Against a culture of consumerism and eroticism...

Against any form of "integration" on terms dictated from outside of Ukraine...

For unity and worldwide greatness of the Ukrainian nation...

For a great Ukrainian and European Reconquista... Everything is only beginning! From our Maidan, the rebirth of Kyivan-Rus/Ukraine commences, the rebirth of Europe commences.

Glory to Ukraine!

Glory to our heroes!



- A partir de: you tube




sábado, 22 de fevereiro de 2014

Venezuela - O envolvimento dos EUA no financiamento, desestabilização e conspiração contra regimes democráticos (democraticamente eleitos - que não prestem vassalagem à superpotência) - como passatempo favorito nacional, em simultâneo, é claro, com a vigilância global e com a promoção da guerra ...







- Excerto do "Democracy Now!",  de 20 de Fevereiro último,  onde George Ciccariello-Maher é entrevistado acerca da actual situação na Venezuela ...








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(Divulgação)


(Transcrição de parte da entrevista pelo esquerda.net)



Quem é o líder dos protestos na Venezuela?

No princípio desta semana, um dos opositores da direita venezuelana, Leopoldo López, entregou-se à polícia, sendo acusado de incitar os confrontos na Venezuela, que provocaram já seis mortos. Em entrevista à Democracy Now, George Ciccariello-Maher, professor de ciência política nos EUA, fala da situação na Venezuela, analisa o papel dos EUA nos acontecimentos e responde à pergunta: Quem é Leopoldo López?


Leopoldo López - foto wikimedia

Democracy Now:O que está a acontecer na Venezuela hoje?
George Ciccariello-Maher:Está a acontecer um grande evento, que será uma tarefa crucial para o governo de Maduro. É nossa obrigação que analisemos a situação dentro doseu contexto histórico, para entendermos quem está a agir. Se acompanhamos o Twitter, observamos que há uma tendência: neste momento “pós-occupy” e sucessor à Primavera Árabe, cadavez que vemos protestos nas ruas, começamos a retuitá-los e a sentir uma simpatia pela causa, mesmo sem saber qual é o contexto dela. Uma vez que analisamos o contexto venezuelano, o que vemos é mais uma tentativa, dentro de uma longa história de tentativas, de depor um governo democraticamente eleito, desta vez aproveitando-sede uma mobilização estudantil contra a insegurança e as dificuldades económicas.
DN:George Ciccariello, quem é Leopoldo Lopez? O Washington Post descreve-ocomo um homem de 42 anos, de esquerda, que estudou em Harvard. O que você sabe da sua história?
GC-M:Dizê-lo de esquerda seria forçar a barra. Leopoldo Lopez representa o que há de mais à direita no espectro político venezuelano. Ele foi educado nos Estados Unidos desde o ensino médio até a sua graduação na Harvard Kennedy, descende do primeiro presidente venezuelano e dizem que até mesmo do próprio Simon Bolívar. Por outras palavras, ele é o representante desta classe política tradicional que deixou o poder após a Revolução Bolivariana. Em termos da sua história política, o seu partido, o Primera Justicia, foi formado por uma intersecção entre corrupção e intervenção norte-americana, corrupção por sua mãe, ao arrecadar fundo fraudulentos de uma companhia de petróleo venezuelana para este novo partido, e pelo outro lado fundos do NED, do USAID, e de instituições do governo norte-americano. Assim que Chávez chegou ao poder, os partidos políticos tradicionais entraram em colapso, e tanto a oposição interna quanto o governo dos EUA precisavam criar algum outro veículo para fazer oposição ao governo Chávez, e este partido de Leopoldo Lopez é um destes veículos. Neste momento, até mesmo o líder anterior do partido, Henrique Caprilles, que foi o candidato às eleições presidenciais, percebeu que a linha de fazer ações nas ruas na tentativa de depor um governo democrático simplesmente não vai funcionar. No entanto, Leopoldo Lopez e outros líderes, como Maria Corina Machado e Antonio Ledesma, continuam a tentar depor o governo.
DN:O presidente Maduro expulsou três diplomatas norte-americanos, alegando que eles estavam envolvidos no apoio à oposição. Você poderia nos falar sobre isso?
GC-M:O governo Obama continua a financiar esta oposição, até mesmo mais abertamente do que Bush fazia: Obama requisitou fundos para estes grupos opositores, mesmo que eles estivessem envolvidos em atividades antidemocráticas no passado e apesar do facto de López e outros estarem envolvidos no golpe de 2002 e terem participado de ações violentas na época. Dizer que López hoje é um representante da democracia só pode ser uma piada. Há uma questão interessante aqui, a de que o governo venezuelano, se ouvimos as palavras da esposa de Leopoldo López em declarações recentes, agiu para proteger a vida de López, que estava sob ameaças. A maneira pela qual López foi preso foi muito generosa, muito mais do que López foi no passado, quando liderou uma caça às bruxas contra os ministros chavistas que foram espancados em público no caminho da prisão. López pôde até mesmo falar com um megafone no dia em que foi preso. Podemos perguntar: por que o governo de Maduro está a ser tão gentil com ele? Na verdade, preferem que ele seja o líder da oposição porque ele simplesmente não seria eleito, pois representa a nata das elites venezuelanas.
DN:O que vemos na grande comunicação é uma Venezuela fora de controle, com altos índices de violência, escassez de comida e inflação altíssima. Qual é a sua avaliação da situação do país hoje?
GC-M:Para dizer claramente, a escassez de comida tem sido sim um problema, e a segurança pública é um problema gigantesco na Venezuela. Ambos são problemas profundos que têm a ver com falhas do governo para tratá-los, mas também tem relação com a ação de vários outros atores. No caso da criminalidade, a infiltração de máfias tem sido muito grande nos últimos anos, e no caso da escassez, o papel de capitalistas que açambarcam bens de consumo e a especulação da moeda tem sido uma força destrutiva que nos lembra muito o Chile de Allende, onde se tentou destruir a economia como uma preparação para o golpe. Mas, na verdade, estes dois fatores que os estudantes tem protestado contra não explicam o porquê destes protestos estarem a emergir, pois os índices de criminalidade estão a baixar e a escassez de comida não está nem de longe tão ruim quanto estava há um ano. O que explica o que está a ocorrer agora é que, depois das eleições de dezembro, este foi o momento em que a direita disse “já chega, estamos cansados de eleições, vamos às ruas tentar derrubar este governo”, mas neste meio tempo, os movimentos revolucionários venezuelanos, as organizações populares, que são no fim das contas a base deste governo, que nunca teve apenas como base Chávez ou Maduro enquanto indivíduos, mas sim milhões e milhões de venezuelanos que estão a construir uma democracia mais profunda e mais direta, a construir movimentos sociais, organizações, conselhos de trabalhadores, conselhos estudantis, conselhos de camponeses, estas pessoas estão a continuar a luta, estão a defender o governo Maduro, e estes protestos que estão ocorrer principalmente nas regiões mais ricas de Caracas, a Beverly Hills de Caracas, não as fará desistir desta tarefa.
DN:E o papel dos EUA?
Os EUA continuam a financiar a oposição. Acho que no futuro, como costuma acontecer, nós teremos acesso às informações do grau de envolvimento dos EUA no financiamento à oposição venezuelana. Na realidade, esses protestos são um cálculo errado por parte da oposição, não parece que os EUA tenham dito à oposição para tomarem este caminho, pois ele não parece ser muito estratégico. Sabemos que esta é uma oposição em contacto direto com a embaixada norte-americana, que recebe fundos do governo dos EUA, mas este é o movimento de uma oposição venezuelana autónoma que vai, como parece, novamente desmoronar-se.
Entrevista completa no site do DemocracyNow. Tradução de Roberto Brilhante para CartaMaior


(Os sublinhados são da minha responsabilidade)


- A partir de:  esquerda.net




quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

"Novas" de Kiev ( 4 ) - "A Diplomacia da Mudança de Regime"












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(Divulgação)



A Diplomacia da Mudança de Regime

10/2/2014, [*] Eric Draitser – New Eastern Outlook
Traduzido por João Aroldo


A gravação recentemente divulgada da secretária-assistente de Estado dos EUA, Victoria Nuland, conspirando com o embaixador dos EUA para a Ucrânia para a fabricação de um novo governo no país revelou como os EUA se intrometem diretamente nos assuntos de nações soberanas. No entanto, ao invés de um incidente isolado, este episódio é parte de uma rica história de “diplomacia” dos EUA como um meio de mudança de regime.




Na quinta-feira, 06 de fevereiro de 2014, veio à tona uma conversa telefônicagravada entre a secretária de Estado dos EUA, Victoria Nuland, e o embaixador dos EUA para a Ucrânia, Geoffrey Pyatt. Durante este telefonema, os dois discutem uma série de questões, incluindo como eles gostariam que o novo governo da Ucrânia fosse constituído, incluindo papéis específicos para os líderes da oposição. A gravação põe a nu o fato de que, apesar da retórica da “democracia” e “autodeterminação”, a intenção de Washington na Ucrânia é utilizar a crise política como um meio de fabricação de um governo favorável aos interesses ocidentais e abertamente hostis a Moscou.

Durante a conversa, Pyatt afirma:

Estamos tentando fazer uma leitura muito rápida de onde ele[Klitschko] está nesta coisa... [Uma ligação para Klitschko] é o próximo telefonema que queremos fazer... Estou feliz por você colocar [Yatsenyuk] no local onde ele se encaixa neste cenário.

Nuland responde, dizendo:

Eu não acho que Klitsch[ko] deva ir para o governo... Eu não acho que seja uma boa ideia... Yats[enyuk ] é o cara, ele tem experiência...

Este pequeno trecho do telefonema ilustra muito claramente que, ao invés de simplesmente apoiar a oposição, Nuland e seus superiores em Washington estão gerenciando-os diretamente para fins de fabricação de um governo de sua escolha. Além disso, ele demonstra o fato ineludível de que, apesar de toda sua retórica sobre “democracia”, a administração Obama, como as administrações anteriores, usa isso apenas como uma cobertura para uma agenda de mudança de regime projetada para vantagem geopolítica.

Embora muitos observadores políticos e analistas já saibam há décadas que os EUA usam essas táticas, ainda há muitos na classe política e mídia corporativa ocidental que se recusam a reconhecer esse fato, descartando-o como mera “especulação”.

O telefonema vazado mostrou conclusivamente, por meio de provas concretas incontestáveis, que os Estados Unidos manipulam cinicamente movimentos políticos e sociais internacionalmente.

Países Diferentes, mesma estratégia

Em todo o mundo, os Estados Unidos usaram a diplomacia como um disfarce para a desestabilização de governos que consideram hostis. Um exemplo particularmente flagrante são as repetidas tentativas de derrubar o governo do presidente Mugabe e seu partido ZANU-PF no Zimbábue. Washington tem apoiado há tempos o queridinho dos EUA, Morgan Tsvangirai e seu partido de oposição, conhecido como Movimento para a Mudança Democrática (Movement for Democratic Change - MDC-T), por causa de sua vontade de implementar o que é chamado eufemisticamente de “liberalização econômica” - linguagem cifrada para a colaboração com o capital financeiro neoliberal - bem como a sua dedicação para minar o governo aliado à China de Mugabe.

Em 2010, o WikiLeaks divulgou telegramas diplomáticos entre o ex-embaixador dos EUA no Zimbabwe Christopher Dell e seus superiores em Washington. Os telegramas revelam como os Estados Unidos têm trabalhado e preparado a mudança de regime no Zimbábue ativamente. O Embaixador Dellescreveu que:

Nossa política está funcionando e está ajudando a causar mudanças aqui. O que é necessário é simplesmente a coragem, determinação e foco para conseguir isso. Então, quando finalmente vierem as mudanças, nós temos que estar prontos para agir rapidamente para ajudar a consolidar a nova distribuição... Ele [o Sr. Tsvangirai] é o elemento indispensável para a mudança de regime, mas vai ser, possivelmente, uma pedra no sapato, uma vez no poder.

Os telegramas mostram a íntima relação de trabalho que existe entre a chamada oposição e seus apoiadores ocidentais. Embora isso não seja segredo no Zimbábue, isso é novidade para muitos no Ocidente que têm sido exaustivamente levados a acreditar que o MDC-T e Tsvangirai representam mudanças substanciais e um movimento em direção a mais democracia. Infelizmente, o Zimbábue não é o único alvo dos EUA para a mudança de regime sob o pretexto de “democratização”.

A Venezuela se tornou um alvo principal de mudança de regime dos EUA quando Hugo Chávez foi eleito presidente. Corretamente visto como uma séria ameaça para a hegemonia política e econômica dos EUA na Venezuela e em toda a América Latina, Chávez e seu governo socialista bolivariano foi o alvo de uma série de estratégias que visam a desestabilização e/ou derrubada. Além do golpe que temporariamente (por uma questão de horas) depôs Chávez e colocou em seu lugar um governo de direita apoiado e reconhecido pelos Estados Unidos, Washington fez uma série de tentativas de mudança de regime com uma vasta rede de ONGs e outras organizações financiadas de fora do país.

Em um telegrama diplomático divulgado pelo WikiLeaks, o ex-embaixador dos EUA na Venezuela, William Brownfield, detalhou as inúmeras formas com que os EUA estavam tentando se infiltrar na base política dos partidários de Chávez para criar divisões que poderiam ser exploradas para destruir o movimento bolivariano. Brownfield explicou em detalhes como os Estados Unidos utilizaram a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (United States Agency for International Development - USAID), o Escritório de Iniciativas de Transição (Office of Transition Initiative- OTI) e outras organizações para distribuir fundos e prestar assistência técnica a uma variedade de ONGs que estavam trabalhando ativamente contra o governo eleito de Chávez.

Como prova desse compromisso contínuo, basta dar uma olhada num artigo doCouncil on Foreign Relations escrito pelo ex-embaixador dos EUA na Venezuela, Patrick Duddy em que ele apresenta uma série de cenários para a desestabilização do governo de Chávez, na sequência das eleições de 2012. Um dos cenários mais sinistros envolveu o uso de violência nos dias após a eleição como um meio de deslegitimar os resultados. Isto é precisamente o que aconteceu, embora Chávez e seu partido tivessem sido capazes de manter o controle. Além disso, é um segredo aberto na Venezuela que a oposição Mesa de la Unidad Democratica (MUD) é apenas um fantoche da Câmara de Comércio norte-americana e de outros interesses dos EUA e que seu candidato Henrique Capriles é meramente um representante de Washington.



A Venezuela certamente não foi a única nação latino-americana liderada por um presidente de esquerda carismático e popular alvo dos EUA para a mudança de regime. Bolívia e Equador estão ambos na lista de inimigos de Washington. Na verdade, o presidente boliviano Evo Morales deu o passo extraordinário de expulsar completamente a USAID, afirmando que:

(...) não havia falta de instituições norte-americanas, que continuam a conspirar contra o nosso povo e, especialmente, o governo nacional, e é por isso que vamos aproveitar a oportunidade e anunciar... que nós decidimos expulsar a USAID.

Morales destacou que os programas da USAID têm “fins mais políticos do que sociais”.

Apesar dos desmentidos vigorosos por funcionários da USAID e doestablishment político dos EUA, há ampla evidência de suporte para as afirmações do presidente boliviano.

Assim como na África e América Latina, os EUA tentaram manipular a oposição política, para efeitos de mudança de regime na Rússia. Durante os protestos 2011-2012 contra o presidente russo, Vladimir Putin, vieram à tona acusações de que o embaixador dos EUA, Michael McFaul, estava envolvido na organização dos líderes da oposição e liderando o movimento nas sombras. Embora tanto o Departamento de Estado como o próprio McFaul negassem a acusação, vieram a público evidências que comprovaram as acusações. Em um vídeo viral noYouTube (logo abaixo), vemos Boris Nemtsov (copresidente do partido de oposição RPR-PARNAS) e outras figuras importantes da oposição saindo da embaixada dos EUA em Moscou depois de uma reunião com o embaixador dos EUA.

A relação entre a oposição russa e os EUA pode ser vista a partir de tais associações pessoais, mas também em termos de assistência financeira fornecida por órgãos dos EUA, como o National Endowment for Democracy (NED). Isso é, naturalmente, parte da agenda mais ampla dos EUA para desestabilizar o governo Putin e substituí-lo por um governo fantoche amigável aos EUA.

Estas revelações começam a pintar um quadro muito feio da política externa dos EUA com base na manipulação cínica das instituições supostamente democráticas. Usando uma variedade de táticas políticas e diplomáticas, Washington projeta seu poder em nações que considera ser “adversárias”.

Ao fazê-lo, os EUA se revelam hipócritas, na medida em que afirmam “promover a democracia” ao trabalhar ativamente para minar governos democraticamente eleitos em todo o mundo.


[*] Eric Draitser é Analista independente de Geopolítica com sede em Nova Yorque e fundador do sítio Stop Imperialism. É colaborador regular de Russia Today, Counterpunch, Research on Globalization, Press TV,New Eastern Outlook e muitos outros meios de comunicação. Produz também podcasts disponíveis no iTunes e Stop Imperialism, bem comoThe Reality Principle, disponível exclusivamente no sítioBoilingFrogsPost.com. Visite StopImperialism.com e acesse todas as suas postagens.


- A partir de: redecastorphoto





quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

"Cuidado! O seu telemóvel pode atrair um ataque de drone"





(divulgação)


Cuidado! O seu telemóvel pode atrair um ataque de drone

Reportagem do jornalista Glen Greenwald no novo site The Intercept mostra como os ataques desfechados pelos EUA com aeronaves não tripuladas baseiam-se cada vez mais em vigilância eletrónica, e não em informação recolhida por pessoas no terreno, e por isso erram tanto os alvos.



Novo site de jornalismo investigativo não tem publicidade.

Os jornalistas Glenn Greenwald e Jeremy Scahill publicaram sob o título “O papel secreto da NSA no Programa de Assassinatos dos EUA” uma extensa reportagem acerca do uso de vigilância em massa dos sistemas de telecomunicações e Internet para guiar os ataques de drones contra alvos que os Estados Unidos consideram “terroristas”. Esta estratégia é considerada pouco fiável por antigos operadores de drones ouvidos na reportagem e tem como resultado a morte de muitos inocentes e pessoas que nunca foram identificadas.
Esta estratégia é particularmente usada em países onde as agências de segurança americanas pouca gente têm no terreno, como o Iémene, a Somália ou o Paquistão, e baseia-se na deteção dos cartões SIM dos telemóveis dos alvos. A vigilância em massa serve para localizar os telemóveis e para identificar o seu dono. Feito isto, o ataque com um drone é desencadeado, sem que haja a certeza de que o telemóvel é efetivamente da pessoa em causa, e se está realmente na posse dessa pessoa.
Um antigo operador de drone ouvido pela reportagem diz que quando a bomba atinge o alvo num ataque noturno, o operador sabe que o telemóvel está lá, mas não quem está atrás dele. Assume-se que o telemóvel pertence a uma pessoa que é nefasta e considerada um “combatente inimigo desleal”.
A questão é que os alvos, assim que perceberam que os cartões SIM são usados para a sua localização, podem usar dezenas de cartões, e permutá-los entre várias pessoas para causarem confusão. Numa reunião despejavam os cartões SIM num saco e, no final, recolhiam-nos aleatoriamente.
O Bureau de Jornalismo Investigativo estima que pelo menos 273 civis inocentes foram mortos em ataques com drones no Paquistão, Iémene e Somália.
Novo site não tem publicidade
A extensa reportagem é baseada em documentos revelados pelo ex-analista da CIA Edward Snowden e fontes ouvidas pelos jornalistas. É o artigo de estreia do novo site de jornalismo investigativo The Intercept, que entrou na rede pela primeira vez na última segunda-feira 10 de fevereiro.
The Intercept é a primeira publicação da First Look Media, empresa que resultou do investimento de Pierre Omidyar, fundador do site de compras e leilões Ebay. The Intercept foi criado por Glenn Greenwald, Laura Poitras e Jeremy Scahill, e tem um total de 12 jornalistas na redação. Não conta com publicidade nem patrocínios. A intenção é que uma empresa na área tecnológica do mesmo grupo dê lucro suficiente para financiar o trabalho dos jornalistas. Omidyar pretende investir 250 milhões de dólares no projeto, o mesmo valor que o dono da Amazon, Jeff Bezos, gastou para comprar o Washington Post.



- A partir de: esquerda.net




domingo, 26 de janeiro de 2014

From U.S.A. (3)





(divulgação)


"Morte por fuzilamento" pode voltar a ser introduzida no EUA

Em pelo menos dois estados dos EUA está a ser considerada a reintrodução da “morte por fuzilamento” como método para executar cidadãos condenados à pena de morte. A motivação principal para voltar a usar este método grotesco, abandonado por quase todos os países do mundo, é, surpreendentemente, de ordem económica.



“Creio que os custos de construção de uma câmara de gás são proibitivos quando considerado o número de pessoas que seriam executadas, ou até o preço de guilhotinas”, argumentou um senador republicado do Wyoming.


A maior potência do mundo está com sérias dificuldades em importar a droga contida na injeção letal, assim, os pelotões de fuzilamento seriam a alternativa mais prática e económica, para ultrapassar o "problema".

Os estados de Wyoming e do Missouri já deram sinais nesse sentido e a “solução” poderá mesmo traduzir-se em projeto de lei.

Um deputado republicano do estado do Missouri, Paul Fitzwater, disse ter “as vítimas em mente”, quando manifestou o seu apoio a esta alteração legislativa. “As pessoas olham para os presos que vão ser executados como vítimas. Mas as verdadeiras vítimas não têm voz porque estão mortas", disse a um jornal local.

Um outro eleito, do Wyoming, também se manifestou publicamente favorável ao regresso dos pelotões de fuzilamento, sempre que não seja possível executar com recurso a injeção letal.

“Um dos motivos pelos quais escolhi os pelotões de fuzilamento e não qualquer outra forma é porque, francamente, é a opção mais barata para o poder público", afirmou o republicano Bruce Burns e membro do Senado do Wyoming.

“Creio que os custos de construção de uma câmara de gás são proibitivos quando considerado o número de pessoas que seriam executadas, ou até o preço de guilhotinas”, argumentou.

O estado do Utah é o único que já empregou este método de execução. Usou-o três vezes desde 1977, e, a última vez foi em 2010, quando o preso Ronnie Lee Gardner optou por esta via.

Os fabricantes europeus, fornecedores da substância usada para executar presos de forma indolor nos EUA, começaram a boicotar a venda da droga por motivos morais, segundo o portal Russia Today. Para tentar ultrapassar a situação, as autoridades dos estados com pena de morte entraram em contacto com a indústria farmacêutica norte-americana para poderem utilizar uma mistura não testada.

O método controverso, entretanto, uma combinação de poderosos sedativos e analgésicos, ainda precisa de ser aprovado. Nos últimos dias, o debate tem sido intenso no país após uma execução mal sucedida no Ohio no passado sábado, na qual o preso Dennis McGuire demorou 26 minutos para morrer. De acordo com a agência AP, foi a mais longa das 53 execuções desde que o estado reintroduziu a pena capital, em 1999.



- A partir de: esquerda.net




quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

"Novas" de Kiev ( 3 )




(divulgação)


Manifestação na Ucrânia ressuscita chefe fascista

A influência do grupo neonazi Svoboda – que obteve 10% e 37 deputados nas últimas eleições – tem sido visível nos protestos apresentados como "pró-europeus" à opinião pública internacional.



Manifestação promovida pelos neonazis em homenagem a Stepan Bandera juntou milhares em Kiev.

O Svoboda de Oleg Tyanybok juntou milhares de pessoas em Kiev num desfile evocativo de Stepan Bandera, um terrorista fascista que celebrou acordos com Hitler quando este iniciou a invasão da União Soviética, integrou o governo colaboracionista e acabou deportado para o campo de concentração de Saschenhausen – por exigir mais do que Hitler lhe concedia -  de onde foi libertado em 1944.

Chefe da Organização Nacionalista Ucraniana, “facção Bandera”, e do Exército Revolucionário Ucraniano (UPA), Stepan Bandera defendeu sempre a criação de uma Ucrânia independente de índole fascista - para “ucranianos puros”. Os seus herdeiros políticos, o partido Svoboda, que até 2004 se designou Partido Social Nacionalista, promovem anualmente uma marcha de homenagem por ocasião do seu aniversário, 1 de Janeiro. Bandera nasceu em 1909 e terá sido assassinado pelo KGB em 1959 na Alemanha, onde vivia.

A única ligação entre Stepan Bandera e o “pró-europeísmo” que tem caracterizado a actual vaga de manifestações na Ucrânia terá sido o facto de durante a Guerra Fria os seus operacionais clandestinos do UPA terem sido largados por aviões da NATO sobre espaço soviético.

O Svoboda pretende  fazer crer que a sua posição actual não se identifica com a ideologia de Stepan Bandera. “O nacionalismo não tem nada a ver com o nazismo e muito menos com os fascismo”, afirmou Oleg Tyanybok. “É por isso que estas marchas são importantes para pôr fim às histórias de horror inventadas pelos comunistas e a polícia secreta da era soviética”, acrescentou.

As palavras do chefe do Svoboda não se harmonizam com outras declarações suas e de deputados do partido no Parlamento de Kiev. Eleitos do partido consideram que a luta contra o actual presidente Yanukovich é um combate contra “a judiaria organizada” ou, como disse o próprio Tyanybok, contra “a mafia moscovito-judaica”.

As actividades terroristas de Stepan Bandera entre guerras caracterizou-se pela organização e participação em numerosos pogroms contra judeus na Polónia e na própria Ucrânia, em sintonia com os comportamentos hitlerianos.

A evocação de figuras como Stepan Bandera e o crescimento e activismo de grupos como Svoboda é o equivalente na Ucrânia aos esforços para reescrever a história em relação aos nacionalismos e aos colaboracionismos que se desenvolvem em todo o Leste da Europa designadamente na Hungria, Estónia, Letónia, Lituânia, República Checa e Eslováquia.




- A partir de: Esquerda.net






quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Mais 1 assassino em massa, 1 criminoso de guerra, 1 canalha, 1 colonialista, 1 colonizador; que desaparece sem ser julgado ...






(Devido à impossibilidade de carregar o vídeo (programa) completo de 13 de Janeiro de 2014 do "Democracy Now!", seguem-se 3 segmentos do programa ...)



















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Algumas imagens do massacre de Sabra e Shatila ( campos de refugiados palestinianos no sul do Líbano - massacre considerado pela Assembleia Geral da ONU como um genocídio por 123 votos a favor e 0 contra com 22 abstencões, em 1982, ano do massacre) acompanhadas do testemunho ocular, e comentários, de Robert Fisk









segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

"Novas" de Kiev ( 2 )





(divulgação)


Ucrânia: Incertezas

Por detrás da viragem nas negociações com a UE está, mais do que a sorte de Iúlia Timoshenko, a situação socioeconómica da Ucrânia e a natureza dos acordos. Por Catherine Samary

Foi a violência policial contra as primeiras manifestações “pro-europeias” que mudou a amplitude das mobilizações a 1 de dezembro e acentuou o descrédito do regime

Os partidos de oposição ucranianos não conseguiram aprovar no Parlamento, a 3 de dezembro, a moção de censura que visava sancionar a não assinatura pelo presidente ucraniano do Acordo de Associação negociado com a União Europeia. Divididos entre as negociações para uma remodelação governamental e o bloqueio dos edifícios governamentais para conseguir eleições antecipadas, eles apostaram na mobilização de domingo 8 de dezembro de um milhão de pessoas contra a “venda da Ucrânia a Rússia”.

Foi a violência policial contra as primeiras manifestações “pro-europeias” que mudou a amplitude das mobilizações a 1 de dezembro e acentuou o descrédito do regime. Sentindo a ascensão do protesto até nos seus bastiões do leste do país, a Ucrânia russófona, o Primeiro-ministro ucraniano chegou a pedir perdão pelos “excessos” em nome do governo e do presidente a 3 de dezembro perante o Parlamento, e a propor uma comissão tripartida (governo, oposição e mediadores europeus) para investigar essa violência. Entretanto, uma parte da oposição procura apoiar-se nas mobilizações para bloquear de forma duradoura os edifícios públicos – com risco de provocar confrontos - esperando conseguir a queda do governo.

Mas está-se longe de uma nova “Revolução laranja”, isto é, de manifestantes que se reconhecem nos programas dos “candidatos laranja” que sucederam ao regime de Leonid Kutchma (1993-2004) animados pela esperança popular de um regime não corrupto. As desilusões têm sido rápidas, e explicam que em 2010 tenha triunfado nas urnas o candidato derrotado em 2005, Viktor Yanukovich.

A face oculta dos discursos “europeus”

Yanukovich foi eleito na base de um programa de “neutralidade” militar e de equilíbrio das relações internacionais, permitindo de facto a aproximação entre diversos oligarcas. Também as negociações de aproximação à UE foram conduzidas pelo partido no poder até à recente rutura em Vilnius. A esperança dos partidos da oposição de aprovar a moção de censura no Parlamento a 3 de dezembro não era portanto realista.

Por detrás da viragem nas negociações com a UE está, mais do que a sorte de Iúlia Timoshenko (de que a UE fazia um casus belli), a situação socioeconómica da Ucrânia e a natureza dos acordos. O país não recuperou nem do choque da desintegração da URSS e das privatizações, nem da recessão de 2009. O seu PIB por habitante é de 20% da média da UE, mais baixo que o da Roménia e que o da Bulgária. O défice orçamental do país aumentou desde 2009 (cerca de 6% do PIB em 2010) e o défice da sua balança de pagamentos superou os 7% do PIB em 2012. Mas o partido no poder teme uma explosão social em caso de subida das tarifas da energia: pressionado entre as ofertas russas e as subidas de preços exigidas pelo FMI para reduzir as dívidas, negou-se a assinar o acordo, não sem antes pedir - em vão - à UE que interviesse perante o FMI ou que organizasse uma negociação tripartida (Rússia, Ucrânia e UE)1.

A questão da democracia

Mas, como sublinhava o jornal francês “La Tribune” de 3 de dezembro (“Ucrânia: o que a Europa se nega a ver”), estas realidades são ocultadas com um “deslizamento operado pelos dirigentes e pela maior parte dos média europeus da questão do tratado de associação com a UE que o presidente Viktor Yanukovich se negou a assinar para a questão da luta pela democracia”.

O desafio democrático é, contudo, real. Mas noutro sentido. Os partidos estão todos muito desacreditados, exceto talvez o do antigo campeão de boxe Vitali Klitschko, precisamente porque denuncia a corrupção endémica e põe o acento em algumas questões sociais. Como os Indignados da Bulgária, o movimento é ao mesmo tempo crítico dos partidos e de diversas conceções ideológicas: azul e amarelo são tanto as cores de Ucrânia como as da bandeira de uma UE idealizada ou também as do partido Svoboda/Liberdade (onde sobre fundo azul se levantam três dedos amarelos), o qual comemora os batalhões SS2, destrói uma estátua de Lenine ou pede a proibição do partido comunista... Sinais de europeísmo democrático?

Artigo de Catherine Samary,publicado em npa2009.org, traduzido por Faustino Eguberri para vientosur.info. Tradução para português de Carlos Santos para esquerda.net

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1 Ler sobre os Acordos de Associação e o último relatório do FMI: http://www.criticatac.ro/lefteast/u

2 Ler “Le Figaro” 13/12/2012 : “A extrema direita ucraniana entra no Parlamento” http://www.lefigaro.fr/internationa e o testemunho : http://leplus.nouvelobs.com/louismonnier




- A partir de:  Esquerda.net




domingo, 29 de dezembro de 2013

"Novas" de Kiev ( 1 )






(divulgação)



Merkel treina o pugilista Klitschko para presidente da Ucrânia

Desde o início das manifestações ditas pró-União Europeia e contra o Governo ucraniano, o ex-pugilista Vitali Klitschko tem surgido como um dos principais instigadores contra o Presidente Viktor Yanukovych. Talhado pelos democratas-cristãos da chanceler alemã, poderá, em breve, ser apoiado por mais dirigentes europeus. Excertos. Artigo por Ralf Neukirch, Nikolaus Blome, Matthias Gebauer, Der Spiegel/Presseurop (edição e tradução).



Na quinta feira de há duas semanas, ficou perfeitamente claro que qualquer vislumbre de amizade entre a chanceler alemã, Angela Merkel, e o Presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, tinha acabado. Estiveram juntos num jantar de gala com os dirigentes da União Europeia e dos países do Leste europeu, no antigo palácio do Grão-duque da Lituânia, com a cidade de Vílnius toda decorada para o Natal.

Ainda a sobremesa trufada não tinha sido servida, quando o Presidente ucraniano encetou um monólogo fastidioso sobre a difícil relação do seu país com a Europa, por um lado, e com a Rússia, por outro. A certa altura, Merkel interrompeu bruscamente Yanukovych e informou-o de que era melhor deixar-se de conversa. “Dê por onde der, não vai assinar”, disse ela, sem rodeios. O Presidente arménio, que estava sentado ao lado de Merkel, ergueu os olhos com a surpresa.

“A porta continua aberta para a Ucrânia”, insistiu Merkel repetidamente após a hecatombe, salientando que os europeus continuam dispostos a dialogar. E antes do início da próxima ronda, a chanceler planeia pôr um novo jogador em campo: Vitali Klitschko. O volumoso campeão de pesos pesados no boxe deverá ser lançado como adversário pró-europeu do Presidente pró-russo, Yanukovych, na esperança de que ele assinará um tratado pró-UE, que ainda há quem acredite que se vai materializar.

“Klitschko é o nosso homem”, dizem os políticos veteranos do PPE

Apesar de “mudança de regime” ser um termo demasiado forte para o que a Alemanha anda à procura, não é inteiramente descabido. A União Democrata-Cristã (CDU) alemã, de centro-direita, e o Partido Popular Europeu (PPE), associação de partidos conservadores europeus, escolheram Klitschko como seu representante de facto, na Ucrânia. A sua função é unir e orientar a oposição – na rua, no parlamento e, por fim, na eleição presidencial de 2015. “Klitschko é o nosso homem”, dizem os políticos veteranos do PPE. “Tem uma ideologia europeia clara.” E Merkel ainda tem contas para acertar com Putin.

Grande parte das movimentações acontece nos bastidores. O partido de Klitschko, a Aliança Democrática Ucraniana para a Reforma, formada em 2010, tornou-se recentemente membro observador do PPE. Nas sedes do PPE em Bruxelas e Budapeste, estão a ser formadas pessoas da Aliança ucraniana para o trabalho parlamentar e recebem apoio para o desenvolvimento de uma estrutura partidária a nível nacional. A Fundação Konrad Adenauer, estreitamente ligada à CDU, também desempenha um papel importante. Klitschko pediu expressamente aos assessores de Merkel para fornecerem ajuda por intermédio da fundação.

Mas o ponto fulcral da iniciativa é o próprio Klitschko. Tem-se reunido com Ronald Pofalla, chefe de equipa de Merkel, que há anos vem estabelecendo laços com membros da oposição na Europa do Leste, especialmente ao regime autoritário da Bielorrússia. Pofalla deu a Klitschko uma série de pistas, e o pugilista e novato político aconselha-se com ele. Por exemplo, Klitschko quer saber como responder a rumores sobre os seus supostos “casos com mulheres”, que o Governo ucraniano tem andado a espalhar, para destruir as suas possibilidades de se tornar um dirigente político viável no país.

Klitschko pode também depender da ajuda discreta de Pofalla e do Governo alemão para a eleição presidencial de 2015. Para já, a sua candidatura está bloqueada por uma lei, presumivelmente escrita a pensar nele em particular, que determina que um cidadão com autorização de residência noutros países não é considerado residente na Ucrânia. Isso impede Klitschko de provar que tem vivido na Ucrânia nos dez anos anteriores à eleição, o que é requisito para qualquer candidatura, segundo a Constituição do país. Mas conta com Merkel para apelar ao Presidente Yanukovych no sentido de garantir que essa lei não vai atrapalhar a candidatura de Klitschko. Para tal, o pugilista profissional terá de ser preparado para se tornar um político sério, tanto na Ucrânia como no exterior, o que é precisamente o que está a acontecer.

Klitschko participou numa reunião preliminar de líderes europeus conservadores em Vílnius, há cerca de duas semanas, tendo passado longas horas à conversa com os principais membros do Parlamento Europeu. Mas não se encontrou diretamente com Merkel. No entanto, a chanceler vai participar da reunião preliminar do PPE, que antecede a próxima cimeira da UE, em meados de dezembro, e o plano é voltar a convidar Klitschko. Desta vez, está prevista fotografia oficial com os dirigentes europeus, bem como uma reunião com a chanceler. Isso pode aumentar significativamente as credenciais políticas de Klitschko e representa um importante compromisso de Merkel.

Mas será Klitschko capaz de unir uma oposição notoriamente dividida, formada sobretudo pelo seu partido, mais o Partido da Pátria, da ex-primeira-ministra presa, Iulia Tymochenko, e o Partido da Liberdade, nacionalista de direita do neofascista Svoboda? Os partidários de Klitschko no PPE esperam que, na eleição presidencial de 2015, a oposição seja capaz de alinhar por um candidato conjunto, para enfrentar Yanukovych – e vencer. Então Merkel terá alcançado o seu objetivo de uma liderança pró-europeia na Ucrânia, podendo arrancar o segundo grande desafio: o esforço para reestruturar as relações da UE com a Europa de Leste – um jogo que coloca a União Europeia contra Putin.




- A partir de:  Esquerda.net